Acho que esta é a melhor forma de descrever a prova de XC de Avis do Troféu Norte Alentejano.
Esta vila tem a fama de ter zonas espectaculares para o BTT e especialmente para o XC, pelo que a expectativa era alta, pois a organização prometia um circuito técnico.
O início do percurso era no centro da vila, em empedrado.
A saída da vila era feito com uma descida com muita brita, o que poderia ser algo perigoso, pois não era preciso muito para cair.
Esta parte representava o primeiro ponto onde poderiam ocorrer engarrafamentos, pois tínhamos de desmontar 2 ou 3 vezes, devido ao percurso ter uns buracos nada pequenos.
Após esta zona mais técnica, tínhamos uma descida em estradão, que nos levava à primeira subida do dia.
Esta subida era terrível, com cerca de 500 metros, em estradão, com algumas partes com pouca aderência, que levariam o pessoal a seguir em fila indiana.

Depois de passarmos a zona de abastecimento começava a descida, inicialmente em singletrack, e depois num estradão. Aqui o mais complicado era o pó, que poderia levar-nos a não ver algum obstáculo no percurso.
Nova descida, em singletrack, bastante técnica, com alguma pedra solta e um degrau no final, onde quase caía. Isto apesar de ir devagar.
Depois de mais uma incursão em estradão vinha uma nova parte de subida íngreme e curta, em singletrack, muito semelhante á anterior, com nova descida complicada, que nos levaria novamente ao estradão.

Junto ao muro de uma casa com vista para a Albufeira da barragem do Maranhão, tínhamos nova descida em single, com o início tramado pela terra solta e uma curva de cerca de 150 graus, que nos levava encosta abaixo.
Depois do vale, nova subida, em suaves prestações, que nos levava à primeira encosta técnica.

A coisa começava com uma descida, que tinha 2 opções de percurso.
Uma para os campeões e outra para os mortais.
No reconhecimento passei em pedestre, pois fiquei impressionado com uma vala de água que corria junto ao percurso.

Depois era sempre a subir para a meta, uns 600 metros, com o inicio paralelo à descida inicial, em brita, com pouca aderência e parte final em empedrado.
O percurso tinha cerca de 6 km’s, muito duros e com um calor infernal, que não ajudava nada.
Como é habitual a partida é a morte, com o pessoal a tentar chegar em primeiro lugar ao trilho ou ao 1º singletrack.
Desta vez não foi diferente, pelo que segui uns metros atrás do Silva, pelo menos até entrarmos no trilho. Aí foi a confusão total, pois com o pessoal a desmontar, pelo que começou o pedestre.
Na minha opinião a prova começou realmente na primeira subida que pareceu interminável.
Os primeiros classificados saíram disparados, e quando olhei para o pulsómetro, achei melhor não tentar ir na roda deles.Para compensar, o pessoal do pelotão começou a desmontar todo. Aproveitei obviamente para passar alguns deles.


Até à zona do passeio pedestre, segui na roda de pessoal, que ia num ritmo semelhante ao meu e tentando baixar a pulsação.
Na zona mais técnica da prova, tive de desmontar, pois o pessoal da frente assustou-se com a descida, que era brutal.
Este atleta achava que pertencia aos campeões
Até á meta foi só sofrer, pois a subida era terrível, pelo cansaço e pelo facto de a aderência ser muito precária.
Acabei por não passar muita gente (com excepção da primeira subida a sério, onde o pessoal parecia mecanicamente desmontar da bike).
À chegada à zona da descida mais técnica ainda pensei em passar em cima da bike, pois as trajectórias estavam agora mais definidas pela passagem do pessoal.
Mas quando cheguei mesmo ao início da subida, lembrei-me do meu ombro e do $$$$$ que me custou a bike, pelo que desmontei.
Só me lembro de ouvir um miúdo aos berros para sairmos da frente, pois ele seguia montado na bike.
A meio da subida passou por mim um atleta e decidi seguir na sua roda, pois era do meu escalão.
Mesmo antes da subida terminar, já junto às muralhas, levantei-me da bike e comecei a sprintar. O outro atleta deu por isso e também tentou, mas felizmente não me conseguiu passar.
Após terminar a prova, cumprimentei o meu adversário de circunstância, vi onde estava o Silva e a sua esposa, e sentei-me no chão.
Tinha feito uma prova com apenas 12 kms, e cheguei ao final completamente destruído.
No final valeu o esforço, dado que alcancei o 12º lugar.
O Silva conseguiu novamente um lugar no top 10, com um 7º lugar e marcando preciosos pontos para o Troféu.




