Sem os problemas técnicos que o tinham afectado nas etapas anteriores, o Silva pode finalmente fazer uma prova em condições, alcançando um 6º lugar no seu escalão.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Troféu Norte Alentejano #3 Nisa – 26 de Setembro 2009
Sem os problemas técnicos que o tinham afectado nas etapas anteriores, o Silva pode finalmente fazer uma prova em condições, alcançando um 6º lugar no seu escalão.
4H Resistência - Sardoal - 19 de Setembro 2009
Em representação do BTZ estiveram presentes o Silva e eu, aparentemente os únicos atletas que se mantêm em actividade nesta altura do ano.
Houve quem passasse por lá durante a prova, para dar apoio moral e treinar mais um pouco no campo etílico, mas não vou denunciar ninguém (também não preciso).
Depois de cumprirmos com as obrigações burocráticas, percorremos algumas ruas da vila do Sardoal, guiados pelo José Tereso, da organização da prova.
Com o início da prova resolvi adoptar um ritmo mais calmo, pois ainda faltavam muitos km’s e muitas horas para o final. O Silva que tinha revelado algum receio em relação ao facto de serem 4H a pedalar, saiu forte, como é habitual.
A saída da vila era feito em alcatrão, em subida até à zona do Estádio.
Aí entrávamos finalmente no trilho, com uma incursão num quintal que nos levaria a um estradão conhecido das maratonas do Sardoal.
O percurso tinha depois umas subidas e descidas não muito inclinadas, até à primeira passagem de alcatrão, onde tínhamos uma parede curta, mas bastante inclinada.
Depois dessa subida, terrível (nas últimas voltas), percorríamos estradões em eucaliptais, que eram bastante rápidos, pois era quase sempre a descer, até nova passagem pelo alcatrão.
A parte final, era de longe a mais porreira, e é pena que o percurso não fosse sempre em zonas como esta. Tinha 2 descidas porreiras, com curvas encadeadas e o saudoso singletrack. Este singletrack ameaça tornar-se um clássico das voltas no Sardoal, e merece.
É pena é ser tão curto e acho que o pessoal do BTT Sardoal devia investir numas enxadas e roçadoras de mato para começar a prolongá-lo.
Após o singletrack, há apenas uma opção: subir.
A subida era um bocado chata, na parte junto à ETAR não pelo terreno.
Depois disso, a subida continuava em duas nada suaves prestações em calçada (pela inclinação), que nos levava à zona da meta.
Lá chegados, ainda tínhamos de continuar a subir, em alcatrão.
No final da primeira volta vi que o Silva estava na zona de assistência, ao que parecia, com um furo. Fiquei preocupado, pois não convinha nada que o nosso atleta em melhor forma ficasse logo atrasado desde início.
Pouco tempo depois fiquei mais descansado, pois ele passou por mim fortíssimo.
Apesar de ter começado de forma calma, verifiquei à medida que fui efectuando voltas, que não conseguia melhorar muito o tempo por volta, pelo que continuei num ritmo certo, apontando para as 8 voltas no final.
Fiquei impressionado, quando à terceira volta passou por mim o primeiro classificado, num ritmo louco, parecia uma mota, de alta cilindrada. Nessa altura senti-me uma Casal Boss, fiável, mas lenta…
As últimas duas voltas foram bastante penosas, pois nesta altura do ano ando sem grande endurance e porque o terceiro atleta do BTZ (o tal que anda nos treinos etílicos) resolveu negar-me um abastecimento líquido (baseado em cevada).
Terminei a sétima volta já perto das 4H de prova, pelo que tinha de tomar uma opção, ou ser o primeiro do pessoal que fazia sete voltas, ou ser o último do pessoal que fez 8 voltas.
Ganhou a segunda opção, a masoquista.
O final acabou por ser algo diferente, dado que a meio dessa última volta, comecei a ouvir uma mota atrás de mim, pelo que pude verificar que era mesmo o último atleta em pista.
Ainda consegui chegar à meta antes da mota vassoura, que ia parando para recolher as placas de marcação do percurso.
No final consegui um lugar a meio da tabela classificativa geral, com um 23º lugar. O Silva, na primeira vez que passou a barreira dos 80 km’s, efectuou um 16º lugar, mostrando que afinal até se aguenta em provas longas.
Ainda o vamos ver a dominar nas maratonas de 100 km’s.
No final tivemos mais um belo jantar, com porco no espeto. Porco esse que íamos vendo à medida que somávamos voltas, dado estava a ser alvo de tratamento apropriado junto ao percurso.
Foi mais uma boa organização do BTT Sardoal, sem grandes falhas, pelo que lá para Março devemos marcar presença na Maratona.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Troféu Norte Alentejano #2 - Assumar - 13 de Setembro 2009
De volta ao Troféu Norte Alentejano, eu e o Silva deslocámo-nos em representação do BTZ Mação a Assumar, no concelho de Monforte, para a 2ª prova.
Como já se tornou um hábito, chegámos cedo ao local da prova, o que nos permitiu preparar as coisas com calma e efectuar o reconhecimento do percurso.
O percurso deixou-me um pouco desiludido, dado que era bastante rolante, com apenas 3 subidas que sabiam a pouco.
Em termos de técnica tinha apenas uma zona mais exigente, no leito de uma ribeira, de resto era uma espécie de singletrack em terreno agrícola e de criação de gado bovino (com o qual interagimos no aquecimento), com algumas zonas junto a arame farpado (problemático em grandes aglomerações de pessoal) e outras com bastantes irregularidades (mas não estávamos lá para fazer ciclismo de estradão).
Penso que a organização se esforçou por apresentar um percurso interessante e duvido que conseguissem fazer melhor naquela zona.
A prova como habitual começou com algum atraso, o que prejudica quem chega a horas e faz o aquecimento a contar com uma partida pontual.
Para variar desta vez fizeram a chamada para os juniores.
No entanto o comissário da Associação de Ciclismo de Santarém teve de dar a partida umas poucas de vezes, pois os atletas não ligaram nenhuma ao apito de árbitro de futebol com o qual ele tentava dar a partida.
Estas partidas são uma confusão
A partida foi feita a fundo, na Rua Principal da povoação numa zona destinada a largada de toiros, pois eram as festas da aldeia.
Estranha associação…
A chegada à zona de singletrack levou ao primeiro engarrafamento, onde consegui passar algum pessoal que ficou mais atrapalhado com a confusão.
Na primeira subida, apesar de ter desmontado consegui passar mais alguns participantes, pois houve mais um engarrafamento.
Nessa altura comecei a ver o Silva uns metros mais à frente e estranhei esse facto, dado que ou eu estaria muito forte (pouco provável) ou ele muito fraco.
Um pouco mais à frente apanhei o pequeno grupo onde estava o Silva, numa zona onde não dava para ultrapassar, a menos que fossemos lavrar um bocado e apanhar umas bostas de vaca (mais perigosas que os buracos)…
Após a zona da Ribeira tentei seguir com o líder do grupo, um atleta da Ribabike, deixando, estranhamente o Silva para trás.
No início da 2ª volta o Silva e outro atleta que o acompanhava aproximaram-se de mim e pensei que podia rebocar o Silva durante um bocado. Mas infelizmente isso não ocorreu, pois ele voltou a ter problemas técnicos com a bike.
Assim segui o mais forte que pude, aproveitando o facto de não levar ninguém à minha frente, pois o pó também complicava a prova.
É melhor sairem da frente, que eu ia bruto...
Na 2ª volta voltei a ter alguns problemas de tráfego na zona da Ribeira, onde tentava ultrapassar um atleta que parecia um pace car.
Na subida que se seguia à zona técnica já não consegui seguir com esse grupo, pois já estava um bocado cansado…apesar de apenas levar cerca de 15 km’s de prova.
Estou mesmo em baixo de forma. Fraquinho.
Até ao final consegui manter a minha posição na tabela classificativa, mantendo o ritmo.
Logo após a minha chegada chegou o Silva, chateado com os problemas mecânicos que afectam a sua bike e que o têm impedido de dar o seu melhor.
Nesta prova já me senti fisicamente muito melhor que em Chança, onde acusei a paragem de 15 dias motivada pelas férias.
Em termos de classificação o Silva fez 18º lugar, prejudicado pelos problemas técnicos e por uma semana de treino com alguma carga física.
Nesta prova esteve abaixo de Chança, mas a concorrência que se prepare…
Eu consegui marcar os primeiros pontos no Troféu, com um 13º lugar.
Agora já posso passar o resto do Troféu a pastar a vaca, pois já vou aparecer na classificação final.
A prova seguinte será em Nisa em 26 de Setembro, onde muito provavelmente não estarei presente, mas em que o Silva assegurará a representação do BTZ Mação.
O resto do BTZ ainda não regressou de férias, ou então anda a treinar noutros desportos, com uma vertente mais etílica.
Maratona de Óbidos - 6 de Setembro de 2009
Após a participação do ano passado tinha tomado a decisão de não voltar a estar presente devido a algumas complicações nos almoços.
No entanto este ano tivemos a garantia dada por uma pessoa da organização de que esses problemas teriam sido resolvidos.
Por isso a convite do Nuno Lima lá fui uma vez mais ao Oeste.
A Maratona deste ano prometia ser mais difícil do que a de 2008, dado que a altimetria era substancialmente superior. 1800 metros de acumulado em 80 km’s já são valores razoáveis para um atleta de Mação.
Do grupo habitual de pedaladas estiveram presentes o Nuno Lima, o Tiago Nunes (na distância mais curta), o José Carlos, e dos menos habituais o Jarbas e Tozé Palma.
De referir a presença dessa referência do BTT que é o Chamusco.
A partida foi atrasada, pois alguns participantes deixaram para a última a sua passagem no controlo 0.
A coisa não me agradou, pois uma coisa que considero essencial é o respeito por quem é pontual. E contra mim falo…
Depois de aturarmos o speaker oficial do evento durante mais um bom bocado a dizer baboseiras, lá começamos finalmente a pedalar.
Que era para isso que lá tínhamos ido. Mas não esquecendo o almoço…
O início do percurso era igual à do ano passado, com uma incursão na zona das muralhas do Castelo, com engarrafamentos e algumas quedas.
Depois em vez de seguirmos em plano para a zona da Lagoa, seguimos para uns montes onde no ano passado tínhamos passado em sentido inverso.
Na fase inicial fui relativamente devagar, para ver se conseguia aquecer convenientemente para a segunda metade da prova e porque estava com receio da distância que tínhamos de percorrer. A falta de treino leva a isso.
Perto dos 15 km’s comecei a ver o José Carlos, e motivado por isso acelerei o ritmo para o apanhar.
Nesta fase o percurso tinha algumas partes comuns à do ano passado, mas em sentido inverso, tendo sido mantidos alguns singletracks e uma parte plana mesmo junto à Lagoa que é bastante porreira.
A perseguição ao José Carlos e o aumento de ritmo acabou por ser estranho, pois as pernas diziam-me uma coisa e o pulsómetro outra.
Veríamos mais adiante quem tinha razão.
Eu na fase inicial da prova
Depois de apanhar o José Carlos, perto do 1º abastecimento, segui sozinho pois continuei a andar forte, pois sentia-me bem fisicamente.
Esse facto terá sido mais um erro, pois devia ter arranjado uma boa roda para gerir esforço.
Na aproximação a Óbidos consegui apanhar um pequeno grupo, mas que não durou muito, pois a maior parte do pessoal ia para os 40 km’s.
Perto da separação passou por mim o Nuno Gomes.
Não o futebolista, que duvido que consiga pedalar no mato, mas sim o bttista de Abrantes. Ele que, desde a Rota dos Bandos é uma referência para nós.
Pensei que não podia estar a andar muito mal, para apenas ser ultrapassado por ele perto dos 40 km’s.
O Grande José Carlos. Quando for grande quero ser como ele...
Após a separação, segui novamente sozinho, até ao 2º abastecimento, onde parei para reabastecer o depósito, dado que já estava a ficar calor e o mais difícil estava a chegar.
A chegada ao 2º abastecimento foi inovadora, pois circulávamos um bocado dentro de uma levada de água de uma quinta e depois de passarmos por baixo da estrada nacional tínhamos de fazer uma escalada de 2 metros com a bike.
Infelizmente não tinha levado o equipamento…que jeito teria dado nos km’s seguintes.
No abastecimento o José Carlos apanhou-me e seguimos juntos.
Dado que estava a sentir-me bem, saí que nem um maluco, numa subida com cerca de 2 km’s e uma inclinação bastante razoável.
Essa subida marcava a entrada na parte mais difícil do percurso, dado que grande parte do acumulado era feito em cerca de 20 km’s.
Na segunda subida, desta vez com uma inclinação maior que a anterior, tive de desmontar e seguir a pé.
Então percebi que o pulsómetro tinha ganho.
Nuno Lima, que teve uma boa prestação nesta maratona
Esta parte do percurso foi realmente duríssima, com subidas bastante inclinadas, algumas com areia a ajudar à festa.
Acho que não me lembro de ter feito tanto pedestre nos últimos anos. Nem no Geo-Raid eu desmontei.
Nalgumas alturas fiquei um bocado envergonhado, pois o objectivo de fazer btt é andar montado na bike e não a pé. Ainda para mais um gajo de Mação não desmonta nas subidas, é sinal de fraqueza.
O que me safava é que o resto do pessoal também desmontava.
A compensar estiveram algumas descidas muito porreiras, uma delas em singletrack no meio de uma vinha, que deu para curtir e sempre com aquela sensação de quando é que vou cair, por isso é melhor escolher bem o local de aterragem.
De referir que a organização fez nesta parte uma maldade aos participantes (pelo menos a mim, que já estava nas lonas).
Numa das partes do percurso circulávamos junto à albufeira de uma barragem perto de Óbidos, dando para ver o pessoal a passar junto ao paredão da barragem.
No entanto quando estávamos quase mesmo a chegar ao paredão, o percurso virava para o outro lado, com mais umas subidas tramadas. Terrível…
Ainda demorei praticamente meia hora a chegar à tão desejada barragem, onde estava o 3º abastecimento.
Resolvi parar para descansar um pouco, pois já estava completamente de rastos.
O José Carlos, com toda a sua experiência, tinha-se poupado para superar esta parte da prova sem grandes problemas, pelo que passou por mim parecia um foguete.
O Tiago, sempre a queixar-se, mas a andar sempre fortíssimo
Retomei a competição, seguindo a sofrer numa subida para a zona de Gaeiras e a ser ultrapassado por imenso pessoal, pois já era bastante penoso para mim pedalar.
Em Gaeiras tivemos mais um singletrack, nada técnico, mas extenso, num pinhal e que deu para compensar a hecatombe física.
O que me valeu foi que os últimos 20 km’s eram novamente mais planos, com algumas subidas e descidas relativamente suaves.
Esta parte do percurso alternava partes espectaculares, com singletracks no meio da vegetação, com outras onde parecíamos que estávamos numa prova de estrada (ainda pensei que o Moita Flores teria sido autarca por aqui antes de ter ido para Santarém).
O final este ano era novamente no Castelo, mas quando cheguei já se tinha ido toda a gente embora, pelo que só lá estava o pessoal da organização à espera do resto dos participantes que faltavam chegar.
Este será o único comentário, subtil, à minha fraquíssima classificação.
Estava com expectativa quanto ao almoço, sendo que o espaço onde decorreu denotou preocupação em melhorar face ao ano anterior. Era de facto um local bastante agradável.
O conteúdo do almoço foi, no meu caso, bastante melhor que no ano anterior, mas não era difícil fazer melhor.
Contudo o pessoal que lá chegou antes de mim (quase toda a gente) ainda teve direito a um almoço melhor que o meu.Associado a isso, o facto de ter estado bastante tempo na fila, ao sol, depois de fazer 80 km’s de bike, deixou-me um bocado agastado, até porque paguei o mesmo que os outros.
Ao que parece a organização voltou a ter problemas logísticos com os almoços, o que foi mau para eles, pois era algo a que as pessoas estariam atentas.
Se a coisa correu bem com a generalidade dos participantes, comigo não posso dizer o mesmo.
É pena que uma maratona destas, que tem percursos porreiros, com passagem nalgumas zonas espectaculares e bastante bonitas, que está bem organizada, tenha constantemente problemas em termos de almoço.
Provavelmente no próximo ano devo ficar por casa, onde também há estradões e agora alguns singletracks, e onde sei que a comida é de qualidade e onde a probabilidade de ter surpresas negativas é menor.
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Parabéns Ricardo Marinheiro




quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Troféu Norte Alentejano - Chança - 30 de Agosto de 2009
Foi no fim-de-semana que passou que o BTZ Mação se estreou em “competições” de XC. Reparem no facto histórico de a crónica estar a ser escrita apenas 4 dias após a realização do evento.
Há algum tempo que a ideia havia sido lançada pelo “Chefe” Silva, pelo que após alguns avanços e recuos, finalmente concretizámos o projecto de participar no Troféu Norte Alentejano.
No entanto a concretização resumiu-se a apenas 2 elementos: eu e o Silva, o resto do pessoal ficou em casa.
Chegámos cedo a Chança, contrariando a habitual tendência para chegar atrasados a todo o lado. Isso permitiu-nos tratar rapidamente das formalidades (confirmação da inscrição e levantamento do dorsal) e sem confusões.
Recebemos como “brinde” um polar, que naquele dia não daria jeito nenhum (pois o calor já se começava a fazer sentir), mas que no Inverno vai ser útil.
Depois fomos fazer o aquecimento e reconhecimento do percurso, o que se veio a revelar bastante importante, pois permitiu-nos conhecer os locais mais complicados da prova, e de ver qual a melhor abordagem para os superar.
O percurso era, na minha opinião, tecnicamente bastante fácil.
Tinha apenas 2 zonas um pouco mais complicadas e que em prova gerariam problemas, devido à aglomeração de pessoal. Eram 2 subidas, uma logo ao início com alguma pedra e outra mesmo no final, em que passávamos no leito de uma ribeira seca com alguma pedra.
Em termos de altimetria, era um sobe e desce constante, com poucas zonas totalmente planas. No entanto as subidas e descidas não eram muito pronunciadas, o que permitia manter um andamento forte (dentro das limitações de cada um).
Após um atraso que pode ser considerado significativo, motivado pelo pessoal que habitualmente chega tarde, lá foi feita a chamada para a partida, que desta vez foi feita por escalões, com cerca de 30 segundos de intervalo.O ano passado ao que parece as partidas eram feitas com todos os escalões ao mesmo tempo.
Tudo correu bem e parece-me que a alteração foi bastante positiva, com excepção de os comissários da Associação de Ciclismo de Santarém se terem esquecido de fazer a chamada do escalão júnior.
Para o pessoal desse escalão não teve piada nenhuma, mas demonstra o espírito desta “competição”.
A partida foi feita no centro da povoação, pelo que tivemos de percorrer cerca de 600 metros em alcatrão até entrar no trilho.
Essa ligação foi feita a fundo, pois as partidas ali são à morte. Mas não são apenas as partidas.
Tentei passar algum pessoal logo na partida, o que consegui, mas à entrada do trilho as coisas ficaram mais complicadas, pois era muita gente a querer passar no mesmo sítio ao mesmo tempo.
No início da primeira subida estava o Silva parado, às voltas com o pedaleiro, pois a corrente tinha saído. Fiquei preocupado, pois se o nosso “chefe de fila” estava com problemas, a performance da equipa poderia ficar comprometida (que eu estava fraquinho).
Depois na primeira zona técnica, tive de desmontar, pois algum pessoal que circulava à minha frente desmontou. Pouco depois passou o Silva por mim, fortíssimo.
O pó, devido ao grande aglomerado de pessoal era o maior problema nas descidas, dado que a visibilidade nalgumas zonas era um bocado reduzida.
Na subida mais longa, com cerca de 300 metros, tentei forçar um bocado o andamento para passar mais algum pessoal e tenta ganhar uma boa posição para a descida que se seguiria.
Depois do abastecimento líquido proporcionado pela organização, começava a tal descida, que permitia várias trajectórias, mas em que algumas incluíam umas pedras um bocado perigosas.
No final da descida passávamos ao lado de uma charca e numa pequeníssima descida que nos permitia ganhar velocidade para fazer um salto porreiro.
A seguir a esse salto era quase sempre a abrir, com uma pequena subida e um estradão plano até entrarmos numa nova descida, que no final tinha mais um salto.
Seguíamos num bocado plano no meio de muros (a fazer lembrar Marvão) e depois nova descida para a tal Ribeira.
A descida era porreira e a subida final começava com umas pedras que aparentemente deram que fazer a muita gente, pois muitos desmontavam. Na primeira volta também desmontei, devido ao resto do pessoal (como provam as fotos). Na segunda volta já consegui fazer aquela parte montado na bike, mas o fotógrafo já não estava lá (azar!!).
Depois era sempre a subir até à meta, onde passei algum pessoal.
Na segunda volta mantive a minha posição relativa, pois não fui ultrapassado por muito pessoal, mas também não ultrapassei muita gente, e mantive o ritmo da 1ª volta.
Quando cheguei ao final pensei, que afinal era bom serem apenas 2 voltas, que aquele ritmo não aguentava outra volta.
O Silva em termos classificativos esteve bastante bem, dado que alcançou o 10º lugar na nossa classe.
Assim vale a pena...
Eu tive uma prestação mais modesta, com a 22ª posição, que já não foi nada má, dada a minha completa desadaptação a este tipo de prova.
Após a prova ainda fizemos uma volta de alcatrão para retorno à calma que teve como momento alto uma paragem junto a uma figueira para reabastecimento.
Desta forma evitámos a confusão na zona de banhos, pois apenas existiam 2 chuveiros disponíveis.
Ainda vimos a partida dos federados, que na fase inicial iam mesmo muito fortes, mas nas voltas seguintes verificámos que já iam mais devagar.
Penso que o calor que se fazia sentir deve ter contribuído para isso, para mais os atrasos nas partidas levaram a que a os federados tivessem o privilégio de competir à hora de maior calor.
Como o feedback que tínhamos dos almoços do ano passado era negativo optámos por não almoçar em Chança. É que em Mação já sabíamos com o que contar.
A 13 de Setembro haverá mais uma prova do Troféu Norte Alentejano, onde esperamos estar presentes, e desta vez com uma participação mais representativa do BTZ Mação.
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Nocturno Mação Total - 27 de Junho
A partir de agora férias…
Uma vez mais o Sr. Victor (o mais recente reforço do BTZ Mação) e a Associação de Chão de Codes resolveram inovar no panorama do BTT em Mação.
Este ano optaram por abandonar o formato do Duatlo Radical do Bando e organizar o primeiro passeio de btt nocturno em Mação, integrado no Mação Total 2009.
A convite da organização, o BTZ foi participou neste evento através da presença de 2 guias (eu e Filipe), um reforço (Sr. Victor) e mais 2 atletas (Anita e Eduardo).
O percurso seleccionado, com cerca de 40 km’s, incluía uma fase inicial de 9 km’s em alcatrão entre Mação e Chão de Codes, ainda de dia, onde se iniciaria a subida ao Bando de Codes.
A subida tinha algumas diferenças face ao que foi efectuado em Abril, aquando da Rota da Água e era mesmo inédita nalgumas partes, o que permitiu conhecer mais alguns trilhos e ver alguns tralhos, de pessoal mais afoito que achava que andar de noite é a mesma coisa que de dia.
Na subida começou a anoitecer, pelo que quando chegámos praticamente ao final da subida, onde se situava estava o abastecimento já era noite cerrada.
Eu e o Eduardo na longa subida ao Bando de Codes
Uma vez mais Chamusco, que nunca é demais destacar, desta vez a brilhar nas subidas
S. Vítor em plena subida
Filipe fortíssimo nas subidas
Depois do abastecimento seguia-se a descida até ao Pereiro. O início foi bastante complicado, dado que a descida tem ainda bastante pedra solta, que dificultava a tarefa dos participantes, principalmente para quem tinha piores luzes.
Chefe de Fila a chegar ao abastecimento no alto do Bando de Codes
Anita, acompanhada por 2 vultos sinistros, no baptismo que representa subir um dos Bandos de Btt
Aspecto da zona de abastecimento
Aspecto do abastecimento propriamente dito, com o Sr. Vítor a aproveitar para por a conversa em dia
2 dos guias BTZ do passeio: Sr. Vítor e eu
Após algumas paragens para agrupamento do grupo, seguimos para o Pereiro e depois para as Casas da Ribeira onde subimos por alcatrão para o Alto da Caldeirinha. Aqui resolvi fazer algum corta-mato, pelo que chegámos à zona do Vale Rato antes do grupo da frente.
Na subida para a zona do recinto da Feira deu-se o reagrupamento pelo que chegámos todos juntos ao final.
Sr. Vítor na chegada ao final
Após o merecido banho, tivemos o jantar em São Miguel com porco no espeto para todos…
Aí está ele, o jantar...
Com esta crónica chega do fim o relato de algumas das actividades do BTZ Mação efectuadas antes do Verão.
Momento do dia/noite:
Depois dos bidons, das garrafas e do Camelbak, verificámos a estreia em Mação do novo sistema de hidratação de atletas: Sagresbak.
Este sistema ainda vai dar que falar... eu já encomendei um...
Após o merecido período de férias, voltaremos (para a semana)...
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Geo-Raid – 20 e 21 de Junho - Serra da Estrela
Preliminares:
Uma semana depois das 24H e em vez de ficar a descansar, resolvi aceitar o desafio do José Carlos para fazer companhia ao Sérgio e Zé Pereira. Pelo menos fora da prova, que aí não os veríamos de certeza.
Os preparativos para a prova apenas abarcaram a parte nutricional, uma vez mais com a supervisão do João Almeida, pois ao nível do treino específico não havia nada a fazer.
A ideia de participar no Geo-Raid há muito tempo que havia sido lançada pelo João Almeida, que é um “fanático” das provas de resistência, mas por dificuldades de agenda não tinha ainda sido concretizada. No entanto, e devido uma vez mais a problemas de disponibilidade, fiz equipa com o José Carlos.
Dia 1 Sábado: o dia da adopção
Na véspera durante o briefing ficámos a saber que a etapa seria encurtada em cerca de 20 km’s (tendo sido retirada a parte entre Jogo da Bola e Linhares da Beira) devido essencialmente ao calor que se faria sentir.
Desse briefing também recordo a afirmação do António Malvar, com aquela boa-disposição que o caracteriza, que aquela era uma prova de gps. Esse comentário motivou um gracejo de contentamento de um participante, pois no dia seguinte não necessitava de pedalar, dado que gps faria tudo.
Dado que o meu companheiro de equipa já tem alguma idade, se bem que não se note muito quando chega à hora de pedalar, partimos mais cedo que a generalidade dos participantes, devido ao sistema de bonificação pela idade. Houve alguns participantes que argumentaram que seria mais justo um sistema de bonificação tendo em conta o peso e não a idade.

Os primeiros km’s foram em alcatrão, a subir das Penhas da Saúde para Piornos, no entanto antes de lá chegarmos entrávamos finalmente em trilho. A partir dali a tendência seria descendente, desde a Malhada Alta até Gavião e depois até à zona de Manteigas (São Gabriel).
O terreno ao início era complicado dado que tinha imensa pedra solta e não só, que dificultava a progressão e que me fez desmontar um bom par de vezes, devido a algumas zonas mais técnicas em que preferi não arriscar uma queda que comprometesse o fim-de-semana.
Nesta fase começaram a passar por nós algumas equipas que já levavam um andamento bastante razoável, pelo menos a descer.

A descida da zona do Gavião até São Gabriel foi espectacular, uma das mais porreiras que fiz nos últimos tempos, com vários cotovelos de 180 graus a obrigar a ter alguma atenção ao que íamos a fazer e sempre dentro de floresta.

No final da descida, vinha a habitual subida, para a zona da Mata de São Lourenço, com cerca de 6 km’s.
Nesta parte do percurso começamos a ser ultrapassados pelo grande pelotão que agrupava as equipas que haviam partido sem bonificação. O meu ritmo era como de costume relativamente baixo face à concorrência.
Algumas vezes o José Carlos seguia na roda daquele pessoal, mas quando olhava para trás e via que eu não conseguia seguir com eles, baixava o ritmo e esperava por mim.
Tive pena de ainda estar bastante desgastado das 24H e desta forma não conseguir ser um bom companheiro de equipa para o José Carlos, que merecia bastante melhor.
Esta subida custou-me imenso, o que me deixava apreensivo para o que ainda faltava daquele dia e do seguinte.
Na zona do Covão da Ponte, conseguimos rolar mais próximo do grande pelotão, dado que tínhamos entrado numa fase a descer, para o Rio Mondego, embora o pó fosse muito e dificultasse a visibilidade mesmo com óculos.
Tal como o Chamusco o meu forte era a descer, pelo que aproveitava sempre para reduzir a diferença para o resto da concorrência (qualquer que ela fosse).
Numa dessas descidas, ao km 34, já muito perto da Senhora do Assedasse, o José Carlos deu uma queda bastante grande. Dado que seguia na frente dele, não me apercebi, mas estranhei à entrada de uma pequena subida que ele demorasse tanto tempo a apanhar-me.
Depois outro participante disse que ele tinha caído, pelo que voltei para trás para ver como ele se encontrava. O panorama que encontrei não era muito famoso, dado que ele tinha caído devido a um rego que existia bem no meio do estradão, mas que se encontrava coberto de erva e dessa forma não era visível.

Senti-me um bocado responsável pela queda dele, pois o facto de forçar um bocado nas descidas levava a que ele tivesse de arriscar um bocado mais do que seria normal.
Apesar da teimosia do José Carlos em continuar, era evidente que ele não tinha hipótese de o fazer, dado que tinha caído sobre o ombro direito e era bem provável que tivesse algum problema relacionado com a clavícula.
Felizmente estavam por perto umas pessoas que se encontravam a dar apoio às equipas da Tangerina (a quem gostava de agradecer) que se prontificaram em levar o José Carlos até à organização para que pudesse ser direccionado para o hospital mais próximo.
A nossa participação no Geo-Raid como equipa tinha chegado ao fim, mas incitado também por ele resolvi seguir sozinho, apesar de não contar para nada. Não gosto de deixar as coisas a meio.
Os km’s seguintes foram bastante complicados, pois continuava a ter bastante dificuldade nas subidas e não conseguia encontrar o meu ritmo.
Já perto do Jogo da Bola encontrei um grupo de 3 participantes, que estava parado na berma do estradão.
Dois estavam em equipa, e o 3º elemento estava na mesma situação que eu.
Eles fizeram questão que seguisse com eles, pois em grupo era mais fácil fazer a prova que a solo, até porque o calor começava a apertar.
De certa forma o Nuno Rama e o Rui Fonseca acabaram por adoptar mais dois participantes para a equipa deles, eu e o Ricardo Santos.

Na passagem do Jogo da Bola parámos para reabastecer de água que a organização disponibilizava e seguimos para aquele que era o momento que eu mais temia, a subida à Santinha.
Até à entrada da subida para a Santinha seguimos num ritmo calmo, com uma paragem para reabastecimento alimentar, a admirar a paisagem que podíamos vislumbrar para a zona do Folgosinho e a conversar um pouco, pois convém que os pais adoptivos conheçam melhor os filhos.
A Santinha é uma subida apenas acessível por trilho, com perto de 4 km’s terríveis.
O início é feito numa zona florestal com bastante sombra, e piso regular. Depois de passarmos numa pequena fonte, com água sempre fresca (para não dizer gelada) o terreno começa a degradar-se com o efeito da água das chuvas a tornar o piso bastante irregular, com regos bastante profundos e uma inclinação que não facilita nada. Como conhecia esta subida da Rota das Aldeias Históricas segui num ritmo calmo, mas ainda assim no grupo em que ia não ia muito pessoal à minha frente. Na parte final da subida, perto dos 1600 metros de altitude o terreno fica inóspito, sem qualquer vegetação, pelo que o sol começou a fazer dano, pois estava um calor terrível.

Na Santinha só existia uma sombra, que foi rapidamente tomada de assalto pelo pessoal que resolvia parar para recuperar o fôlego e ver a paisagem que é belíssima.
Aproveitei, juntamente com o Ricardo, para comer e beber qualquer coisa, enquanto esperávamos pelo pais Nuno e Rui.
A cumeada da Santinha é espectacular, dado que circulamos num estradão largo, com umas descidas com pedra solta mas rápidas, que permitem ganhar velocidade.
Junto à estrada das Penhas Douradas para Seia, apanhámos outro estradão, com algumas partes bastante difíceis (pela inclinação de algumas subidas) que nos haveria de levar à estrada para a Observatório das Penhas Douradas.

No Observatório começámos a descida para Manteigas, num estradão espectacular, uma vez mais com floresta, muito pó, e cotovelos consecutivos de 180 graus.
Depois de cruzarmos a estrada de alcatrão a descida era em calçada, simplesmente brutal, pela velocidade e inclinação.

A chegada a Manteigas só significava uma coisa, faltavam 15 km’s para o final, e quase sempre a subir. Esta subida já era minha conhecida, pois em Abril havíamos feito uma incursão nesta zona, mas em alcatrão.
Nesta fase a temperatura rondava os 40 graus centígrados, pois o Vale Glaciar parecia um gigantesco forno. No início da subida, em estradão do lado contrário da estrada alcatroada, seguimos juntamente com mais pessoal que ia também de rastos como nós, sendo que sempre que víamos uma sombra aproveitávamos para parar um pouco e agrupar o grupo.

Já relativamente perto da passagem para o alcatrão, ao olhar para trás, comecei a ver o Ricardo Melo (vencedor das 24H) a subir a grande velocidade e pensei que ele ia fortíssimo. Uns metros mais adiante voltei a olhar para trás e ele já estava quase a ultrapassar-me. Lembro-me de ter pensado que a mulher dele (com quem ele faz equipa) não podia ir naquele ritmo infernal (dado que tinha passado por eles na subida da Santinha). A explicação veio logo a seguir, pois ao passarem por mim fortíssimos, verifiquei a existência de um elástico preso do selim dele para o guiador da bike dela. Segui uns 500 metros na roda deles, e a pensar que não seria melhor perguntar se havia espaço para mais um.
Mas pela cara de chateado que ele levava, achei melhor ficar calado e esperar pelos meus pais adoptivos.
Antes de passarmos para o alcatrão existia uma piscina natural no Zêzere, onde estava pessoal a tomar banho, ainda ficámos naquela do vamos ao banho ou não. Mas como grandes atletas que somos, prosseguimos a pedalar, pois não estávamos no triatlo.
A parte de alcatrão não foi mais fácil, pois o calor não dava tréguas, pelo que aproveitámos todas as pequenas fontes de água para nos refrescarmos.
Já perto do final o José Carlos passou por mim, não montado na bike, mas sim numa viatura da organização, e ainda deu um incentivo.
Após a Fonte da Jonja fomos brindados pela visita de moscas, que eram chatas como o caraças e que ainda dificultavam mais a progressão. A única coisa que nos servia de consolação era o facto de estarmos muito perto do fim da primeira etapa.
A chegada a Piornos marcou o final das dificuldades daquele dia, pois agora era sempre a descer até às Penhas da Saúde.
O final da etapa foi para mim um momento de grande felicidade, porque:
- foi o final do suplício;
- permitiu-me inteirar sobre o estado do José Carlos (que felizmente não era tão grave quanto se supunha);
- permitiu-me resolver um mistério que me intrigava, dado que o Sérgio e o Zé Pereira não tinham passado por mim, devido a terem-se perdido numa zona onde o percurso dos dois dias se cruzava;
- pude finalmente descansar.
Dia 2 Domingo: a tortura nunca mais acaba……
Neste segundo dia de prova ganhei mais algum conhecimento sobre o que significa masoquismo.
Apesar do convite dos meus pais adoptivos, no 2º dia fiz a prova com o Sérgio e o Zé Pereira, pois eles também já estavam fora da competição, porque necessitavam de um “guia espiritual” para não se perderem, porque pedalávamos em grupo, o que é importante neste tipo de prova.
Tive pena de não seguir com o Nuno, o Rui e o Ricardo, mas para ficar com uns amigos temos de prescindir da companhia de outras.
Desta vez resolvemos inovar pelo que fomos os últimos a partir, o que nos permitiu circular com a bike vassoura durante os primeiros km’s de prova.
Depois de descermos na direcção da Covilhã em alcatrão, cortámos para o trilho junto às curvas que nos levam ao Sanatório.
A descida até à zona da Pedra da Mesa foi porreira, com bastante pedra solta. Depois fomos sempre a meia encosta, ou a descer suavemente até à zona do parque de campismo, onde cruzámos a estrada e seguimos pela zona das Sete Fontes, sempre a descer para a Aldeia do Carvalho.
A partir desta aldeia é que começaram as dificuldades, pois iniciámos uma subida em alcatrão, que depois passou a trilho que parecia interminável.
Foram cerca de 7 km’s até ao Caramouço Cimeiro, onde começamos a longa descida até Verdelhos. Esta descida parecia as de Mação com estradões largos e com bom piso, onde era possível ir sempre a abrir.

Uma das descidas do dia
Em Verdelhos seguimos para a Contenda, com uma subida curta mais chata e depois nova descida para Vale da Amoreira.
Nesta aldeia começamos uma escalada de 11 km’s, felizmente quase sempre com um declive não muito acentuado, tirando alguns troços mais chatos.
Esta subida foi impressionante, dado que a determinada altura voltávamos a ver Vale da Amoreira perdida no fundo do vale, enquanto nós seguíamos já a uma altitude bastante significativa. Felizmente esta parte era sempre em floresta, o que nos resguardava do sol. Aqui parecia estar naquela onda do recordar é viver, pois aqual zona só me fazia lembrar a minha infância em Mação, com os pinhais, estradões e calor.

A subida para Quinta do Fragusto. Mesmo a fazer lembrar Mação
O Zé Pereira e o Sérgio apanharam uma seca do caraças nesta etapa, dado que eles têm um andamento bastante superior ao meu, e no dia anterior acabaram por não fazer a etapa completa, pelo que tinham de estar quase sempre á minha espera. Excepto nas descidas, que era onde eu estava fortíssimo.Depois da Quinta do Fragusto entrámos numa zona de planalto, onde seguimos durante alguns km’s novamente em floresta, uma vez mais a fazer lembrar Mação.

Assim vale a pena...
Um pouco mais à frente encontrei a minha família adoptiva, pois o Nuno, o Rui e o Ricardo seguiam de forma tranquila. Apesar disso ainda demorei bastante tempo desde que os comecei a ver até apanhá-los.
Nesta parte do percurso começamos a longa descida até São Gabriel (na zona de Manteigas). Esta descida tinha uma primeira parte em estradão onde se atingiam velocidades vertiginosas e depois entrávamos na mata de São Lourenço.

A Mata de São Lourenço
Esta parte foi espectacular, pois seguíamos num bosque denso, com o chão cheio de folhas das árvores. Aqui ainda nos conseguimos perder, pois dois caminhos seguiam paralelos a meia encosta, separados por 20 metros. Depois de voltarmos ao trilho correcto, foi sempre a descer até São Gabriel. Esta parte foi muito mais fácil que no dia anterior, que foi feita em sentido inverso.
Em São Gabriel parámos para abastecer de água e começar a longa ascensão final.

A subida final...
O início desta subida final em Leandres era terrível, primeiro em alcatrão e depois em trilho (praticamente singletrack), felizmente era à sombra.
Esta subida foi inesquecível, e só me lembrava de 2 coisas:
- do Venceslau Fernandes a gritar para a filha: Vai Vanessa, Vai Vanessa, agora é sofrer até ao fim…
- que pena não fazer esta subida em boa forma, para poder desfrutar da dureza do percurso.

Mais uma foto da subida final
Nesta parte só pensava que daria imenso jeito que esta prova fosse mesmo de gps, pois pedalar era bastante penoso para mim. Em vez disso o gps parecia indicar sempre os mesmos km’s para o final. 15 minutos depois de ter verificado a distância para o final apenas tinha andado uns 300 ou 400 metros. Terrível.
Este 2º dia acabou por ser o mais complicado, pois a quilometragem acabou por ser semelhante à do 1º dia, pelo desnível acumulado que foi superior, pelo desgaste acumulado e pelo calor que continuava a apertar.
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Aqui já a coisa era mais fácil
Para facilitar um pouco a subida, perto do Poço do Inferno, o piso era agora de alcatrão, mas que se acabou junto da Mata das Teixeiras.
Esta zona tinha um nome curioso, pois a partir daqui não havia vegetação, só desolação, o sol e um piso com imensa areia solta que dificultava a progressão.

A subida praticamente acabava na zona do Alto da Portela, onde apanhávamos um estradão que nos levaria para a Malhada Alta. Nesta parte a subida era bastante mais suave.
Até Piornos ainda subimos mais um pouco, e depois fomos, tal como na véspera, novamente atacados pelas moscas, que eram incomodativas como o c######.
Finalmente foi descer até Penhas da Saúde, tirar os sapatos de encaixe, comer qualquer coisa e DESCANSAR AT LAST!!!!!
Pouco tempo depois chegava a minha família adoptiva, mesmo sob o fecho do controlo, pelo que o Nuno e o Rui vão para a Lousã lutar pelo Jersey de finishers do Geo-raid, que bem merecem.
Balanço Final, agradecimentos, etc…
Desta vez começo pelos agradecimentos que são já um hábito destas crónicas.
O primeiro agradecimento vai para o José Carlos, pelo convite e pelo desafio que me lançou. Tive pena de não ter correspondido às expectativas que foram depositadas em mim e de ter sido um verdadeiro quebra-ritmo para ele. Infelizmente esta participação foi marcada pela queda que ele deu. Felizmente foi menos grave do que se suponha.
O segundo agradecimento é para o Tiago Nunes que me emprestou o GPS para que pudesse participar nesta prova e para o João Almeida pelo aconselhamento técnico e nutricional.
Depois os agradecimentos ao pessoal da prova.
Aos elementos da equipa Tangerina que apoiaram o José Carlos logo após a queda e que me permitiram continuar em prova.
Ao Sérgio e ao Zé Pereira, por terem feito babysitting no 2º dia de prova, pois apesar de terem um andamento muito forte, foram sempre a fazer-me companhia, tentando atenuar as minhas dificuldades. Não tenho palavras para descrever o meu agradecimento, pois nas subidas mais complicadas vocês foram muito importantes em eu ter conseguido chegar ao final.
Finalmente o agradecimento aos pais adoptivos Rui e Nuno e ao irmão Ricardo, que no primeiro dia de forma totalmente desinteressada me apoiaram e me ajudaram a superar as dificuldades. Sem eles também provavelmente não teria chegado ao final.
Gosto de pensar que também eu os ajudei a superar os seus limites e a cumprir a etapa. Foi esse espírito de entreajuda que mais me impressionou neles e que também passou para mim e para o Ricardo.
Eles têm a minha profunda admiração e espero que consigam o tão ambicionado Jersey de Finisher em Outubro.
O balanço final desta participação no Geo-Raid não pode ser considerado positivo, pois devido à minha fraca condição física, tornou-se bastante penoso lidar com o desgaste acumulado das 24H e dos dois dias de prova.
Mas o maior problema acabou por ser a queda do José Carlos.
No entanto há aspectos bastante positivos desta participação.
O primeiro é o facto de ter feito mais alguns amigos, que têm o verdadeiro espírito do btt.
O segundo é o de ter conseguido completar as duas etapas (se bem que com algumas, para não dizer muitas, dificuldades).
O terceiro aspecto a destacar é o de ter conhecido de forma bastante mais profunda a Serra da Estrela. Pudemos passar em locais, e ver paisagens fabulosas, que de outra forma dificilmente poderíamos conhecer. A Serra da Estrela é muito mais do que as Penhas da Saúde, a Torre, etc, tem outros locais menos conhecidos mas espectaculares, seja para fazer btt, seja para outras actividades relacionadas com o turismo de aventura.
Quando se faz o balanço do Geo-raid temos de ter em atenção que o valor da inscrição é elevado para aquilo que nos é proporcionado em termos materiais (quando comparado com outras maratonas e não inclui alojamento e alimentação), mas é largamente compensado pela componente imaterial, pois não nos podemos esquecer da componente de partilha de espaços e locais que a organização nos proporciona.
Penso que este tipo de prova é a essência do BTT, o partir à descoberta de novos trilhos em zonas espectaculares, partilhar com os amigos essa descoberta.