quarta-feira, 14 de julho de 2010

O nosso Portalegre - 1 de Maio 2010

Este ano, uma vez mais levantámo-nos cedo no primeiro sábado de Maio.
No entanto para variar, desta vez de Mação a equipa era constituída apenas por mim e pelo Chefe-de-Fila.
O Velhinho optou por ficar a treinar nas grades de minis….e o resto da equipa ficou em parte incerta…
Quando na A23 não virámos para o IP2 lembrei-me que este ano não íamos ao Portalegre.

Após 4 anos de presença consecutiva na Maratona de Portalegre, o BTZ Mação tomou a decisão de não participar neste evento este ano.
Parte do pessoal fartou-se de passar o Ano Novo em frente ao computador, outros estavam cansados de fazer o mesmo percurso todos os anos, outros há que preferem não desembolsar um valor tão elevado para participar num evento que não é tão interessante como outros que se realizam relativamente perto.

Consequentemente, o BTZ Mação optou por levar a cabo mais um dos seus eventos “desorganizados”.
O cenário escolhido foi a Serra da Estrela, sendo o desafio colocado aos convidados efectuar a 1ª etapa do Geo Raid Serra da Estrela de 2009.

Depois da chegada às Penhas da Saúde, iniciámos os preparativos para o arranque, embora o tempo não estivesse com boa cara, pois estávamos literalmente nas nuvens.

A primeira descida em trilho

Os primeiros km’s foram efectuados em alcatrão, em direcção ao Centro de Limpeza de Neve, em Piornos.
Ao entrarmos no trilho verificámos que o Inverno rigoroso que tivemos este ano, tinha deixado a sua marca, pois o trilho estava bastante degradado.
Nas primeiras descidas o pessoal teve de desmontar algumas vezes, e houve algumas quedas, felizmente sem consequências.

O Filipe e o Tiago posando para a foto no Vale Glaciar de Manteigas


O tempo começou a melhorar à medida que íamos baixando na altitude e aproximando de Manteigas.
A descida para Manteigas é longa, com o início em alcatrão e com uns cotovelos na parte de trilho que são espectaculares.
Nesta descida tivemos a primeira paragem, pois o João Nunes teve um furo que obrigou a equipa de assistência técnica a entrar em acção.

Making of de uma foto ao Miguel Rato

Na paragem, o José Carlos finalmente ficou a conhecer o Miguel Rato, e percebeu que é impossível estar ao pé dele mais de 1 minuto sem estarmos a rir.

Após a descida, em São Gabriel, começava a primeira subida digna desse nome da etapa, sem que antes o Chefe de Fila tentasse eliminar a concorrência, levando o Hugo pela segunda vez ao tapete.

O pelotão na primeira grande subida do dia

Os primeiros 3 km’s da subida são os mais complicados, com algumas rampas de inclinação significativa. Felizmente como vamos devagar podemos ver com calma a paisagem que nos circunda.

Hugo, Miguel e João numa "pequena" paragem

Após essa fase, o terreno fica menos inclinado e entramos num bosque lindíssimo, em que temos um tecto de árvores (pinheiros, carvalhos, etc).

O bosque no final da primeira subida do dia

Vista sobre Manteigas

Vista sobre a zona do Poço do Inferno
Na Cruz das Jogadas iniciamos a descida para o Covão da Ametade e para a Senhora da Assedasse, e circulamos alguns km’s junto às margens do Rio Mondego.
Esta fase da etapa, até pela altura do ano, foi das mais bonitas pelo cenário espectacular.

Rio Mondego

O Vale onde passa o Rio Mondego

Após uma paragem para reabastecimento, seguimos por uma zona agrícola, onde começava mais uma subida, para o Casal das Pias e Jogo da Bola. A fase inicial da subida tem uma inclinação bem razoável, onde o Nuno Vicente resolveu repetir a dose, pois fartou-se de esperar pelo resto do pessoal.
O Nuno Vicente demonstra, apesar de se ter iniciado no btt há pouco tempo, um andamento impressionante, que o tem levado a ter excelentes prestações nalgumas maratonas que se disputam no distrito de Santarém.
Obviamente que o BTZ Mação resolveu logo dar-lhe umas tácticas para lidar com algumas das estrelas do btt da nossa zona.

Antes de passarmos no Jogo da Bola fomos confrontados com uma situação bastante lamentável, pois o José Carlos resolveu fazer um número de exibicionismo que eu me escuso a comentar neste blog. Apenas posso dizer que ficamos todos traumatizados.

Perto do Jogo da Bola, a caminho da Santinha

Na passagem no Jogo da Bola o Tiago ficou muito mais descansado, pois como por magia o GPS indicava que a distância para o final era agora apenas de 47 km’s, quando uns metros antes indicava 70 km’s.
O ano passado devido às condições atmosféricas a organização optou por encurtar a etapa, poupando a longa subida de Linhares da Beira.

No Jogo da Bola começava a aproximação à subida da Santinha, que era o ponto alto do percurso e que nos permitia vislumbrar a zona a oeste da Serra, com Gouveia, Folgosinho e Linhares.

A subida para a Santinha tem cerca de 5 km’s e é das mais desafiantes que já fiz, pois o terreno vai ficando mais complicado à medida que subimos, quer pela degradação do piso, que a transforma numa subida com exigência técnica, quer pelas rampas que vão aumentando de inclinação, quer pelo facto de perto do final não termos qualquer vegetação que nos proteja.

O início da subida à Santinha, ainda com floresta

A parte final da subida à Santinha

Segui com o Miguel Rato pois o resto do pessoal seguiu no seu ritmo.

Vista panoramica #1

Miguel Rato com a mania de bad boy

Na Santinha optámos por praticamente não parar, dada a ventania que se fazia sentir, pelo que seguimos pela cumeada em direcção à estrada Manteigas – Seia.

Vista panoramica #2

A cumeada da Santinha

Vista panoramica #3

Nesta parte do percurso tivemos um dos momentos mais complicados do dia, não pelo terreno, mas sim pelo facto de o Miguel Rato ter desafiado uns 5 cães da Serra da Estrela (que guardavam um rebanho enorme com que nos cruzámos) para uma corrida.
Acho que nunca vi o Rato a pedalar com tanta velocidade, e acho que quando alguém quiser fazer treinar umas séries e não tiver motivação, pode recorrer a este tipo de estímulo.

O encontro do pelotão com o rebanho
Aqui já o canídeo estava a fitar o Rato...

Antes de chegarmos ao Observatório Meteorológico das Penhas Douradas, perdemo-nos, dado que mesmo com GPS, o pessoal tem o hábito de inventar.
Ainda assim a coisa correu bem, pois ficamos a conhecer mais um local espectacular na Serra da Estrela.

Miguel Rato num bosque perdido na Serra

João Nunes também no bosque

Chefe de Fila

Nas Penhas Douradas iniciámos a longa descida para Manteigas, com cerca de 5 km’s.
A parte inicial da descida é em estradão, com cotovelos consecutivos onde ainda assim conseguimos seguir a alta velocidade. A vista sobre Manteigas é espectacular, pelo que aproveitei para tirar umas fotos.

Mais uma vista panoramica sobre Manteigas, desta vez das Penhas Douradas

Aspecto da descida para Manteigas

Após a passagem da estrada Manteigas-Seia, entramos numa parte em calçada que é brutal, não muito técnica e permite atingir velocidades significativas. No final da descida parámos para agrupar o pessoal e era um cheio a ferodo.

A descida em calçada para Manteigas

Em Manteigas começava a subida final para as Penhas da Saúde.
O início da subida era feito na margem esquerda do Zêzere em estradão.
Os cerca de 15 km’s de subida são relativamente suaves após as primeiras rampas, mas o cansaço acumulado faz mossa.

João Nunes na parte inicial da subida final

Após a passagem pelo Zêzere passámos para o alcatrão, para os 7 km’s finais da subida, cada um meteu o seu ritmo. Nesta fase segui com o Tiago que denotava já bastante desgaste.

O Zêzere no Vale Glaciar

Já perto do final da subida juntei-me ao Filipe e ao João Nunes, para depois seguirmos, finalmente a descer, para as Penhas da Saúde, onde terminámos esta longa jornada.
Descubram as diferenças nestas duas fotos:

Desculpa Tiago.....

O Modelo Rato....

O pessoal de Samora Correia teve de seguir logo para casa, pelo que não teve o privilégio de jantar na Pizzaria recomendada pelo Miguel Rato, que conhece bem aquela zona.
O comentário no final da refeição do Miguel para a Proprietária do Restaurante foi: “aposto que nunca visto 3 pizzas familiares a desaparecer com tanta rapidez”.

Aspecto do Vale Glaciar de Manteigas


Esta volta acabou por ser um bom treino para o GeoRaid da Serra da Estrela que se realizaria em Julho (ou seja no fim de semana passado).
Para além da dureza do percurso, tivemos o privilégio de estar com alguns amigos e de conhecer a Serra da Estrela de uma forma mais profunda, passando em locais, que de outra forma dificilmente conheceríamos.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Rota da Água – Chão de Codes (Mação) - 18 de Abril 2010

Depois de um dia a pedalar, o que fazer no dia seguinte?
Pedalar. Mas em casa, em Mação.

A Rota da Água é um dos poucos eventos de btt organizados no concelho de Mação, pela mão da Associação Cultural e Recreativa de Chão de Codes, e muito particularmente pelo Vítor Marques que também é membro do BTZ Mação.

Nos últimos anos o BTZ Mação tem sempre marcado presença, pelo que este ano não foi excepção.
Desta vez estiveram presentes o Chefe de Fila, o Velhinho, o Vítor e eu.
O futuro do BTZ Mação também esteve presente, com os filhos do Velhinho.

O futuro do BTZ Mação a ser perseguido por um canídeo......

A jornada da véspera tinha terminado de forma complicada, dado que tive um problema técnico com a bike. Felizmente tive o auxílio do Nuno Esteves, que me emprestou a bike dele, uma Cannondale Scalpel.

A Scalpel que tive o privilégio de andar neste dia

O dia amanheceu enfarruscado e a prometer chuva, pelo que ainda ia a pensar se o melhor não seria levar o chapéu-de-chuva.

Antes da partida tive oportunidade de falar com o pessoal do BTZ Mação e mais pessoal conhecido que se deslocaram a este passeio.

No Chão de Codes o tempo até estava melhor e não ameaçava chuva, pelo que após o verdadeiro start loop que efectuamos, com saída da aldeia e regresso ao local de partida, optei por parar para deixar o impermeável no carro.

O atleta à saída de Chão de Codes

O start loop é uma volta relativamente pequena, mas com duas subidas ligeiras, que começam logo a fazer mossa.
Apesar de a pulsação ir baixa, o ritmo que conseguia imprimir era baixo, pelo cansaço acumulado da véspera. Não que se tivesse descansado no sábado o ritmo fosse muito mais forte.

Depois de um singletrack no meio das hortas, que dá trabalho técnico e direito ao primeiro pedestre do dia, dado que com o piso molhado, as pedras têm tendência para ficarem escorregadias.

Já não bastava o Orlando....
Também o Velhinho....

O Vitor a mostrar como se faz....
A segunda parte do percurso é um autêntico carrossel, em que seguimos na direcção ao Cerro do Outeiro e invertemos o sentido, dirigindo-nos ao Bando de Codes, com subidas e descidas curtas e inclinadas.
Nesta parte o percurso tinha alguma lama, o que dificultava a progressão.

O atleta no seu habitat natural: O Bando de Codes

A aproximação ao Bando de Codes era conhecida, pelo que comecei a antecipar uma subida terrível, pela extensão e pelas rampas que vamos tendo pela frente.
Nesta parte do percurso isolei-me de algum pessoal que se ia mantendo por perto, pelo que fiz a subida sozinho.

O atleta na subida do Bando de Codes

A meio da subida havia a separação das duas distâncias disponíveis neste passeio, pelo que ainda olhei para a placa dos 20 km’s, mas segui serra acima, já em alcatrão.

O pessoal perto do final da subida ao Bando de Codes

A descida do Bando de Codes era menos conhecida, que nos leva para a zona a norte da Aldeia d’Eiras.

O Vitor sempre a dar espectáculo.....

No final da descida passávamos o alcatrão e começávamos a aproximação ao Bando de Santos.
A subida ao Bando de Santos era bastante complicada, pelo que facto de ser muito longa, sendo que o abastecimento mais ou menos a meio cortava um pouco a dificuldade.

No alto do Bando de Santos

No início da subida, começou a chover, com grande intensidade, dificultando o andamento.
Nesta parte encontrei o Vítor, que estava a tentar resguardar-se da chuva debaixo de uns pinheiros, mas mais preocupado com o filho, que não devia estar a pedalar com esta intempérie.
Segui a solo até ao abastecimento, no Parque de Merendas do Brejo, onde finalmente pude resguardar-me da chuva e comer qualquer coisa.

Vista do Miradouro do Bando de Santos

Como bónus tive quase a fazer negócio para vendar a bike ao Nuno, mas achei melhor não me meter em confusões.

O atleta na passagem no alto do Bando de Santos

O resto da subida, até ao Miradouro do Bando de Santos foi feito num ritmo mais vivo, pois ainda passei por algum pessoal, que já se arrastava nas subidas.
Na descida para São Gens, complicada pela pedra solta e molhada, seguia a grande velocidade, surpreendido pela eficiência e eficácia da Scalpel, quando furei.

Bando de Santos
A bike tem feito tão poucos km’s que ainda tinha a câmara-de-ar de origem, sem líquido anti-furo.

Mais uma foto no alto do Bando de Santos
Após a troca, que tem vindo a ser periodicamente treinada nas bikes do pessoal, segui novamente a alta velocidade, pois a bike é realmente boa a descer.

O posto de vigia do Bando de Santos

A descida era bastante longa, pois no cruzamento de Santos voltávamos a apanhar o trilho para descer para a estrada do Castelo para Mação.
Esta parte final era quase toda em alcatrão.

No miradouro do Bando de Santos II

No entanto o que era negativo acabou por não ser tão mau, dada a chuvada que caiu.

O atleta no alto do Pereiro.
Neste dia parecia um modelo a posar para as fotos....

Após a finalização da prova, fui a Mação tomar o 3º banho do dia…..

O almoço foi tal como habitual bom, e na companhia de amigos, o que é sempre de registar.

Em resumo uma manhã bem passada a pedalar nos trilhos onde habitualmente pedalamos, na companhia de amigos e no final com um belo almoço…..

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Serpa 160, perdão Serpa 150 - 17 de Abril 2010

Este ano o Almeida voltou a desafiar-me para fazer o Serpa 160, a primeira Ultra-Maratona de Portugal.
Dado que já tinha arranjado uma boa desculpa para faltar à chamada nos 2 anos anteriores, este ano resolvi aceitar a missão.

Como é habitual não houve preparação específica para esta prova, mas como era disputada no fim de semana a seguir ao Geo-Raid, o treino estava feito.

Em Mação ficamos a saber que o Sérgio e Hugo de Samora Correia também iriam estar presentes, pelo que já tínhamos companhia para os primeiros 100 metros de prova.

A semana antes da prova ficou marcada pela chuva, pelo que estava com algum receio de encontrar os trilhos enlameados, o que seria um factor crítico, numa prova tão longa pois seria necessário poupar o material, para que funcionasse de forma eficiente e eficaz ao longo de toda a prova.

As próprias previsões atmosféricas para o dia não eram animadoras pois davam chuva.
Mas como sou um gajo de Mação, não me ia negar à participação nesta prova.

Dado que deixámos tudo para a última hora tivemos de nos deslocar para Serpa no dia da prova, pelo que tivemos de sair de Santarém muito cedo. Acho que bati um record de me levantar cedo para ir pedalar. Se fosse para trabalhar de certeza que me recusaria a levantar tão cedo.

Após a chegada a Serpa, e das obrigações burocráticas, lá colocámos as bikes prontas para arrancar, e fomos confrontados com uma redução de cerca de 10 km’s no percurso.
Estive quase para não partir, dado que tinha ido para fazer 160 km’s e não 150 km’s.

Na partida ainda deu para falar um pouco com pessoal conhecido, o Tozé Palma, o Carlos Vitorino, etc.

Os primeiros km’s de prova eram a descer e em alcatrão, pelo que dava para começar o aquecimento para o lamaçal…..
Mal entramos nos primeiros trilhos começou uma fase da prova que eu caracterizaria como: chafurdando na lama.
Esta fase que durou cerca de 20 km’s teve como alto a passagem no singletrack do Guadiana, ou pelo menos parte dele, que pareceu ser bastante porreiro, mas com tanta lama era um bocado complicado, pelo menos para evitar quedas.
Após a passagem pelo singletrack efectuámos uma subida longa que nos levaria ao primeiro abastecimento e ao alcatrão.
Se continuássemos naquele tipo de terreno penso que acabaria a prova parecido com aquele pessoal que vai ao spa fazer tratamentos de pele com lama.

O atleta aqui a tentar fugir à lama e às quedas

Depois do abastecimento tivemos uns 10 km’s de alcatrão, que até foram porreiros pois estava farto da lama e do barro. Nesta parte já conseguia acompanhar um pouco melhor o ritmo do Almeida, pois ia ficando com menos azia.
Para compensar o Almeida começava a queixar-se de problemas técnicos na sua bike, pois tinha pouco ar nos amortecedores e a prato pequeno do pedaleiro não colaborava nas subidas onde era necessário.
Garanto que não tive nada a ver com esses problemas e que o facto de a bike dele ter passado a noite em minha casa não tinha contribuído para os problemas.
A seguir ao alcatrão o percurso parecia um carrocel, dado que era um constante sobe e desce, em que no final das descidas tínhamos o brinde de atravessarmos ribeiras, que pela chuva dos últimos dias, levavam um caudal bastante siginificativo.

Também o Almeida praticou o pedestre.....

Até ao 2º abastecimento a minha predisposição para andar de bike foi melhorando, pelo que começamos a andar num ritmo um pouco mais forte. Mas com calma, pois ainda faltavam muitos km’s.

Depois do 2º abastecimento o terreno era menos acidentado, mas voltamos a passar em zonas de completo lamaçal, pelo que voltei a fazer uns passeios pedestres, o que obrigava o Almeida a esperar por mim.
Nesta parte voltávamos ao Alentejo profundo, onde não vemos durante bastantes km’s nada que nos lembre a civilização, tirando os estradões e algumas casas perdidas nos montes.

Este ano o percurso passava em São Domingos, na povoação e na mina.
A mina é uma zona desoladora, pois são uns bons km’s de escombros, edifícios em ruínas, águas contaminadas, etc. Este foi um dos cenários que mais me impressionou em todo o percurso pela magnitude da desgraça que ali aconteceu.
É pena que em Portugal a questão ambiental seja tão desvalorizada e se tenha deixado aquela zona naquele estado.

Almeida em grande estilo na passagem de uma ribeira

Após deixarmos as minas voltávamos a entrar em zonas alagadas de água, sendo que uma vez mais desmontava sempre que tínhamos de atravessar lama, ribeiros e lagos.
Apenas pensava que teria sido melhor ter levado as galochas e uma jangada……
O Almeida pacientemente esperava por mim….

Apenas após o dobrar dos 80 km’s é que comecei a sentir-me mais confiante, pois agora apenas faltava uma maratona.
O percurso após o abastecimento intermédio da prova tinha uma longa descida em alcatrão, onde apanhamos com uma chuva forte e com bastante vento. Nalgumas partes era só fechar os olhos e seguir…..
Depois descida começava uma fase de longas subidas, inicialmente em alcatrão e depois em estradão, com cerca de 10 km’s. Foi nesta parte que me comecei a sentir melhor fisicamente, e a dividir as despesas com o Almeida. Nesta longa subida começamos finalmente a ultrapassar pessoal.

Depois da subida voltamos ao alcatrão e a uma nova zona de terreno acidentado, com mais umas ribeiras para poder desmontar e molhar os pés…..
O Almeida desta vez já não precisava de esperar na outra margem, pois nesta fase já me ia a sentir bastante melhor, pelo que seguia quase sempre na frente a marcar o rtimo.

Nos últimos km’s conseguimos ultrapassar bastante pessoal, que teve a visita do Homem da Marreta.
Nesta fase da prova rolámos com um atleta que merece uma referência nesta crónica, pois fazer uma Ultramaratona com uma bike sem suspensão e em singlespeed não é para todos.

Na parte final da prova ainda tivemos oportunidade de passar nas 4 poças, 5 riachos e 3 lamaçais do concelho de Serpa onde ainda não tínhamos passado, pelo que até chegarmos ao alcatrão ainda tive mais uns momentos de azia…..

Os últimos km’s eram em alcatrão, o que nos facilitou a vida, pois após 150 km’s, já queria era um pouco de descanso.
O Almeida estava satisfeito pois tinha cumprido o objectivo de fazer a prova em menos de 10h.

O comentário do Hugo desta foto no facebook é: O Grande duo de Mação contra uma dupla de vigaristas....

No final da prova fiquei com o sentido de ter cumprido a missão….

Este ano a prova ficou marcada pela chuva da semana anterior, que obrigou a alterações do percurso e que acabaram por o tornar ainda mais duro, pelo terreno estar bastante pesado.
O balanço nesta primeira abordagem a uma ultramaratona foi positivo, embora tenha ficado com a impressão de que poderia ter feito um tempo bastante melhor e limitado menos a performance do Almeida.
No entanto a proximidade com o Geo-Raid e o fraco estado de forma, fez com que tivesse tido uma abordagem bastante conservadora nos primeiros 70 km’s.

Não sei se voltarei a participar nesta ultramaratona, pela proximidade em termos de calendário com outras provas, por ser muito cedo na minha época desportiva, pelo facto de o Almeida ter indicado que o percurso era bastante semelhante ao dos anos anteriores e finalmente pela organização ter falhado na avaliação das condições dos primeiros km’s de prova.