domingo, 17 de maio de 2009

24H BTT Coruche - 7 de Março de 2008

9 meses depois da primeira prova de 24H, voltei a fazer uma prova deste tipo.
A convite do José Carlos, voltámos a reeditar a equipa de Monsanto (sem segundos sentidos) juntamente com o Sérgio e o José Pereira.
O pessoal de Santarém (Nuno Lima, João Almeida, Tiago Nunes, João Nunes e Miguel Rato) também fez uma equipa de 6 elementos que esteve em grande.
O infiltrado na equipa de Santarém (eu, o Miguel Rato, Nuno Lima e João Nunes)
Após as formalidades habituais com os dorsais e a montagem das tendas para a noite, foi tempo de preparar as bikes para fazer o reconhecimento ao percurso.

Antes disso o Zé Carlos foi entrevistado pela SportTV.
Se calhar estavam à espera que déssemos nas vistas.
José Carlos a sair da Praça de Touros, com uma garra impressionante. Só faltava ser levado em ombros.
O reconhecimento dos 8 km’s foi feito em ritmo bastante calmo, mas deu logo para ver algumas das especificidades que o Tiago Nunes me tinha indicado.
Duas das descidas eram brutais, XC puro. Havia dois locais onde era necessário fazer pedestre, uma subida em calçada muito porreira e um singletrack de alto nível. Mas já lá vamos.

José Pereira no 1º singletrack, dá para ficar com uma ideia da espectacularidade do trilho

A partida prevista para 12h acabou por ser adiada para as 14h, reflectindo a inexperiência da organização neste tipo de eventos.
Felizmente consegui convencer o José Carlos a ser o 2º a ir para a pista, logo a seguir ao Sérgio.
A estratégia passava por fazer 2 voltas em cada turno de condução, pois as voltas eram relativamente curtas (um pouco abaixo dos 30 minutos, para os bttistas mortais).

Nuno Lima no início de mais uma volta

Assim já perto das 15h fiz as minhas 2 primeiras voltas, sempre ao ritmo máximo, que no meu caso é relativamente devagar, quando comparado com os campeões da minha equipa.
Nestes primeiros turnos guardo na memória a subida da calçada que era feita sempre a fundo, mas com o piso um bocado molhado, o que dificultava a aderência e de ver o Vítor Gamito sentado a ver o pessoal a passar.
José Pereira na subida em calçada

Depois de mim entraram em prova o José Carlos e o José Pereira.

As incidências começaram já com a noite a chegar, pois o Sérgio que me antecedia, foi novamente atacado pelo Síndrome de Samora Correia, o que se traduziu numa ida para as boxes para repouso, pois não se sentia muito bem.
Nessa altura estava à conversa com o Ricardo Madeira que também participava em conjunto com o Gonçalo Linhan de Évora.


João Almeida em ritmo descontraído

As minhas primeiras voltas à noite foram uma complicação, pois faltava o hábito de lidar com a falta de iluminação.
O resultado foi uma ida ao tapete numa das descidas mais técnicas. Foi um dos momentos mais complicados da prova, pois quando me encontrava em pleno voo lembrei-me do que passei após a luxação no ombro.
Felizmente a aterragem correu bem, mas serviu de lição para não me por a curvar em zonas de areia e principalmente a descer.

O Marreta no singletrack

Das duas experiências que tive em provas de 24H, a noite acabou sempre por ser inesquecível.
Num dos turnos da noite fui apanhado logo no início da 1ª volta pela Campeã Nacional de XC Sandra Araújo. Resolvi tentar segui-la.
Nas descidas isso era uma tarefa impossível, pois nunca tinha visto uma mulher a voar daquela maneira e ainda por cima à noite. Gostava de ter visto o Lima ou o Tiago a descer na roda dela, ou ao contrário.
Nessa fase de perseguição, num dos singletracks a descer (junto ao Hotel), ia mandando um tralho dos diabos. O público presente, já estava a festejar a queda quando eu me consegui equilibrar e evitar a queda. À desilusão do público respondi com um simples: “Falso alarme”.
O que perdia para ela nas descidas conseguia recuperar nas subidas e no terreno plano, o que me deixou bastante surpreendido.
Havia 2 hipóteses, ou ela ia a fazer cicloturismo ou eu estava com ritmo alucinante.

A esta distância sou mais inclinado para a 1 opção, pois no final desse turno, fui à marquesa para me fazerem uma massagem nas pernas, que o ácido lácteo já começava a fazer mossa.


O Marreta a posar para a foto

O facto de a prova se disputar literalmente dentro da cidade, criou um ambiente único durante a noite, pois o público esteve sempre presente na principal descida do percurso. É Impressionante passar lá às 3 da manhã e ter o pessoal, com fogueiras para se aquecerem, a apoiar os atletas. Simplesmente brutal e único.

Depois de mais um turno da noite (leiam-se 2 voltas de btt), voltei às massagens, pois estavam incluídas no preço da inscrição e desde a Maratona da Póvoa do Varzim de 2008 que fiquei consciente dos benefícios que as massagens proporcionam em termos de recuperação física.
Gostava de deixar aqui um agradecimento à equipa de massagens do Mário Gamito, sem eles acho que não teria conseguido terminar a prova.

Nesta 2ª incursão pelas massagens tive a companhia do João Almeida e do José Carlos.
No final da massagem o Zé Carlos estava ferrado a dormir, o que levou o outro massagista a dizer que o colega o tinha morto.
Os massagistas até já estavam a discutir a possibilidade de deixar uma manta por cima dele para que pudesse ficar a dormir descansado. Mas depois o Zé Carlos lá acordou de repente, completamente desorientado.

Com o nascer do dia, a equipa teve mais uma baixa, pois o José Carlos deu uma valente queda ao final da noite na última descida do percurso.
Com a passagem do pessoal tinha-se aberto uma cratera logo a seguir a um drop.
A organização deveria ter colocado lá alguém com iluminação para que se pudesse evitar as quedas.

Ao nascer do dia, o Tiago Nunes passou-me no decurso de mais uma volta que estava a realizar.
Tentei seguir na roda dele, mas foi tremendamente difícil, pois ele a descer era fortíssimo e no plano e a subir o desgaste já não me permitia andar a fundo.

Esta foi talvez a altura mais complicada da prova, pois ficámos reduzidos a apenas duas pessoas, o José Pereira e eu.
Felizmente o Sérgio ainda conseguiu dar uma volta para dar algum descanso ao resto da equipa.

Durante a manhã tivemos a visita do pessoal de Samora Correia, o que até deu jeito, pois furei à entrada da Praça de Touros, na passagem de um passeio.
O Brites estava à entrada com vontade de dar uma volta ao percurso e assim foi.

O Marreta no final da subida da Azinhaga das Bruxas

Já num dos últimos turnos, fui apanhado na subida da Azinhaga das Bruxas pelo Rodolfo Dias (que corre pela Bikezone Santarém), que na altura já estava em segundo lugar da classificação a solo. Ainda tentei puxar por ele para lhe dar algum ânimo, mas ele já ia muito cansado. Colado à roda dele ia o crónico primeiro classificado deste tipo de prova, o Ricardo Melo, que tinha 2 voltas de avanço.
Como nessa altura até me ia a sentir relativamente bem, resolvi fazer marcação cerrada ao duo da frente.
Nas descidas técnicas deixava-os para trás, não apenas porque não queria influenciar a decisão do vencedor, mas principalmente porque dava um gozo tremendo fazer as duas descidas a fundo.
Com a passagem dos participantes tinha-se escavado uma trajectória nas descidas, sendo que bastava colocar as rodas nesse sulco e deixar ir a bike. Para o final das 24H já nem me importava de fazer mais voltas pelo facto de poder desfrutar daquelas descidas.
No final de uma das descidas segui durante alguns metros na frente do duo da frente da prova a solo, o que levou o Rodolfo a dizer-me para seguir assim, para ter uma roda. Ainda fiz 2 voltas desta forma, mas depois passei a vez ao José Pereira e o Rodolfo resolveu encostar.

Desta vez coube-me a mim encerrar a nossa participação nas 24H.
No decurso dessa volta encontrei o Ricardo Basílio que estava a encerrar a participação da outra equipa dos Trilhos da Lezíria (composta pelo Ricardo, o Sousa, o Hélder e o Armadilhas do Ginásio). Resolvemos ir juntos até ao final, mas novamente junto à Praça de Touros voltei a furar, pelo que consegui passar a linha de meta com a bike à mão. O destaque à chegada só não foi maior, pelo facto de um gajo ter mandado um espalho mesmo à minha frente.

O Balanço final:

Em termos classificativos esta prova correu muito pior que as 24H de Monsanto, fruto das baixas que fomos tendo na equipa, mas principalmente por a organização ter agregado na mesma categoria as equipas de 4 e 6 elementos. É quase a mesma coisa que fazer uma classificação conjunta para participantes a solo e de equipas de 2. Ao que parece isso deveu-se ao facto de o valor dos prémios monetários não ser muito significativo.
O que é estranho é que durante a noite a organização tenha deixado um ponto de controlo sem vigilância, o que levou a que algumas pessoas atalhassem, poupando cerca de 1,5 km’s. Não quero acusar ninguém pois não estávamos nessa guerra, mas é estranho que não tenham sido publicados os tempos por volta dos atletas e equipas. Provavelmente seria estranho que algumas equipas tivessem tempos muito mais baixos à noite que durante o dia.

O percurso tinha alguns aspectos a rever. Nomeadamente o excesso de alcatrão (difícil de evitar por a prova se disputar dentro da cidade) e duas zonas onde era necessário desmontar pois o piso não permitia pedalar.
As subidas eram duras, quer a Azinhaga das Bruxas, quer a subida em calçada. Muitos acharam-nas excessivas para uma prova de 24H, mas era igual para todos. As subidas eram exigentes, mas se fossem feitas de forma mais tranquila não causavam tanto dano.
As descidas eram o ponto forte do circuito, com duas delas a ficarem para sempre na memória.
O singletrack junto á Escola era espectacular e muito técnico e é pena que fosse tão curto.


José Carlos fortíssimo no Singletrack da Escola de Coruche


Em termos de organização as coisas estiveram relativamente bem, não fossem as questões acima indicadas.

Esta prova de 24H marcou, infelzimente, um ponto de viragem nas minhas participações neste tipo de prova.
A próxima que disputar será a solo.

Nestas 24H tivemos o apoio do Sr. Fernando e do seu filho que nos deram uma ajuda inestimável.

Gostava finalmente de agradecer ao José Carlos, José Pereira e Sérgio pela companhia, pelo convite e pelos momentos passados em conjunto nestas duas provas de 24H.



Desculpa José Carlos, mas esta foto tinha de ser publicada. Acho que é a melhor foto de todas as 24 H.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Maratona Alpiarça - 1 de Março de 2009


Este ano a Maratona dos Águias de Alpiarça passou de Maio para Março.
Isso até acabou por ser positivo, pois assim passou a constar do calendário de preparação para o Portalegre, mas fez com que este ano não estivessem presentes algumas das estrelas do BTT Nacional, como o Marco Sousa, João Marinho e José Silva.


João Almeida na subida mais interessante do percurso

A Maratona tinha de cerca de 90km’s com um acumulado não muito significativo, adequado para a altura do ano.
O percurso mantinha a lógica de fazer duas voltas a um circuito com cerca de 40 km’s, mas tinha algumas alterações face ao passado. O meu desconhecimento de algumas das zonas onde passámos acabou por ter um impacto negativo na minha prestação.

O grupo de pessoal presente era o João Almeida, o Nuno Lima, o Tiago Nunes, o João Nunes e eu.
A partida foi feita junto à sede dos Águias de Alpiarça, seguindo depois por alcatrão até à partida efectiva, no Casalinho, quando finalmente entrámos no trilho.

O percurso por ser rápido permitia rolar rápido, sendo que rapidamente fiquei para trás em relação ao resto do pessoal, que saíram fortíssimo.

João Almeida posando para a foto

Por volta dos 20 km’s consegui apanhar os irmãos Nunes e o João Almeida, que iam num bom ritmo.
Numa das subidas mais complicadas do percurso, logo a seguir ao 1º abastecimento, passei pelo o Nuno Lima que tinha tido um furo, que o levaria mais à frente a optar por fazer apenas a Meia Maratona.
Nessa subida fiquei com o João Almeida e com um miúdo de Alpiarça, praticante de Triatlo e que apenas tem 16 anos. Seguimos juntos na zona mais plana do percurso na zona da Vale da Lama, sempre a bom ritmo.Para evitar a passagem de um areal enorme (quase que parece uma praia e feito a descer é espectacular) a organização alterou o percurso do ano anterior, passando numa subida mais fácil em termos de piso, mas com maior inclinação.
Nessa subida fiquei sozinho com o triatleta. O miúdo resolveu adoptar a postura de sombra, pois seguiu durante cerca de 30 km’s na roda.

Eu e o Triatleta, o miúdo tem futuro e não me estou a referir a mim

Na parte final do percurso resolvi tentar aumentar o ritmo, e na última subida o miúdo ficou para trás. Ele devia começar a fazer uns treinos nos Bandos.
No entanto a ligação para a zona de chegada era desconhecida para mim, pelo que cometi um erro num cruzamento, pois as marcações eram um bocado duvidosas. Como consequência fui ultrapassado por algum pessoal, incluindo o miúdo do triatlo, mas principalmente por uma miúda de 13 anos, também triatleta de Alpiarça.
Foi um bocado triste ser passado por pessoal que tem metade da minha idade, mas nota-se que eles têm treino a sério.

Em termos de classificação as coisas até nem correram mal e o João Almeida e o Tiago chegaram logo a seguir a mim. O João Nunes tinha também optado pela Meia-Maratona.

Mação - 22 de Fevereiro de 2009

Em Fevereiro voltei a Mação para mais uma volta, que seria preparatória para a Grande Volta de Páscoa que pensávamos organizar em Mação, após um desafio do João Almeida.
Estiveram presentes o Chefe de Fila, o Velhinho, o Homem do Norte e eu.
A volta incluiu passagem pelo Bando de Santos e pelo Frei João onde conhecemos uma personagem que irá dar que falar no futuro, dada a sua tenra idade.
Irão ficar para a posteridade frases como: “chamar-me escaravelho é um dos maiores elogios que me podem fazer” e especialmente “não quero ser como os gajos de Lisboa, que andam magros, só a pensar nas gajas, aqui com esta barriguinha é que é”.


O Homem do Norte numa pequena pausa

Depois passámos na Sanguinheira e Gargantada a caminho da mítica subida da Serra de Santo António.


O Velhinho apanhado num pequeno momento de repouso

Após uma ligeira paragem para observar a paisagem, junto à pequena capela, descemos vertiginosamente em direcção à Ribeira da Pracana e à aldeia da Pracana Fundeira.

Na Pracana Fundeira

Voltámos novamente a subir, desta vez para a zona da Capela, a caminho da praia fluvial do Carvoeiro.

O Chefe de Fila nas suas intermináveis paragens para reabastecimento

A volta terminou com passagem por Vale da Mua, Vale de Grou, Fadagosa e Mação, com um misto de trilho e alcatrão que já se estava a fazer tarde.

Ao longe o Bando de Santos

terça-feira, 21 de abril de 2009

Trilho dos Peregrinos - 11 de Janeiro de 2009


Ainda mal o ano tinha começado e já as jornadas épicas começaram a aparecer.
Desta vez o desafio foi colocado pelo João Almeida, que embalado pelo Tróia-Sagres feito em meados de Dezembro resolveu organizar uma ida e volta a Fátima pelo Trilho dos Peregrinos.

A ida a Fátima, tem mesmo para aqueles que não são religiosos uma carga mística.
Não sei bem porquê, mas sempre associei a ida a Fátima como uma prova de resistência física e psíquica.

O Trilho dos Peregrinos é o antigo caminho de ligação entre Lisboa e Fátima, utilizado no passado por aqueles que se deslocavam a Fátima, tal como o nome indica, em peregrinação.
Hoje em dia parte desse trajecto está asfaltado e não apenas no concelho de Santarém (pois o Moita Flores converteu-se neste último ano de mandato no Alcatroador Implacável).
Por outro lado grande parte dos peregrinos segue hoje outras rotas, não apenas mais fáceis do ponto de vista do terreno, bem como da possibilidade de terem auxílio e apoio.

O pelotão que respondeu à chamada do João Almeida foi reduzido, mas qualitativamente fortíssimo.

O grupo incluía para além do mentor da volta o Nuno Lima, o Tiago e João Nunes (Nunes Brothers), José Palma, Sérgio Silva (de Samora Correia), eu e o Jorge Dinis.
A partida ocorreu praticamente de madrugada, pois no Inverno o sol tem o terrível hábito de nascer mais tarde e o pessoal de Santarém não costuma esperar por ele para começar a pedalar.

O percurso começou verdadeiramente junto à povoação de Azóia de Baixo, onde apanhámos o track de GPS e o frio que se fazia sentir. Posso apenas dizer que pedalar com temperaturas negativas não é propriamente agradável, principalmente tendo em conta o local onde estava duas horas antes.

O trilho segue depois em direcção a Advagar, onde começaram as incidências desta aventura, pois ia havendo algumas quedas provocadas pelo gelo que se acumulou na estrada à entrada desta aldeia.
Até à zona do Arneiro das Milhariças a volta decorreu de forma tranquila, pois a maior preocupação era sobreviver ao frio e ver o efeito que a geada da noite anterior produziu nos campos.
A subida ou parede que se seguiu permitiu acabar o aquecimento, mas a vista junto aos moinhos de Chã de Cima compensou o esforço.

Nesta fase da volta começámos a ficar preocupados pelos sons que se ouviam ao longe, pois parecia que estávamos em plena Faixa de Gaza sob o fogo da artilharia de Israel. Se eram caçadores na sua habitual actividade domingueira não devem ter sobrado muitos animais de caça onde eles andavam aos tiros.

O percurso após a subida era mais fácil, pois circulámos num planalto até descermos para os Olhos de Água, onde efectuámos a primeira paragem.
Depois de reunido o pelotão, pois houve pessoal que teve de aliviar peso para as subidas que se aproximavam, veio mais uma subida, daquelas tramadas, para a aldeia de Monsanto. Nunca tinha feito esta subida em trilho, mas é espectacular, difícil e longa.

Em Monsanto subimos em alcatrão pela estrada que segue para a Serra de Santo António, mas antes dos Casais da Moreta cortamos à direita e seguimos por alcatrão para o Covão do Feto.
No Covão do Feto começou mais uma subida, para a aldeia de Serra de Santo António, que é no início muito inclinada e à qual alguns elementos tentaram escapar, com aquela desculpa do GPS apontar para outro local.

A subida depois torna-se bastante suave e fácil, embora seja longa. Esta é uma parte do percurso em que saímos do Trilho dos Peregrinos, pois este não é transitável para bikes.

Voltámos a apanhar o trilho na estrada que segue da Serra de Santo António para Minde, junto ao miradouro sobre esta última.
A descida que se segue é bastante rápida e após uma curva de 180 graus entramos num singletrack espectacular (também feito o ano passado no Raid de Minde), mas perigoso, dado que o terreno tem bastante pedra e esta encontrava-se ainda molhada.

Depois da passagem por Minde, vem a subida do Covão do Coelho, que é feita inicialmente por alcatrão, mas que a meio da aldeia passa a ser feita por trilho, com muita pedra solta, que dificulta a progressão. Para compensar parece que nunca mais acaba…

Após mais esta dificuldade, reagrupámos o pelotão e seguimos, quase sempre, em terreno plano em direcção a Fátima, passando ainda por algumas aldeias, mas que não recordo o nome.

A chegada a Fátima foi marcada pela tradicional foto no Santuário, apesar aos ciclistas ser vedada a circulação dentro do recinto.
A seguir fomos de tratar de algo mais mundano, pois estávamos com fome e o Nuno Lima tinha falado numas certas sandes de presunto.
Foi um momento aproveitado para repousar e começar a pensar no regresso, dado que houve uma certa subida na zona de Minde que começou a constar do subconsciente dos presentes.

O pelotão voltou às suas montadas e vai de pedalar de volta a Santarém.
O Jorge, no entanto, achou que o percurso já efectuado de cerca de 65 km’s era suficiente para ele pelo que optou por recorrer à assistência em viagem.
O Sérgio inicialmente também pareceu necessitar da assistência, pois sentiu-se um pouco indisposto.

A parte em trilho da descida para o Covão do Coelho e Minde foi espectacular e feita sempre a fundo, com descidas com muita pedra solta a obrigarem os presentes a ter o máximo de concentração.
Na chegada a Minde começou a subida mais mítica deste Trilho dos Peregrinos. Dado que o singletrack a descer é muito complicado de fazer a subir, optámos por seguir sempre por alcatrão, e tivemos dois km’s de puro desespero.
Penso que o efeito é mais psicológico, pois é uma subida que se começa a ver ao longe e dá para ter uma noção do ganho de altitude que temos em tão curto espaço. Depois quando se está a subir, não sei o que é pior, se a inclinação, se o facto de não ter qualquer ponto onde dê para descansar ou baixar o ritmo.
Após fazermos a curva de 180 graus, onde invertemos o sentido da subida, só me lembrava do mítico Venceslau Fernandes a gritar para a filha nos Jogos Olímpicos: “Vai Vanessa, agora é só sofrer, é só sofrer até ao fim.”
Com maior ou menor dificuldade todos conseguimos superar a prova, sendo que o Sérgio só foi avistado no início e no final, pois meteu um ritmo diabólico. Felizmente que ele não se ia a sentir muito bem, senão ainda arrancava o alcatrão, inviabilizando dessa forma a passagem dos restantes elementos.

Como é habitual e mesmo com o GPS resolvemos inventar, pois já estávamos fartos de trilho negro e queríamos fazer a descida para o Covão do Feto por trilho.
Assim seguimos por uns caminhos entre muros de pedra que se vieram a revelar um dos pontos altos da volta. Foi uma descida espectacular e que proporcionou muita adrenalina, quase sempre com muita pedra solta e não só, mas sempre a fundo.

Chegados ao Covão do Feto, mais alcatrão e a possibilidade de confirmar com o Tiago que a sua Especialized Epic é realmente uma grande máquina, principalmente porque ele finalmente tinha conseguido recuperá-la das mãos do irmão João, que depois de a experimentar durante uns km’s não a queria largar.

A tendência do percurso a partir de agora seria mais descendente, o que era bom, pois muitos de nós já começávamos a acusar o cansaço, pois à passagem por Monsanto já levávamos perto de 100 km’s no lombo.

A descida para os Olhos de Água, foi também feita a abrir, sempre com o lema: “Abram alas para os Nunes”, que a descer conseguem fazer concorrência ao Lima.
No entanto, já perto do final da descida ia abalroando o Tiago, dado que um arame enfiou-se na cassete e na roda de trás e bloqueou-lhe a roda. Não sei quem ficaria pior, eu, o Tiago, a minha bike ou a dele, mas felizmente evitou-se o incidente de corrida.

Depois de retirado o arame da roda lá seguimos em direcção a Arneiro das Milhariças, sendo que desta vez a parede dos moinhos foi feita a descer. Pena que o estradão tenha muitos regos e sulcos provocados pela água das chuvas, mas ainda assim houve quem descesse aquilo de forma fortíssima.

Os últimos km’s decorreram sem grandes incidências, pois o pessoal estava já cansado e desejoso de chegar a Santarém, o que aconteceu já perto do pôr-do-sol.

Acabou por ser uma volta muito porreira em termos de percurso, sendo o único aspecto negativo o facto de parte do percurso estar alcatroado.
Os aspectos positivos são as subidas e descidas de alto nível que possui e a dureza que representa fazer cerca de 130 km’s de bike.

Finalmente à apenas a destacar o facto de o Tiago e o João Nunes, terem feito naquele dia a sua tirada mais longa de bike.

Fiquei surpreendido por nesta altura da época conseguir aguentar aquela quilometragem e de forma relativamente fácil.
Foi em resumo um dia bem passado, na companhia de amigos e a pedalar.

Obrigado João, pelo desafio.

domingo, 12 de abril de 2009

Mação - 4 de Janeiro de 2009

Uma das primeiras voltas de btt do ano foi feita em Mação, com o Filipe e o Agostinho.
Foi um dia para descobrir uns trilhos novos e uma nova subidao ao Bando de Codes, que será revisitada quando o terreno secar.

Mais do que os comentários (até porque já pouco me lembro das incidências da volta) ficam as fotos.
No entanto, gostava de deixar a advertência aos leitores, pois algumas imagens podem ferir a susceptibilidade bttística dos mais sensíveis (e já irão perceber porquê):
O Velhinho no Bando de Codes

O Bando de Santos visto do Bando de Codes, junto à subido do Presunto

Uma vez mais o Bando de Santos


O Chefe de fila a descer o Bando de Codes, sempre a fundo!!!

O Velhinho a mostrar sempre a sua classe, não admira que já tenha uma legião de fãs


O Bando de Codes também merece uma foto

O Chefe de Fila agora na subida para o Bando de Santos

Vista no alto do Bando de Santos

Vista no alto do Bando de Santos (II)

A esta hora devem estar a perguntar se seriam as imagens dos Bandos que feririam a susceptibilidade de alguém. Pois devem achar que temos um "fetiche" com aquelas Serras.
A verdade é que as subidas aos Bandos já deixaram muita gente KO.
Mas para acabar com o suspense, e caso não tenham reparado nas fotos do Chefe de Fila, aqui fica a sua nova máquina de 2009:

Ainda aí pessoal a gastar rios de $$$$ a comprar bikes, quando podem ter um maquinão destes.
E garanto-vos que esta máquina tinha um sistema em que quando se travava a bike aumentava de velocidade.

2008 - O balanço da temporada do BTZ Mação


No final do ano (ignorem que este post está a ser feito em Abril) impõe se fazer um balanço, desta que foi a primeira temporada com alguma exposição mediática do BTZ, quanto mais não seja pela criação do blog e pelos jerseys.
Anteriormente ninguém sabia quem nós erámos, e hoje em dia, há que o dizer, ainda poucos sabem. Mas isso irá mudar.

Penso que falo em nome de todos os membros do BTZ Mação quando considero esta época como tendo sido positiva.
Ao nível do clube foi um ano muito importante, por duas razões.
Primeiro porque fizemos algumas contratações de enorme qualidade como o João Almeida e o Seabra.
Segundo porque finalmente conseguimos arranjar uns jerseys em condições, que nos permitem representar de forma condigna o clube.

Ao nível competitivo, tendo em atenção o amadorismo que grassa no BTZ, os “atletas” do clube estiveram em bom plano.
O ponto alto da temporada foi uma vez mais o Portalegre 100, pois quase todos os elementos da equipa apontam para essa prova um dos “pico” de forma.
O Chefe de Fila conseguiu, na sua primeira aparição na Meia Maratona, efectuar um lugar nos 100 primeiros (93º), eu fiz 179º e o Velhinho 507º. Não fosse o infortúnio do Orlando e teríamos os quatro terminado a missão a que nos propuséramos.
Na Sertã, desta vez foi o Velhinho que esteve ao mais alto nível, conseguindo terminar em 7º lugar (após uma celebre reclamação com a organização e a sabotagem do pedaleiro XTR do Chefe-de-fila).
O Orlando apostou em 2008 em Serpa e a mítica ultra-maratona de 160 km, onde conseguiu resistir ao massacre que representa fazer essa distância em btt.
O João Almeida após ter sido contratado no Verão mostrou que os membros mais velhos da equipa são os mais rijos e fez dois eventos míticos, ambos em trilho negro, a Estrela na Estrela e o Tróia Sagres (o mais difícil de sempre devido às condições atmosféricas).
Eu como é habitual efectuei um bom final de época, com boas classificações em Óbidos (46º) e Ponte de Sôr (19º).

Finalmente há que referir os membros do clube que passam o ano todo praticamente sem andar de bike, competindo isso sim nas actividades nocturnas, onde são verdadeiros campeões.
Mas não vou referir nomes, nem acusar ninguém, pois eles são bons naquilo que fazem.

Em relação ao meu ano de 2008, ainda me recordo da forma como começou e que a melhor prenda de aniversário que tive foi o início da fisioterapia.
Foi um passo muito importante na minha recuperação e apenas posso deixar um agradecimento à fisioterapeuta Catarina que me torturou em 25 suaves prestações e à restante equipa de fisioterapia do Hospital CUF Descobertas.

Foi um ano muito preenchido, no que ao btt diz respeito.
Consegui finalmente concretizar alguns desafios, dos quais destaco a primeira prova de 24H integrado na mítica equipa do BTT Trilhos da Lezíria (com o José Carlos, o Sérgio e o José Pereira) e aquele que para mim foi o maior de todos, a Rota das Aldeias Históricas (em que o Sérgio também participou).

No entanto, o mais importante, foi a possibilidade de pedalar novamente na companhia de grandes amigos, que vão desde o pessoal de Mação, de Santarém e Samora Correia.
Sinto-me um privilegiado em poder compartilhar os trilhos com todos vós, e fica o sentido agradecimento a todos sem excepção.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

27 de Dezembro - Mação - 1º Passeio de Natal do BTZ

O BTZ já nos habituou a eventos surpreendentes.
Desta vez, levámos a cabo o nosso primeiro passeio de Natal, numa altura do ano mais convidativa a eventos “dentro de portas”.

Como inovação desta vez, tínhamos o facto de o percurso não estar definido à partida, sendo construído à medida que fossemos pedalando.
A única certeza era de que o almoço seria, e foi, em Cardigos.

O Orlando ainda cheio de força, ou então a bike é muito leve.

Numa semana marcada pelo frio, o sábado amanheceu a prometer chuva, o que vinha complicar ainda mais a tarefa.
Uma vez mais, e como é habitual em Mação a partida teve de ser atrasada pois à hora marcada apenas o João Almeida estava presente.
O resto do pessoal continua a ter uma péssima relação com o despertador.

Orlando e Chefe de Fila orquestrando qualquer coisa

Depois de reunido o pelotão, bastante numeroso para os padrões de Mação (leia-se 6 pessoas, pelo que até se podem mencionar: Filipe, Agostinho, Orlando, João Almeida, Nuno Esteves e eu), iniciámos o passeio.
Para compensar tivemos uma baixa de última hora (o Sr. Gonçalo que uma vez mais ficou na cama e que não tem nenhum problema com despertadores, pois desconhece o conceito).

Sem comentários!!!!

Após a passagem pela Caldeirinha e a clássica descida para o estradão do Pereiro, seguimos para a zona do Castelo.

O Nuno Esteves, sempre bem disposto.


Devido às condições atmosféricas o percurso não passou pelos Bandos (coisa nunca vista num passeio do BTZ Mação e que atesta as condições de excepção daquele dia). O percurso até Santos foi feito por alcatrão.
A ligação entre Santos e a Lage já teve uma subida digna desse nome, finalmente em trilho, e que compensou parcialmente a ausência do Bando.
Até à Lage a paisagem foi prejudicada pelo nevoeiro, que não permitia desfrutar da vista sobre a Ribeira do Aziral e do Bando.

O Lago da Lage

Chegados à Lage, efectuámos uma pequena paragem, pois alguns elementos já tinham fome, pelo que fizemos um reabastecimento.

Quantas fotos são necessárias para conseguir tirar uma de jeito?

Ainda não ficou bem!

Nem à 3ª tentativa. O problema deve ser do fotógrafo.

Nessa altura começou finalmente a chover, pelo que seguimos direitos ao Frei João, contudo um engano no GPS levou-nos até à Sanguinheira do Carvoeiro.

Orlando complementado o abastecimento sólido, com alguma vitamina C

Nessa parte do percurso o João Almeida, que circulava na bike do Nuno Esteves resolveu arranjar um furo na roda dianteira, o que ditou uma paragem forçada.

Tipico. Enquanto dois trabalham, os outros limitam-se a ver.


João Almeida e Nuno Esteves a tentar reparar o furo.

No decurso dessa paragem, as condições atmosféricas agravaram-se, pois a chuva aumentou de intensidade e frio não abrandou.
Consequentemente tivemos de tomar uma decisão bastante difícil: ou regressávamos a Mação de bike e depois seguíamos de carro para Cardigos, ou então seguíamos de bike para o almoço e depois regressávamos a Mação.
A primeira votação ditou um empate, mas depois o Presidente, que acumula o cargo com o de chefe de fila desfez a indecisão. O destino era agora Mação, 20 km’s depois de termos começado a volta.

O Chefe de Fila a chamar a Assistência em Viagem?

O regresso decorreu de forma muito atribulada, pois a combinação de chuva e frio fez mossa nalgumas pessoas. As quais não vou nomear para não estigmatizar ninguém, pois a malta de Mação quer-se rija e não com queixas de está frio e ah e tal…

O momento alto do dia foi o almoço.
Devemos destacar a qualidade gastronómica do mesmo, que foi inegável, mas o mais importante foi termos conseguido juntar à mesa quase todos os membros do BTZ (o chefe de fila, o Velhinho, o Orlando, eu, o João Almeida, o Gonçalo e o Mário) e respectivas cônjuges (quando aplicável, pois ainda há alguma malta solteira no clube, pelo que fica esta nota à atenção das leitoras do blog) e mais alguns familiares.

Orlando @ lunch

Agora vinha a parte lamechas da crónica, pois os reencontros costumam levar a isso, mas desta vez vou poupar-vos a isso.
Após a despedida emocionada do Mário das pedaladas do BTZ, no Portalegre de 2007, ele voltou a estar connosco, não para pedalar, mas para dar ao serrote, ou não fosse ele o Molduras.

O Gonçalo apresenta uma folha de serviço, no que às pedaladas com o BTZ diz respeito, semelhante à do Mário, pois já nem me lembro da última vez que andou de bike connosco.
Foi porreiro estar novamente com eles, que se não fossem pessoas de alto nível não pertenceriam ao BTZ.

O regresso do Mário ao BTZ.

Gonçalo, Eu e João Almeida.

Em resumo, o almoço foi um excelente momento de convívio entre os membros do BTZ e as pessoas que mais se queixam que passamos muito tempo a andar de bike.
Penso que falo por todos os presentes, quando digo que espero que possamos realizar em breve um evento semelhante.

Com esta crónica encerrámos o ano de 2008, pelo que fica apenas a faltar um pequeno balanço das actividades do BTZ, nesta que foi a sua primeira época oficial.