terça-feira, 24 de junho de 2008

24H BTT Monsanto - 14 e 15 de Junho de 2008

Esta crónica começa no dia 30 de Março, no almoço do Grândola 100, quando o Zé Carlos avançou com a ideia de participarmos nas 24H BTT de Monsanto.

A equipa ficou constituída nessa altura, dado que eu e o Sérgio aceitámos o desafio, e o Zé Carlos contratou na hora o Zé Pereira, que se revelou o elemento mais importante da equipa, pela sua experiência de participações anteriores.

O nome adoptado para a equipa, foi de BTT Trilhos da Lezíria, devido a 3 dos seus membros pertencerem a esse grande clube de Samora Correia.

Preparação:

Depois de efectuada a inscrição, fizemos 2 estágios em Monsanto ministrados pelo Zé Pereira que consistiram no reconhecimento do percurso de 2007 e tratámos dos aspectos logísticos (alojamento, alimentação, etc).

Na sexta-feira, 13 de Junho, véspera do grande evento, eu, o Zé Carlos e o Zé Pereira dirigimo-nos ao Parque de Campismo de Monsanto para tratar do nosso acampamento, levantar os dorsais e fazer o reconhecimento dos 12,3 km’s do percurso juntamente com o Paulo (do Moto Clube de Lisboa).


Infelizmente, e dado que os nossos chefes de equipa, os Zés, estavam lá para competir, não pudemos aceitar o convite do Moto Clube de Lisboa, para ficarmos no seu aldeamento, pois era necessário o mais absoluto repouso, por forma a que os atletas pudessem render o máximo nesse fim de semana.
Ainda assim não esquecemos o prometido caril de frango preparado pelo Fófó que não pudemos experimentar.


A prova

O início:

No sábado chegámos cedo a Monsanto, de forma a ultimar alguns detalhes de natureza logística e táctica.
Por decisão do Director Desportivo Zé Carlos, o alinhamento dos atletas fez com que eu tivesse o privilégio de começar a nossa participação.
Como vingança obriguei o Zé Carlos a ir 40 minutos antes das 12h para a linha de partida, para garantir um bom posicionamento e assistir ao briefing da organização. Enquanto isso eu fazia o aquecimento nos rolos, gentilmente cedidos pelo Zé Carlos.
Assim pude partir na fila da frente, juntamente com a campeã nacional de XC Sandra Araújo e outras “estrelas” do BTT nacional (cujos nomes não me ocorrem) e sem desculpas de engarrafamentos nos singletracks para justificar um mau tempo na 1ª volta.
O 2º a sair para o percurso foi o Sérgio, sendo que a inexperiência neste tipo de competição fez com que não o tenha visto partir aquando da minha chegada à zona de transição, o que gerou alguma confusão e telefonemas para o resto da equipa.
Os últimos a entrar em acção foram o Zé Carlos e o Zé Pereira.

As primeiras voltas foram feitas a fundo, e apesar de sermos cerca de 7 minutos mais lentos por volta que os atletas da frente, ao final de 3h estávamos em 16º lugar e às 8h de prova em 14º, em 130 equipas de 4 elementos.

A táctica adoptada passava por durante o dia fazer uma volta, e durante a noite 2 voltas, de forma a permitir aos outros atletas a possibilidade de descansar um pouco mais e com alguma sorte, dormir.

A noite:

Com a chegada da noite, começaram a aparecer os problemas, dado que o Zé Carlos resolveu tentar deitar-se mais cedo (a idade não perdoa), esquecendo-se que um dos singletracks não era o local mais adequado para isso e o Sérgio apenas fez uma volta devido a ter furado (curiosamente muito perto do final).
Os 2 turnos da noite que efectuei foram os que mais gozo me deram, e não foi por ter encontrado alguma das mulheres da vida que operam em Monsanto.
Grande parte dos participantes resolveu fazer o que é normal à noite, dormir, e assim havia muito pouco tráfego.
Para além disso houve muito atalhanço de outros participantes (dado que o pessoal da organização que controlava pontos estratégicos também foram dormir), pessoal a andar sem luzes (não sei bem como, mas eles lá andavam), e o ritmo alucinante do pessoal da frente que andava à mesma velocidade do dia.

Inesquecível foi o nascer do sol, em Monsanto, com vista para a Ponte 25 de Abril, com uma luz fabulosa (quem gosta de fotografia sabe do que falo).

A manhã de Domingo:

Com a chegada da manhã, tínhamos caído para a 18ª posição, devido aos problemas acima indicados e devido ao facto de o nosso ritmo ter baixado cerca de 5 a 6 minutos por volta durante a noite.
As últimas voltas foram feitas no limite das nossas forças, para tentar recuperar as posições perdidas. O Sérgio até renasceu de uma noite complicada para perseguir uma certa atleta do Leste Europeu.
Apesar de tudo acabámos por ficar no 19º lugar.
No meu turno da manhã o que mais me impressionou foi o esforço e resistência dos participantes a solo, esses sim, os verdadeiros heróis e a essência do espírito das 24H.
O Zé Carlos fez questão de ser ele a fazer a última volta, por ser o mais experiente, o Director Desportivo e o mentor desta nossa participação.
Durante alguns momentos ainda pensámos que era possível eu fazer mais uma volta, mas o Zé Carlos merecia ser o último a cortar a meta.
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Balanço da nossa participação:

A 19ª posição em 130 equipas não pode deixar de ser considerada como positiva, dado que 75% da equipa era estreante neste tipo de prova, que exige a resistência de uma maratona (cada um de nós acabou por fazer cerca de 100 km’s), mas a um ritmo de XC (ou seja de corda na garganta).

Tal como havia sido prometido pelo Zé Pereira, o ambiente que se vive é inesquecível e único.
Num fim-de-semana, profissionais, pseudo-profissionais e amadores do BTT, competem durante 24H, a solo ou em equipa, uns contra os outros, e principalmente consigo próprios, naquilo que é a essência do BTT, desfrutar dos trilhos, das paisagens por onde passamos, da companhia dos amigos e não só, etc.

Penso que todos os que praticam BTT deviam pelo menos uma vez na vida participar numa prova deste tipo.

A participação a solo representa um desafio muito aliciante, mas acho que a participação em equipa é mais recompensadora, pois o espírito de entreajuda e companheirismo que se gerou na nossa equipa foi talvez o mais importante que fica desta participação.
Ao resto da equipa o meu agradecimento.


Balanço da Organização:

Percurso:

Dificuldade Técnica (1/5): tarde de sábado 3, noite 4, manhã de Domingo 4.
O percurso de 2008 era tecnicamente mais difícil do que o do ano transacto, pelas descidas em singletrack que foram adicionadas, mas que tornaram o percurso mais divertido. No entanto também não era nada exagerado, para quem costuma fazer o Raid XL da Selindabtt.
Com o decorrer da prova, e a passagem de cerca de 1.000 participantes, o terreno, em especial nas descidas em singletrack degradou-se bastante, aumentando o grau de dificuldade.

Dificuldade Física (1/5): tarde de sábado 3, noite 4, manhã de Domingo 4.
Existiam algumas subidas curtas mas íngremes, mas muito longe da dificuldade dos nossos Bandos. O resto do percurso tinha poucas zonas planas onde se pudesse recuperar, dado que era um sobe e desce quase constante.

Marcação do percurso (1/5): 4, sem grandes reparos a fazer, principalmente para quem havia efectuado o reconhecimento de véspera.


Refeições e abastecimentos:

Jantar (1/5): Uma vergonha.
Pequeno Almoço (1/5): Uma vergonha.
Abastecimentos (1/5): 3.

Um dos poucos pontos negativos em termos organizativos.
Não faz muito sentido, num evento deste nível (leia-se valor da inscrição) esperar durante algum tempo em filas para comer um prato de massa (jantar) e um pão (pequeno-almoço), dado que os extras a este pacote básico eram a pagar.
Conheço alguns passeios organizados por sociedades recreativas, culturais e desportivas em aldeias da zona de Mação que batem por KO a Escola Aventura neste capítulo.

Ao nível dos abastecimentos, havia água em pontos estratégicos ao longo do percurso e barras e bebidas (isotónicas ou hipotónicas, ou lá o que isso é) na zona de controlo/transição.No entanto, embalados pela escassez de bens alimentares que se verificou nessa semana, algumas pessoas, que não perceberam ainda que o açambarcamento é crime, esgotaram os stocks da organização num instante, dado que levaram barras energéticas, para o resto da época!



Agradecimentos:


Talvez este ponto devesse ser o primeiro a ser mencionado, pois diz respeito a todas as pessoas sem as quais esta aventura não teria sido possível.

Em meu nome pessoal e da equipa gostava de deixar um sentido agradecimento a todos aqueles que de alguma forma contribuíram que a nossa participação nas 24H de BTT fosse um sucesso, nomeadamente (e sem ordem de preferência):
- esposa do José Carlos, pela bolonhesa e pelos incentivos;
- tia do José Carlos, pela massa e pelo incentivos;
- João Paulo, por ter abdicado de um fim-de-semana da sua vida, para aturar e tomar conta de uns malucos do BTT;
- meus pais, pela ajuda na logística;
- Moto Clube de Lisboa, nomeadamente o Pégaso e o Paulo, pelas minis, pela hospitalidade e por serem quem são;
- Fernando, Bruno e Artur por se terem deslocado a Monsanto para dar um incentivo aos amigos;
- Bruno e Artur (os mesmos mencionados acima) pelo empréstimo das luzes para os percursos nocturnos;
- Nuno Lima (que também participou), João Almeida e Bri, a rapaziada de Santarém que tantas tareias me deu no trilho negro ao longo dos meses que marcaram o meu regresso ao BTT;
- Nuno e Polho, da Bikezone Santarém;
- Filipe, Agostinho e Orlando, a rapaziada do BTZ Mação que está sempre presente;

Parece-me que não me esqueci de ninguém, mas caso isso tenha ocorrido agradeço que me comuniquem esse facto.

1 comentário:

Filipe Antu disse...

Este homem é um poeta!!!!!!!!

Envia esta reportagem para a bike magazine..... e até ao final do ano serás contratado...!!!

reportagem 1/5
classificação 5

Só uma coisa.... a tua bike andou o fds todo a descer escadas...???? os deuses devem estar loucos....!