segunda-feira, 20 de julho de 2009

Carvoeiro - 10 de Maio de 2009


O dia do BTZ Mação

Este ano o BTZ Mação voltou a participar no passeio organizado pela Associação local, da qual faz parte o nosso atleta Silva.

"Chefe" Silva no brieffing aos participantes
Se o ano passado fomos apenas 2, este ano o contingente do BTZ Mação era bem mais alargado.
Na versão mais longa do passeio participaram o Silva (que jogava em casa), eu, o Velhinho e o Gonçalo.
Na versão mais curta do passeio participaram o Filipe e o Almeida, que juntamente com as suas caras-metade e o João Tiago, representaram o clube.

Filipe e Anita no início do passeio
João Tiago na sua primeira aparição nos passeios em Mação

O percurso deste ano era mais longo que o do ano passado e parecia ser mais interessante,
Apesar de ter amanhecido a ameaçar alguma chuva, não chegou a chover, o que permitiu desfrutar dos trilhos.
A prospecção do BTZ a funcionar: Sr. Vítor, um valor seguro do btt

Após o levantamento do dorsal e antes da partida, tivemos direito ao pequeno-almoço.

O início da volta era complicado, pois passávamos na praia fluvial do Carvoeiro e seguíamos directamente para a zona do Pico do Ar, o que implicou uma subida relativamente difícil, para quem ainda estava a frio.

O Silva e o Gonçalo saíram logo na frente, acompanhando os primeiros, eu fiquei com o Velhinho, mas com muita dificuldade, pois ele ia fortíssimo. Era o Portalegre ainda a fazer efeito.
"Chefe" Silva em grande estilo
Após uma subida vinha um descida, para a zona da Sanguinheira, com passagem no estradão Capela-Gargantada, e seguíamos para a antiga aldeia da Lage, onde apanhámos mais uma bela subida, não muito longa.
Nesta parte eu e o Velhinho seguíamos completamente isolados, pois não víamos ninguém à nossa frente nem atrás.

O Marreta e o Velhinho, o duo dinâmico

A aproximação ao Carvoeiro para o final da versão mais curta do passeio era feita de forma relativamente tranquila.

No entanto o percurso cozinhado pelo “Chefe” Silva tinha uma surpresa à chegada ao Carvoeiro, com uma subida complicada, na zona da Quinta dos Cardeais.
Depois seguíamos pelo meio da aldeia, seguindo para a zona da Feiteira, onde fomos brindados com mais uma subida e dois singletracks a descer, curtos mas porreiros e com potencial.

"Chefe" Silva no singletrack da Feiteira

Uma surpresa adicional foi a passagem junto á Ribeira da Pracana, com uma passagem da ribeira que foi espectacular e uma paisagem lindíssima que não conhecia.
Há quem passe a ribeira em grande estilo, mas já sabemos que a bike do Velhinho é leve...


Há outras mais pesadas...


E há o molho de ferros...
Sr. Vítor em grandíssimo estilo...

... antes de se armar em Liedson!!!

Quem conhece o terreno, sabe que, para sair dali tínhamos de subir bastante.
Na subida, que também foi na zona da Feiteira, o Agostinho ia num ritmo diabólico, tendo eu bastante dificuldade em segui-lo. Ele estava realmente fortíssimo.
Velhinho forte também a descer

A cumeada que se seguiu foi muito porreira, pois fez parte do nosso passeio anual de Abril passado. Depois começámos a descer para o Carvoeiro, em estradões que permitiam andar forte e sem grandes preocupações com o terreno, com excepção da descida final, um pouco mais técnica.

No final o BTZ Mação teve uma prestação assinalável, com o Silva a ficar em 7º lugar (que poderia ter sido melhor, não fosse uma queda), eu em 8º, o Velhinho em 9º e o Gonçalo em 11º (pois perdeu-se novamente quando seguia à minha frente).

Este é que era o prémio mais ansiado, o almoço.

A entrega de prémios decorreu antes do almoço com o destaque devido aos nossos atletas.

Sr. Gonçalo a receber indevidamente o prémio. O Silva não teve nada a ver com isso...

Palavras para quê? Até a receber prémios o Velhinho tem classe...


Até o Marreta teve a honra de receber o prémio das mãos do futuro Presidente do BTZ....


Aposto que foi o Silva a escolher o prémio.

Na versão mais curta, a prestação desportiva não era importante, mas ficou o lançamento daquilo a que a muito curto prazo será uma realidade, o BTZ Mulher.

Elsa e Anita, a génese do BTZ Mação em acção
Anita em grande forma na sua primeira aparição em passeios

E na memória de alguns o desabafo de que aquilo parecia um inferno....

João Tiago, Filipe e Almeida no final do passeio

domingo, 19 de julho de 2009

Portalegre 02 de Maio 2009

Km -70

Desta vez a crónica do Portalegre 100 começa em Mação.
Isso deve-se ao facto de o Orlando ter sofrido os habituais problemas com os pneus na véspera da prova.
No entanto isso representou uma clara melhoria face ao ano anterior, pois a probabilidade de comprometer a Maratona baixou bastante.
Depois de uma viagem a Tomar para comprar um pneu, teve lugar a assistência técnica do BTZ Mação. Após trocas de câmara-de-ar e pneus durante uma boa meia hora, o Filipe finalmente descobriu que tinha pipo de tubeless. Lá vai de desmontar novamente o pneu, retirar a câmara-de-ar e colocar o tubeless.


Km 0

Após os atrasos habituais, lá chegámos a Portalegre.
Não me lembro de o pessoal de Mação conseguir chegar aos locais à hora marcada.
Rapidamente seguimos para o controlo 0, de forma a ocupar um bom lugar na grelha de partida. Felizmente que é por ordem de chegada e não dependente de treinos de qualificação.
Depois matámos o tempo que restava até às 9h a efectuar o aquecimento, dado que este ano até houve rolos patrocinados pelo “Coach” Almeida, a rever alguns amigos e conhecidos, etc.


100 km’s

Nos 100 km’s o BTZ Mação contava com o Velhinho, o Almeida, o Orlando e eu.
Este ano o percurso tinha alterações significativas face aos anos anteriores, dado que as maiores dificuldades estavam na parte final, com uma subida de cerca de 15 km’s para as famosíssimas antenas.
O início era relativamente semelhante com o trilho negro do IP2 e a subida para a Serra de São Mamede. Foram cerca de 15 km’s sem ver terra.
Em condições normais, isso seria um escândalo, cerca de 15% de uma maratona de btt em alcatrão, mas como é em Portalegre, e depois de pagar 38 € o pessoal parece que aceita tudo.
Apesar disso ver o IP2 cheio de bikes é algo que o público presente e os participantes não devem seguramente esquecer.
O percurso, após a separação dos 100 km’s e 50 km’s (opção inteligente fazê-la logo no final da subida) entrava finalmente no tão ansiado trilho.
Perto do final da subida fui apanhado pelo Nuno Lima.
Tentei seguir na roda do Nuno, que estava em grande forma, mas na primeira descida perdi logo o contacto com ele, dado que enquanto o pessoal seguia todo em fila indiana pelo lado mais limpo do trilho, o Nuno seguia a toda a velocidade por cima de calhaus. Quem sabe, sabe…

Dado que as maiores dificuldades estavam reservadas para o final, tentei seguir rápido no falso plano alentejano, em estradões relativamente fáceis em zonas agrícolas.
Contudo verifiquei desde cedo que estava muito fraquinho e que o estado de forma comparativamente com o ano anterior era muito inferior.
Era terrível ver imenso pessoal a passar sem ter capacidade para seguir na roda de alguém.
O percurso depois da zona agrícola passava por zonas quase todas conhecidas, que foram feitas em anos anteriores no mesmo sentido ou no contrário.
Nesta parte passou por mim o Ricardo Madeira, que alegava ir em ritmo de treino para a Supertravessia, mas a uma velocidade apreciável.
Havia algumas partes muito interessantes, com singletracks (infelizmente não muito longos) e alguns trilhos bem porreiros, mas fiquei sinceramente com aquela sensação do percurso ser um bocado requentado.

Após o 2º abastecimento apanhei de novo o Nuno Lima, e pensei, das duas uma, ou eu estou com um ritmo do caraças ou o Nuno está fraquíssimo (como eu).
Logo percebi após inquirição, que era a 2ª hipótese. Fiquei um bocado triste, pois o Nuno estava numa forma física brutal, no entanto, em prova não conseguiu colocar aquilo que era capaz cá fora.
Seguimos juntos, tipo os desgraçadinhos que se vão amparando um ao outro. Penso que foi positivo para ambos, pois íamos puxando à vez e seguindo num ritmo confortável.
Nem mesmo alguns elementos femininos que passavam por nós eram factor motivador para aumentar o andamento. Estávamos nas lonas e ainda faltava a subida às antenas. Mas o melhor era nem pensar nisso.

No 3º abastecimento, resolvemos efectuar uma paragem mais longa para tentar recuperar um pouco.
Nesta fase ocorreu aquele que eu chamaria o momento do dia.
Em primeiro lugar o Velhinho chegou ao abastecimento uns momentos antes de voltarmos a arrancar. Mas calma, pois isso não é nada de muito relevante, pois o Velhinho é um campeão e só pecou por tardio ele conseguir apanhar-nos.
Em segundo lugar chegou lá uma miúda, que vai directamente para o nº 1 do top de mulheres mais jeitosas que eu vi a praticar btt (eu e elas). Uma loira que cumpria por larguíssima margem com todos os requisitos que um homem pode ter para categorizar uma mulher como fabulosa.
Ainda tentei apressar o Lima para seguirmos naquela roda. Vá-se lá saber porquê…
E ela tinha andamento, pois não demorámos muito a sair, e nunca mais a vimos.
Penso que ela não foi uma alucinação, pois acho que não estava assim tão mal.

O 3º abastecimento marcava o início do sofrimento, pois a grande subida estava a apenas a uns km’s dali. Antes ainda tínhamos uma subida chata e uma descida bastante porreira com uns cotovelos (curvas de 180 graus) que davam algum trabalho.

Finalmente chegávamos à subida para as antenas, que tinha uns 6 ou 7 km’s iniciais muito suaves, mas sempre a subir. Foi algures nesta fase que o Velhinho passou por nós, num ritmo certo mas bastante mais rápido que o meu e o do Lima.
Tive de chamar o Agostinho, dado que ele ia tão concentrado que nem me viu (ou não).



A subida na junção do percurso com os 50 km’s passou a ser mais complicada, pois a inclinação era maior e pelo cansaço acumulado. E o pior é que a subida era cada vez mais inclinada.
Numa dessas fases o Lima disse-me para seguir pois necessitava abrandar o ritmo para recuperar um pouco.
Ainda pensei que mais à frente o Lima conseguiria apanhar-me, dado que a descida final seria longa.

Na parte mais crítica da subida, após uma passagem por uma estrada de alcatrão, já ia completamente de rastos, mas continuava a passar por imenso pessoal, muitos deles já a pé.
Depois dessa parte tínhamos uns metros em alcatrão e para variar a descer, onde dava recuperar um pouco.Apesar disso o que se seguiu foi pouco edificante, dado que na subida final para as Antenas desmontei, pois começava a ficar com cãibras. Mas por pouco tempo, pois comecei a ver o Velhinho ao longe e resolvi tentar apanhá-lo.


Quando finalmente cheguei ao 4º e último abastecimento, não vi o Velhinho e fiquei intrigado, pois ele não ia muitos metros à minha frente.
Passado pouco tempo quando me preparava para arrancar vi-o a descansar deitadinho a uma sombra. Ele ainda acenou, mas resolvi seguir, pois era a oportunidade de ultrapassá-lo enquanto ele enchia o depósito.

A descida era complicada, pois não permitia descansar e nalguns pontos o percurso estava insuficientemente marcado, o que me fez seguir em frente numa zona algo perigosa.
Depois de uma parte de alcatrão, voltávamos a entrar em trilho e deu logo para perceber que a tal descida até ao final ainda teria alguns topos, que face ao meu estado físico seriam complicadíssimos.
A aproximação a Portalegre foi totalmente diferente dos anos anteriores, e penso que foi espectacular, com uns singletracks bem porreiros e com alguma exigência técnica.

Antes do final ainda consegui passar pelo nosso ódio de estimação aqui da região, que penosamente seguia a pé numa pequena subida.
Tive pena de não o ter ultrapassado 100 km’s antes, pois talvez me tivesse dado motivação, pois até a talega meti.

A tão ansiada chegada ao mítico jardim no centro de Portalegre marcou o final do sofrimento.
Ainda tive a consolação de levar um corta vento para casa no sorteio de material que havia no final. Nem tudo podia correr mal…

A minha classificação deste ano, foi consideravelmente pior que a do ano passado, e claramente não traduz as minhas capacidades.
Penso que sou capaz de fazer bastante pior.

O Orlando e o Almeida desta vez fizeram a prova numa perspectiva mais de lazer e talvez tenham feito a escolha certa, pois chegaram ao final como os outros e sem empenos.


50 km’s

Nos 50 km’s o BTZ Mação estava representado pelo Chefe de fila.

O resultado foi o que se esperava, com uma classificação nos 100 primeiros, pelo 2º ano consecutivo.
No entanto esse resultado poderia ter sido melhor, dado que não contente com a dureza do percurso, o Filipe ainda andou a circular numa pista de motocross.
Para além disso há a referir uma ultrapassagem à má fila do Seabra ao Chefe de Fila, que gerou bastante debate no final da prova.


Os outros:

Lima
Infelizmente não conseguiu ter a prestação que se esperava.
Tive pena que não tivesse conseguido alcançar os seus objectivos, mas sei que continuará a esforçar-se como poucos para melhorar.

Tiago
Na sua estreia no Portalegre demonstrou o valor que sabemos que tem, apesar de passar a maior parte do tempo a baixar as nossas expectativas e a dizer que não é capaz de fazer as coisas.
Terminou à porta dos 100 primeiros e para o ano ninguém o segura.

Sérgio, José Carlos e José Pereira
Tive pena que não tivessem terminado dentro dos 100 primeiros, pois pelo trabalho continuado que têm vindo a fazer mereciam uma boa classificação.São uns grandes amigos e merecem tudo de bom.

Ricardo Madeira
Para quem ia em ritmo de treino acabou bastante bem, mas o seu objectivo estava ainda a um mês de distância, pois acabou por fazer uma Supertravessia em bom nível.

Para o ano há mais……

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Serra da Estrela - 26 de Abril 2009


A convite do José Carlos do BTT Trilhos da Lezíria o BTZ Mação esteve presente em mais uma subida à Serra da Estrela.
Devido às condições atmosféricas esta volta apenas se realizou no final de Abril o que levou a que o treino em altitude não tivesse um efeito significativo para o Portalegre que se avizinhava.

Desta vez o programa de festas tinha 2 opções:
- subida Covilhã-Torre;
- subida Covilhã-Piornos, descida para Manteigas e subida Manteigas-Torre.

Obviamente que os membros do BTZ Mação presentes optaram pela 2ª opção, ou não estivéssemos nós habituados a subir os Bandos.



A foto de grupo: Miguel, Brites, José Carlos, Fernando, Canas, Filipe, Aires, Sérgio, Velhinho e Pegaso.


Encontrar o local de partida foi a segunda dificuldade do dia (a primeira foi como habitual, cumprir horários), dado que o Daniel Brites tinha contratado a utilização dos balneários de um clube local.
Para além de ser uma coisa com prestígio (subir a Serra com banho à espera), o banho de água quente acabou por ser de uma utilidade brutal (como mais à frente se verá).

Aqui a subida ainda era soft, mas já se via o antigo Sanatório


Apesar de ser feita em trilho negro, pois não conhecemos bem aquela zona, as subidas da Serra da Estrela por alcatrão têm o aliciante de estarmos a pedalar em locais que habitualmente vemos nas transmissões televisivas da Volta a Portugal.
Se os gajos com as bikes de estrada conseguem subir aquilo, também nós seremos capazes de fazer, se bem que a uma velocidade (ou várias) inferior.

O início da volta foi calmo em jeito de aquecimento e de forma a fazer a ligação entre o nosso “base camp” e o centro da Covilhã.


O Velhinho sempre em grande


A fase inicial da subida é considerada como sendo a mais dura pela forte inclinação de alguns troços, nomeadamente à saída da Covilhã e um pouco antes do antigo Sanatório. Advertido desse facto optei por começar devagar, sem entrar em loucuras, seguindo com o Velhinho e o Miguel, o que permitiu contemplar a magnífica paisagem e tirar algumas fotos.
O Chefe de Fila é que entrou em acção motivadíssimo (devia pensar que estava nos Bandos), saindo disparado ainda no centro da Covilhã. Só o voltaria a ver em Manteigas.
O Sérgio e o José Carlos ainda pedalaram um pouco com os mortais, mas depois meteram o ritmo de treino e também só os voltámos a ver em Manteigas.


A aproximação ao antigo Sanatório


Os primeiros km’s são de facto os que têm maior inclinação, mas o facto de seguirmos sempre em curva e contra-curva faz com que não tenhamos bem a noção do ganho de altitude que vamos tendo (se exceptuarmos as irritantes placas que indicam a altitude). Acho que só quando passamos no antigo Sanatório é que começamos a ter noção do que já está para trás e do que ainda falta subir.
Depois do antigo Sanatório o terreno torna-se um pouco menos inclinado permitindo alguma recuperação, mas como o ritmo aumenta, acabamos por ir sempre em esforço.
Nesta altura ainda conseguimos ver o grupo da frente ao longe, quase a chegar às Penhas da Saúde, enquanto eu e o Velhinho seguíamos tranquilamente na companhia do Miguel, embora ninguém falasse grande coisa, pois era necessário poupar o fôlego.

A aproximação às Penhas da Saúde marcou novamente o aumento da dificuldade do percurso, dado que as inclinações voltam a ser mais significativas com o consequente ganho de altitude. Nas Penhas da Saúde (parece que estamos nos Alpes Suíços, só falta a Heidi e os São Bernardos) estamos sensivelmente a 1.500 metros de altitude, que representa mais ou menos metade do trabalho feito.


A aproximação às Penhas da Saúde


Os 3 km’s entre Penhas da Saúde e Piornos (Centro de Limpeza de Neve) parecem ser intermináveis.


Palavras para quê???


Chegados a Piornos, e de forma a preparar a descida para Manteigas parámos, verificando que aquela altitude o frio já se começava a fazer sentir, isto em plena Primavera.
O Miguel devido ao pouco equipamento que trazia resolveu não parar de forma a não arrefecer. Eu e o Velhinho colocámos as revistas (do social) por baixo dos jerseys. Foi a altura em que algumas daquelas miúdas das revistas andaram mais perto do meu coração……



O Marreta em Piornos


A descida para Manteigas é relativamente tranquila, pois é quase sempre em recta. No entanto o facto de a estrada ser estreita faz com que se tenha de ter bastante cuidado, pois há pessoal que vem fora de mão em sentido contrário e devido às ultrapassagens a carros (por estranho que pareça).
Aliás o único despique que tive nesta volta toda foi com um carro nesta descida, dado que o condutor parecia ficar chateado por um gajo de bike de btt conseguir descer mais rápido que ele, confortavelmente sentado num automóvel.
Graças a um autocarro que bloqueou a passagem da viatura em causa cheguei a Manteigas primeiro: Canas 1 – Citröen qualquer coisa 0.

Em Manteigas, estavam à nossa espera o José Carlos, o Sérgio e o Chefe de Fila, aproveitando para comer qualquer coisa e descansar um pouco (não que precisassem).
Nesta altura já se fazia sentir um vento um bocado forte, que levou uma das luvas de Inverno do Chefe de Fila para um balsedo, que era inalcançável. Quando ele já começava a ficar passado com a perda da luva, o José Carlos viu um agricultor local que gentilmente nos cedeu uma foice e uma cana, que foram usadas de forma habilidosa para resgatar a luva.
Talvez contente por isso, o Chefe de Fila voltou a sair disparado Serra acima, levando o José Carlos e o Sérgio. Uma vez mais segui com o companheiro de pedaladas Velhinho.
A subida de Manteigas não é muito difícil em termos físicos, dado que não tem uma inclinação muito significativa. No entanto em termos psicológicos tem qualquer coisa, pois são muitos km’s sempre a ver o final, sem conseguir chegar lá rapidamente. Para compensar a beleza do Vale Glaciar é brutal (talvez dos locais mais bonitos onde estive), com as cascatas e o Rio Zêzere que ali nasce.

O Vale Glaciar de Manteigas

Já perto da 2ª passagem por Piornos, começaram a cair uns pingos de chuva, o que me fez pensar que as coisas poderiam complicar-se daí para a frente.


Está quase.....


A Nave de Santo António marca o local a partir do qual não existe mais descanso para as pernas, pois a partir dali é sempre a subir para a Torre.
Não muito depois de iniciarmos a escalada final começaram a cair uns flocos de neve, felizmente em pouca quantidade, mas era um alerta para as condições atmosféricas que nos esperavam no topo.
Esta parte da subida acaba por ser complicada pelo desgaste acumulado, a que se juntou o frio (apesar de estarmos bem agasalhados).
A uns km’s da Torre passaram por nós os 3 da frente, já a descer a grande velocidade.



Está mesmo quase, quase.....


A aproximação à Torre é espectacular, porque marca a chegada ao objectivo do dia, o ponto mais alto de Portugal Continental, e tem aquela coisa mítica do ciclismo da etapa da Torre e naquela altura ainda se conseguia ver.



Finalmente a chegada à Torre

Na subida lembrei-me muitas vezes do João Almeida que em Setembro passado tinha feito a Estrela na Estrela (as 3 subidas principais por estrada da Serra), e no esforço que representa depois de chegar à Torre ainda ir a Seia e depois subir tudo novamente.

Quando chegamos à Torre ainda estavam bastantes pessoas a fazer ski na “pista de neve” que lá se pode encontrar.

Após uma pequena paragem para descansar as pernas, eu e o Velhinho iniciámos a descida, até porque o frio não permitia ficar parado muito tempo. O início da descida foi marcado pelo agravamento das condições atmosféricas, dado que em pouco tempo ficou um nevoeiro cerrado e começou a nevar com mais alguma intensidade.
Esta deve ter sido a descida que mais custou em muitos anos de bike, pois o frio fazia com que as extremidades do corpo, apesar de bem protegidas, ficassem dormentes. Conseguir travar, nalgumas partes da descida é uma condição essencial para não voarmos por aquelas ravinas abaixo.
Já perto da Nave de Santo António, perdi o contacto visual com o Velhinho que seguia ligeiramente atrás, pois entretanto parara para tentar aquecer as mãos. Durante essa paragem ainda vi as coisas mal paradas, pois ainda tive algumas tonturas.
Felizmente o Velhinho lá retomou a descida, voltando a aparecer no radar, pois não estava com vontade de voltar a subir para ir à procura dele (nem sei se seria capaz disso).

A parte da descida entre Piornos e o antigo Sanatório foi porreira, pois deu para andar bastante depressa (acima dos 70 km’s/h), já que o frio não se fazia sentir com tanta intensidade e existem algumas rectas com bom piso.
A descida após o antigo Sanatório pode ser considerada como chata, dado que é uma série de cotovelos, onde se gasta as pastilhas dos travões, sem se poder andar realmente depressa e sem poder contemplar a paisagem, dado que nos arriscamos a sair disparados da estrada ou ficarmos espetados nalgum carro.

Fomos os últimos a chegar ao nosso “base camp” na Covilhã, estando já quase toda a gente de banho tomado. Digo quase, pois o Velhinho é que tinha levado a chave do BTZMobil, fazendo com que o Chefe de Fila tivesse ficado à seca durante um bom bocado. Para a próxima é escusado ir tão depressa…

A ideia de ter um balneário após a aventura foi bastante boa (nem parece do Presidente Brites), pois o banho de água a ferver serviu para restabelecer a circulação sanguínea e recuperar das temperaturas negativas a que estivemos sujeitos.

Depois do banho seguiu-se o tão ansiado repasto no restaurante Porta Chaves, dado que estávamos todos com uma fome do caraças e onde pudemos compartilhar algumas das histórias daquele dia.

Em resumo foi uma etapa inesquecível do BTZ Mação, dado que foi a primeira vez que fizemos a mítica subida da Serra da Estrela em estrada.
Mas penso que falo em nome dos atletas que não será a última, dado que ficou prometido ao Almeida fazer a Estrela na Estrela (com o brinde adicional de mais uma subida, que ele sabe bem qual é).

Gostava de agradecer o convite do José Carlos e o trabalho de logística que ele e o Daniel Brites tiveram para este dia e aos restantes participantes, que demonstraram que subir a Serra da Estrela não é algo acessível a todos, mas que todos podem fazer caso se comprometam com esse objectivo.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Rota da Água - Chão de Codes - 19 de Abril de 2009

Somethings never change…

Pelo 3º ano consecutivo participámos na Rota da Água organizada em Chão de Codes, pela respectiva Associação Recreativa e Cultural.
Aspecto da partida

O percurso deste ano prometia, dado que tínhamos pela frente e para cima o Bando de Codes, com um total de 1.200 metros de desnível acumulado em pouco mais de 40 quilómetros.

Chefe de Fila na fase inicial do percurso

O BTZ Mação esteve representado ao mais alto nível, com o Chefe de Fila, Velhinho, eu, Gonçalo e na sua estreia com a camisola do clube, o Fernando Silva.
Adicionalmente tivemos na versão mais curta do passeio a representação do futuro do BTZ, ou seja, os escalões de formação.
Chefe de fila e Velhinho no início do passeio
Após a partida seguimos por alcatrão até ao final da povoação onde iniciámos aquela que nos parecia ser a habitual subida ao Bando de Codes.
Os escalões de formação do BTZ à partida para o passeio. Vê se que quem sai aos seus......

No entanto após uma pequena descida, com imensos regos provocados pela água, onde o Velhinho resolveu cair, em vez de cortarmos à esquerda para o Bando, seguimos em frente. Ou seja, trocaram-nos as voltas e acabámos por regressar ao Chão de Codes, passando por alguns singletracks literalmente dentro de hortas.

Os escalões de formação em acção na 1ª subida

Nesta fase o Silva já ia no pelotão da frente seguindo mais atrás o Chefe de Fila com o Gonçalo. Como é habitual eu e o Velhinho seguíamos mais tranquilamente atrás do grupo da frente.



Silva no grupo da frente

Ainda antes de iniciarmos a subida para o Bando de Codes, eu e o Velhinho apanhámos o Chefe de Fila parado junto à Estrada Nacional 244, com um furo.



Gonçalo, nesta fase ainda em competição

Esse furo foi fatídico para a prestação da equipa, pois o Chefe de Fila acabou por perder bastante tempo, e o Gonçalo ficou sozinho, ou seja, um desastre à espera de acontecer.




Gonçalo fortíssimo à saída de Chão de Codes

A subida para o Bando de Codes este ano foi revista e aumentada, e tenho de dar os parabéns à organização, pois foi espectacular. Algumas partes desta subida eram desconhecidas, mas têm uma inclinação bastante significativa, acentuando o carácter selectivo da mesma.



Eu e o Velhinho a caminho do Bando de Codes

Já na parte alcatroada da subida deixei o Velhinho para trás, dado que estava a sentir-me bem e porque ele estava ainda meio engripado (não fosse ficar também doente).



O Chefe de Fila no Bando de Codes

Segui algum tempo com o Vítor Pereira, mas no final da subida acelerei e segui sozinho na descida tradicional para o lado do Chão de Codes e depois a meia encosta para o lado da Aldeia D’Eiras.
Algures nesta parte, o Gonçalo cumprindo a tradição perdeu-se. É preciso arranjar um GPS para ele.



Silva na primeira aparição com a camisola do BTZ e logo a mostrar serviço

A descida final foi também diferente dado que seguimos logo na direcção da Aboboreira, por um novo estradão que foi aberto neste Inverno.



Aspecto dos atletas à saída de Chão de Codes

A aproximação à Aboboreira acabou por não ser directa, dado que passámos na zona da cascata em sentido contrário ao que seria expectável.



Desta vez até eu tive direito a foto

Uma vez mais tivemos direito à escadaria da Aboboreira, um clássico, que alguns evitaram à má fila.



Houve quem descesse montado

Alguns ficaram preocupados com os €€€€€€€€ que a bike custou


O Velhinho apanhado pela organização

Seguimos depois na direcção do Casalinho, onde começou mais uma subida jeitosa, que nos levaria a descer vertiginosamente para o Cerro do Outeiro, que é outro clássico.
Foi espectacular descer novamente por aqueles caminhos de pedra, ainda por cima molhada e perigosa.



Aspecto da entrada no Cerro do Outeiro

Sr. Vítor no singletrack do Cerro do Outeiro

Sérgio Breites na parte mais complicada e perigosa do singletrack

Velhinho no meio do Cerro do Outeiro


Finalmente ainda tínhamos uma subida curta mas inclinada e uns km’s a meia encosta, antes de voltar ao alcatrão e chegar ao Chão de Codes, com mais uma incursão pedestre na escadaria da igreja.

Depois do banho veio o belo almoço.



Foi mais um passeio de qualidade no concelho de Mação levado a cabo pela Associação Recreativa e Cultural de Chão de Codes.
O percurso este ano apenas contemplou o Bando de Codes, mas foi muito bom, pois manteve algumas zonas espectaculares como o Cerro do Outeiro, e introduziu novas zonas como a ligação à Aboboreira e ao Casalinho.


O Velhinho sempre fortíssimo

Penso que falo em nome do resto do pessoal do BTZ Mação quando afirmo que para o ano lá estaremos novamente para mais uma edição da Rota da Água.

Fotos disponibilizadas pela organização, à qual agradecemos.