sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Maratona Festival Bike - Santarém - 8 de Novembro de 2008

Finalmente tinha chegado o dia da Maratona do Festival Bike.
Não só porque a época já ia longa e esta seria a minha última Maratona da época, mas também pelo facto de ser a única que se realiza em Santarém.

O grupo de amigos que marcou presença neste evento foi bastante extenso.
Do BTZ Mação estiveram presentes eu e o João Almeida nos 80 km’s e o Filipe nos 40 km’s. O Agostinho não pode estar presente, tendo sido “substituído” pelo Ricardo Madeira.
Do grupo das 24H veio apenas o José Pereira e de Santarém participaram o Nuno Lima, o Tiago Nunes e o João Nunes. O Bri infelizmente não pode participar.

O Nuno Esteves. Desta vez como assistente técnico

A Maratona tinha cerca de 2.000 participantes, fazendo com que a partida fizesse lembrar Portalegre.
Após a partida efectuávamos a habitual subida em alcatrão para Santarém, que deu logo para começar a aquecer e a “partir” o pelotão.
A entrada em trilho, embora não definitiva, ocorria no final da Zona Industrial e chegada à Quinta do Mocho. Esta era uma das zonas onde dava para ver uns metros mais adiante a fila de atletas a percorrer as primeiras subidas. Esta é uma das imagens que não esquecerei desta maratona.


O nosso Chefe de Fila em grande estilo
Depois da passagem pelo Grainho, voltámos a reentrar no trilho negro, até aos Casais do Mata-o-Demo. A partir dai seguíamos para o Secorio, com uma subida muito curta, mas no meio de uma vinha, onde tive de desmontar devido ao facto de o pessoal que ia à minha frente não saber como abordar aquela subida.
Com a subida para a Vila Nova da Babeca o percurso entrava naquela que para mim era a parte mais interessante, com as subidas mais difíceis e que seriam comuns aos 2 percursos.

Não se preocupem a aterragem correu bem. Depois ensino-vos como se faz

Na subida para a Póvoa do Conde o Filipe, que tinha partido um pouco mais atrás, finalmente alcançou-me, mas por pouco tempo, pois nesta altura segui na roda do Ricardo Madeira durante alguns km’s, pois ele ia com um ritmo fortíssimo.

Com um equipamento destes querem o quê? O José Pereira ao mais alto nível

Na descida para a Ribeira de Alcobertas, era novamente possível ver os atletas que se encontravam já a subir para os Casais Porto de Oliveira. Mais uma imagem memorável, e senti algum orgulho, por ter sido um dos responsáveis (juntamente com o João Almeida) por a Maratona passar naquele local.

A subida para os Casais Porto de Oliveira, não é muito longa, com cerca de 1 km (típica subida da região de Santarém), mas tem uma inclinação significativa e um início cheio de pedra solta, que dificulta a tracção, o que a torna tecnicamente desafiante.
A descida para o Calhariz, paralela à A15 foi feita a mais de 60 km’s, pois não apresenta grandes dificuldades, exceptuando a curva final, onde alguns participantes ficaram indecisos entre seguir pelo estradão ou entrar pela vegetação a dentro, pois iam lançados.
Na subida para a Azambujeira estava bastante pessoal a assistir à prova, parecia as etapas da Serra da Estrela da Volta a Portugal, com os adeptos a incentivar os atletas. Apesar disso, foi nesta fase que perdi o contacto com a roda do Ricardo, pois tinha de tentar baixar um pouco o ritmo cardíaco.
Tentei assim encontrar um grupo que tivesse um ritmo interessante, e consegui, mas infelizmente esse grupo uns km’s mais à frente, nos Casais do Paul, seguiu para o percurso dos 40 km’s, deixando-me sozinho.

Nuno Lima, sempre a marcar o ritmo

Consequentemente tentei manter um ritmo o mais constante possível pois estava-mos quase a entrar na fase mais plana do percurso, ou seja, aquela de que tinha mais receio, pois é o terreno onde sou mais fraquinho.
Depois de passarmos em Almoster, ainda fizemos mais umas subidas complicadas, não pela distância, mas pela inclinação, na zona de Casais de Santa Maria, Vila Nova do Coito e Quinta da Matinha.
Nesta fase do percurso começávamos a fazer o regresso a Santarém, quase sempre em terreno plano, mas em ritmo muito elevado, sem grande hipótese de repousar, pois seguia num grupo pequeno. Para compensar passei a ter companhia das cãibras.

Se tivessem com cãibras, queria ver a vossa cara

No Alto do Vale de Santarém fomos presenteados com o tipo de terreno característico daquela zona, parecia uma etapa do Dakar, com o pessoal a atascar nas areias do deserto. Eu como ia com cãibras, ia a sofrer como o caraças, pois em areia tem de se pedalar com elevada cadência, o que me custava bastante.
Como se não bastasse a areia ainda tivemos de fazer uma subida de 100 metros, na zona das condutas da EPAL no Vale de Santarém, que tem uma inclinação terrível.
Depois foi quase sempre a rolar até ao CNEMA, em sofrimento, mas ansioso por terminar. De consolação servia passar por muito pessoal dos 40 km’s que iam bastante pior que eu.

No final consegui terminar em 78º lugar (sendo que o ano passado havia sido 6º) a menos de uma hora do 1º classificado.
O João Almeida foi 231º pois optou por fazer uma versão lazer da Maratona da companhia de um amigo.
O Filipe foi 103º nos 40 km’s.
O Ricardo em substituição do nosso Velhinho, foi penalizado por não ter feito a distância para qual estava inscrito, mas acabou à minha frente.

O Grande José "Mota" Pereira, o novo seleccionado nacional


De destacar ainda o 65º lugar do José Pereira a comprovar o nível altíssimo que demonstrou este ano.
O Nuno Lima foi 112º, o Tiago Nunes 136º e o João Nunes 137º, também com boas prestações.

No final da Maratona seguiu-se o almoço na companhia do José Pereira.
Depois uma vistoria às máquinas que estavam em exposição no Festival Bike, na companhia adicional do Sérgio, do José Carlos, do Filipe e do Orlando.
É com algumas fotos dessa visita que encerro esta crónica:


A bike mais bonita da Especialized


A Especialized tinha uma pista para os mais pequenos poderem fazer o gosto ao pedal. Neste caso quem sai aos seus..... Ponham os olhos nesta miúda, pois vê-se que tem os genes do pai.

Por mais que tentem não posso deixar de classificar a nova Epic como feia

Estes italianos sabem fazer bikes, mesmo que sejam de estrada.

Idem

Esta bike é muito porreira, e não precisam de mudar o quadro todos os anos

Uma das sensações de 2008

Sem comentários

Sem comentários parte II

Vinda directamente dos Jogos Olímpicos de Pequim

Só faltava estes meninos pedirem uma destas ao Pai Natal...

Santarém - 19 de Outubro de 2008

Na preparação para mais uma Maratona do Festival Bike de Santarém, convidei alguns amigos para pedalarem nos belos trilhos de Santarém e assim ficarem a conhecer o percurso dos 40 km’s.
De realçar o facto de o Filipe e o Agostinho terem respondido afirmativamente à chamada, coisa nunca vista, pois finalmente passaram a distância mítica de 60 km’s à volta de Mação da qual habitualmente nunca saem. Compreende-se, pois quem tem os Bandos à porta não precisa de ir para outras paragens para ter adrenalina à séria.


O nosso Velhinho na sua 1º aparição em Santarém

Presentes estiveram também o José Carlos, o José Pereira e o Sérgio, que por esta altura andavam com um andamento de campeões, embora apenas o José Pereira participasse na Maratona.
Do grupo de Santarém com quem costumo pedalar apenas esteve presente o Tiago Nunes.

A volta efectivamente começava mais ou menos ao km 15, na subida para Vila Nova da Babeca, infelizmente alcatroada pelo Presidente da Câmara de Santarém Sr. Moita Flores, que a um ano das eleições resolveu começar a colocar macadame em tudo o que é estradão de terra batida no concelho.
Depois da passagem pela A15, nova subida, junto à Pista de Motocross da Moçarria, sendo que nesta altura o Filipe e o Agostinho apenas perguntavam onde estavam as subidas, pois estão muito mal habituados.
Esta fase do percurso é para mim a mais interessante, com a descida da Póvoa do Conde até à zona da Ribeira das Alcobertas, que para mim é das mais bonitas de toda a região.
Após a passagem da Ribeira tinha início aquela que é para mim a subida mais difícil de todo o percurso para os Casais Porto de Oliveira, sendo que nesta fase o José Pereira resolveu seguir sozinho num ritmo fortíssimo.
Após reagruparmos o grupo seguimos por uma descida espectacular, paralela à A15, que é feira a fundo, a cerca de 60 kms/h.

Do programa de festas constava ainda a subida à Azambujeira, com cerca de 700 metros, e que consiste em duas paredes praticamente seguidas, sem grande espaço de recuperação.
Nesta aldeia parámos para abastecimento e seguimos em direcção aos Casais do Paul.

O Sérgio e o Tiago na paragem para reabastecimento

Após a passagem pelos Casais do Paul, passámos no sigletrack de Almoster, que não constou do percurso da Maratona, mas que é um dos melhores de toda a região.
Finalmente dirigimo-nos para Santarém, que o Filipe e o Agostinho ainda tinham de regressar a Mação e já se começava a fazer tarde.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Palmela - 18 de Outubro de 2008

Uma semana depois da Póvoa do Varzim, voltei a pedalar com o José Pereira e o José Carlos, desta vez em Palmela.
Também presentes estiveram o Sérgio e o Ricardo Madeira (que fez connosco a Grande Rota das Aldeias Históricas).

O José Pereira, desta vez foi o nosso guia na zona da Arrábida, que viemos a comprovar, é espectacular para a prática do btt. E foi um guia de alto nível. Ele tem jeito para a coisa.

Começamos nas encostas do Castelo de Palmela, num singletrack espectacular, não muito técnico, mas sempre a subir e descer.
Como neste fim de semana comemorava um ano sobre a fatídica queda que me levou a estar uma temporada no estaleiro, resolvi dar um valente tralho, com direito a mortal, mas a aterragem não foi de pé e uns arbustos amparam a queda.

Depois do singletrack subimos para Palmela, por um estradão, chamado a Cobra, e depois seguimos para uma das Serras da zona de Palmela, onde passámos em mais alguns singletracks, desta vez já com alguma pedra à mistura.
Na parte final desta serra apanhámos um sigletrack designado por Fio Dental, pois é bastante estreito, sempre ao longo de uma encosta. Tal como o outro, espectacular.

Depois entrámos na Serra da Arrábida propriamente dita, com estradão e algumas subidas mais extensas e complicadas. No final mais alguns singletracks, desta vez no meio da vegetação densa, com algumas descidas bastante complicadas, com o terreno irregular, mas espectaculares.

A 3ª parte da nossa viagem foi na Serra junto à cimenteira do Outão, com mais umas subidas complicadas e singletracks q.b. no meio de vegetação.
No regresso, tivemos uma subida que tinha brita solta que nunca mais acabava, e era literalmente um calvário. Inclusivamente estava cheia de artefactos religiosos que simbolizavam o calvário. Mas a vista sobre Setúbal e Tróia era espectacular.

Vista sob Tróia e a foz do Rio Sado
Já vimos que é Tróia, não era preciso apontar
A parte de trilho da volta terminou numa zona junto ao mar, na foz de uma ribeira e onde há um parque de merendas.
O regresso a Palmela foi por alcatrão, passando por Setúbal.
A subida final para Palmela foi novamente pela Cobra, tendo ficado para trás, enquanto o Sérgio e o José Pereira iam num ritmo diabólico com o José Carlos e o Ricardo um pouco mais atrás.

No final o meu comentário para o nosso guia, o José Pereira, foi que melhor que aquilo que fizemos naquela manhã, só uma mulher, ou então várias.
Foi uma volta espectacular, e como diria o saudoso Padre Ramiro: “ Assim vale a pena.”

Sardoal - 12 de Outubro de 2008

No dia seguinte à Póvoa do Varzim, e por imposição da Direcção do BTZ, desloquei-me ao Sardoal, para a 1ª Maratona desta vila.
Isto de ter um jersey com patrocinadores tem as suas responsabilidades, e assim depois de um dia mau, lá fui eu novamente para a luta.

Desta vez marcaram presença pelo BTZ Mação, eu, o Chefe de fila e o nosso Velhinho (Agostinho).

A maratona tinha apenas 50 km’s, e não apresentava uma altimetria muito elevada, pelo que não se esperavam muitas dificuldades.
Para contrabalançar isso o dia amanheceu chuvoso, o que veio a complicar a fase inicial da prova, principalmente na habitual volta pela localidade, que tinha algumas partes de empedrado.

Logo no início o Filipe saiu num ritmo louco tentando acompanhar os atletas da frente, eu mais conservador, segui com o Agostinho, tentando desta vez evitar o descalabro da véspera.
As incidências desta prova começaram praticamente no início, dado que numa das primeiras descidas encontrámos o Sérgio Breites a levantar-se após uma queda que felizmente apenas lhe deixou algumas escoriações como sequela. Eu e o Agostinho parámos para ver como ele estava, e dado que os Bombeiros do Sardoal estavam por perto, seguimos caminho.

Os primeiros 15 km’s não eram muito acidentados, dado que andámos nos vales de algumas das ribeiras do concelho do Sardoal.
Na primeira subida digna de registo, que era curta mas com forte inclinação e alguma pedra solta, resolvi aumentar o ritmo, pois ia a sentir-me bem.

A caminho da separação entre o percurso mais longo e mais curto passámos num singletrack muito porreiro, muito rápido, sempre a descer, não muito técnico.
Diria que foi um dos pontos altos da maratona.

Na parte final do sigletrack, vê se a cara de felicidade deste gajo

Após a separação, seguimos na direcção de Cabeça das Mós, com mais uma subida tramada na chegada a esta localidade.
Depois passámos na zona de Entrevinhas a caminho da Mãe D´Água, que é um local muito bonito, onde tivémos de desmontar das bikes para passar num dique numa ribeira.
Nessa zona voltei a ver o Filipe, mas ainda a alguma distância.

No início de uma subida bastante inclinada, felizmente não muito longa, apanhei o Bifa, figura cimeira do btt de Abrantes (e não é pelo andamento), apenas suplantado pelo grande Chamusco.
Como não estava com muita paciência para ouvir os habituais comentários que o Bifa profere resolvi aumentar ainda mais o andamento, até porque estava desertinho para apanhar o Filipe.


Praticamente só há fotos do sigletrack

Nessa fase do percurso seguíamos na direcção de Alcaravela, sendo que um pouco antes da zona de Santa Clara apanhei finalmente o Filipe, que ia, nesta fase da maratona, num andamento um pouco mais lento.
O percurso, após uma zona de terreno mais acidentado, com muitas subidas e descidas, entrou à passagem pelos Panascos, numa fase com declives mais suaves, mas quase sempre a subir, pelo menos até passar por cima da N2. Nesta parte fui sempre sozinho, tentado impor o ritmo mais forte que conseguia, para tentar ainda alcançar algum atleta que estivesse em quebra na fase final da maratona.

Para variar, mais uma foto da parte final do singletrack

Após a passagem por cima da N2, o terreno voltou a ser mais acidentado, e à passagem pela povoação de Mivaqueiro voltámos a ter uma subida digna desse nome, e voltei a ter companhia, mas por pouco tempo.

Até chegarmos ao Sardoal, voltámos a ter mais uma subida, curta, em alcatrão, e que deu algum trabalho, até porque ia picado com um gajo que entretanto tinha alcançado e que estava renitente em ficar atrás de mim na tabela classificativa.

Na aproximação final ao Sardoal consegui finalmente deixar o gajo para trás. Estranho andar a lutar por um lugar na classificação final, quando se é quadragésimo e qualquer coisa. Mas assim não se tem de ouvir o Chefe de fila a reclamar.

Fiquei surpreendido por a Maratona ter corrido bem, pois não foi o escândalo da Póvoa do Varzim.
Deve ter sido dos ares dos Bandos, pois a proximidade face a Mação é grande.

A participação do BTZ Mação nesta Maratona foi positiva, pois o Filipe recuperou o seu andamento na fase final chegando logo a seguir a mim.
Já o Velhinho optou pela versão passeio da Maratona, tendo chegado ainda assim não muito tempo depois.

Foi uma Maratona porreira, com uma distância não muito longa, com um acumulado não muito elevado e com alguns locais porreiros, principalmente o singletrack.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Boas Festas do BTZ Mação


Nesta quadra natalícia, gostava em nome do BTZ Mação de desejar a todos aqueles que têm por hábito visitar o nosso blog (leia-se 3 a 4 pessoas) Festas Felizes, um bom Natal e um óptimo 2009.
Como "presente de Natal", dado que não tem nevado em Mação, deixamos 2 fotos dos nossos Bandos, presença constante nos nossos passeios.

PS: Nas próximas semanas esperamos terminar a actualização das crónicas das nossas últimas aventuras de 2008 e um balanço das actividades do BTZ neste ano que passou.

domingo, 14 de dezembro de 2008

19ª Tróia Sagres - 13 de Dezembro


A ligação de Tróia a Sagres por asfalto com bicicleta de BTT, começou à 19 anos atrás quando o António Malvar a realizou pela primeira vez. A este propósito disse um dia: "Quando fiz 40 anos, o que aqui entre nós, não foi assim há tanto tempo, estabeleci para mim próprio um teste anual para contrariar a sensação de velho que minhas filhas já adultas me faziam sentir." A.M..
Este passeio foge a todas as regras de qualquer organização, começando logo por não ser uma organização, mas mesmo assim atraiu este ano de 2008 pelo menos 500 ciclistas que de uma forma mais ou menos organizada e mais organizadamente do que se duma organização se tratasse lá se desafiaram para ir até Sagres.


Eu já sabia da realização deste passeio à alguns anos e em 2007 estive quase para ir, mas não deu. Ficou agendado para 2008 e seguintes. E assim foi. Sem nenhum dos companheiros habituais de pedaladas, que por diversas razões não se puderam apresentar: exames, compromissos familiares ou sociais, etc.





Parti às 5:30 de Santarém para apanhar o Ferry às 6:45 em Setúbal. A chuva pelo caminho já se fazia sentir e como a tendência era de agravamento, interessava-me partir o mais cedo possível. De Lisboa para Setúbal fui ultimando o equipamento, e quando cheguei ao cais de Setúbal foi só montar a BIANCHI que até o capacete já ia colocado. A Elsa perguntou-me uma última vez “Não parou de chover desde Santarém, queres mesmo ir ?” - SIM CLARO!. - Um beijo e tem cuidado. - Boa viagem de regresso para ti para Santarém, eu depois telefono.

Entrei para o Ferry à hora prevista. Estava pela minha frente uma aventura de 200 km, sem assistência. Mas não estava só, eram já umas dezenas os que fizeram a travessia a essa hora para Tróia, ainda de noite.


Meti conversa com um grupo que estava por ali já equipados. Eram de Setúbal, alguns já batidos, outros noviços, de BTT, ou Looks estradistas, GPSs, pouco equipamento, de tudo. Afinal o típico neste passeio. Conferidos os planos para 7 horas de percurso, combinada a partida, atraca o ferry, reúne-se o grupo, visto o impermeável porque já estava a chover e parte-se.

Nesta altura a confusão era elevada. Ainda lusco fusco, chuva miudinha eu sem conhecer o caminho nem quem ía seguir. Mas lá fui par a par com um de calças brancas e sem capacete. Fazem-se os primeiros kms, e o ritmo era elevado. Talvez fosse do frio, falta de aquecimento ... dei por mim a pelar a 30-35 kms/h, com o coração a 175-180, e muitos grupos a serem ultrapassados, também não era para menos. Dos bikers de Setúbal já só o de calças brancas e eu. Quase com uma hora de passeio resolvi abrandar um pouco, tomei uns sais e deixei-me integrar num grupo de 4 companheiros de Leiria que já tinha ultrapassado.

Entrei no grupo, coloquei-me inicialmente numa segunda linha e fui metendo conversa. O ritmo era forte, mas as 170-173 ppm, já me davam mais garantias de “sucesso futuro”. Como estava o dia, com chuva e vento e eu sem assistência, não podia “adormecer” no inicio porque poderia-se tornar num calvário, como aconteceu com muitos outros. À mínima distracção lá ia embora o Joaquim, que manteve sempre um ritmo fabuloso.

Cedo decidi que não me iria afastar destes companheiros, assim tivesse pernas para tal. Lá fomos ultrapassando uns e outros, os que aguentavam ainda ficavam na roda. Na via rápida para Sines estava eu, o Joaquim e o Carlos na frente de um pelotão com mais de trinta ciclistas. Parecia um enxame dizia outro. Muitas vezes me vieram à memória as imagens televisivas de provas ciclistas com os atletas e respectivos carros de apoio. Tal e qual aqui. Fantástico!!

Durante muitos momentos dei tudo o que tinha, e nos restantes fui a 95%-98%. Isto em termos de esforço percebido porque o meu cardiofrequencímetro após 2h de percurso parou (a água que eu tinha vestida deve ter feito uma barreirazita às radiações ...) .. E eu a pensar, “nunca me vi numa destas, sem registo cardíaco e com a dúvida se acompanhar este grupo nestas condições iria ser a minha sorte ou o meu azar”. Agora posso afirmar que foi sem dúvida, a melhor opção.

Pelo caminho ficaram bastantes horas de boa disposição e de imagens pouco comuns nos outros dias de pedaladas. Uma boa disposição generalizada nos vários grupos que iam ficando para trás. Partida completamente desorganizada, já eu estava a chegar à Comporta ainda iam carros com bikes para Tróia. À medida que nos aproximávamos da “frente da corrida” ou seja o primeiro grupo na estrada, quem era ultrapassado ia na nossa roda durante o tempo que aguentava. Estas imagem foram uma constante na via rápida antes de Sines, com a sensação de se ir na frente de um comboio de companheiros e respectivos carros de apoio. Gostaria muito de ter um pequeno vídeo das imagens de helicóptero desses momentos. .... mas as condições climáticas não possibilitaram o descolamento da aeronave .....

Até Sagres ainda me lembro da primeira paragem para o xixi da ordem, 3:00 após partir, em que o Joaquim disse “eu vou parar” e TODOS pararam, éramos já só 6, e respectivas comitivas. Ninguém se quis adiantar. Ao todo foram três os stop-xx e de três minutos no máximo. Vestidos com 5 kg de água era arriscado ficar muito tempo parado. Muito mais tarde fomos passados por um comboio de gente, aí uns 20, com as asfálticas a marcar o ritmo e muita gente na roda. Alguns eram dos duros do pedal de Algueirão, outros dos ADNTrilhos de Vendas Novas, NaturaTrilhos, o calcinhas brancas, etc. Disse-nos o companheiro da carrinha de apoio do Carlos, que os fulanos iam num autêntico comboio com rotação de 2 em 2 minutos. Prós e valentes.

Os últimos 50km foram marcados por muito muito vento. As várias subidas desta parte do percurso foram passadas sem dificuldades adicionais. Mas o agravamento das condições climáticas era notório. Até nas descidas se tinha que pedalar. Uma surpresa que tive foi o facto de ter feito quase 1400m de acumulado, quando só existem quatro montitos com cerca de 100 de ascensão. Talvez tenha sido da chuva e do vento, mas a sensação é de uma contínua subidita de Troia a Sagres, e eu a pensar que para sul a força da gravidade ajudava ...

A chegada a Sagres foi marcante. Aquela interminável recta de 8 km que me parecia ser sempre a subir e teoricamente é a descer, chuva miudinha a diminuir o campo de visão, muito muito vento de Sudoeste - quase de frente, não havia pontos de referência que se sentissem que estavam a ser ultrapassados. Estava a pedalar para Sagres mas sem sentir que estava a chegar, estranho e terrível. O fim estava já ali, mas tal como todo o dia não era agora que ia ser fácil. Ia-mos a 22-24 km/h, no passado anos eles passaram aqui a 60 !! Para distrair o Carlos disse: vou apanhar o velho, um dos de Setúbal com quem falei no barco e que tinha descolado de nós após ter vindo na roda 15km, pôs garra nas palavras e eu e Joaquim tivemos que aguentar. Acabar a 100%. Sempre gostei de terminar com força e em força. Reflecte um bom planeamento da jornada e uma gestão cuidada do esforço.

Cheguei a Sagres às 15:20, e não eram mais de vinte os que já lá tinham chegado a essa hora. Bicicletas eram muitas mas de pessoal que resolveu encurtar a tirada. Desde Sines que começaram a passar por nós, colocadas nas grades dos carros.

A pedalar foi das 7:20 às 15:20, com 3 curtíssimas paragens, uma média que foi dos 30 km/h inicias até aos 25 km/h globais, em 196,9 km.

Na memória fica a sensação de um enorme esforço, ao longo de quase 8 horas de muito adversas condições climáticas, mas com uma resposta sem igual em termos desportivos e atléticos. Nunca peladei tanto tempo num nível de esforço tão elevado assim como em condições tão adversas. Mas o balanço foi extremamente positivo.

Fiz o meu primeiro Tróia - Sagres, no ano mais difícil da sua história. E para o ano na 20ª edição espero igualmente lá estar, e ver por lá quem está a ler estas palavras !!!


Para trás ficaram várias histórias que nos iam ajudando a manter a boa disposição:

... agasalha-te bem querido, agasalha-te ...

... a pela das jamaicanas é tão macia ...

... o boquinhas que ficou com o pedal a desapertar quanto teve que puxar ...

... um ou dois fulanos coladinhos às carrinhas de apoio, ou não queriam ver a paisagem ou com corta vento ia-se melhor ...

... as nossas mulheres não se importam muito que a gente venha pedalar porque assim sabem o que estamos a fazer ...

.... e muitas outras ...


… Um grande muito obrigado para a minha Elsa. Para tornar possível este dia de pedaladas, a Elsa fez cerca de 800km. 5:30 Santarém – Setúbal – Santarém. 14:00 Santarém - Sagres – Santarém.



Encontrei estas palavras do António Malvar no seu artigo de 2005 intitulado “Tróia - Sagres um sucesso inexplicável” – “É assim o Tróia Sagres, algo que ultrapassa os convencionalismos, é uma manifestação espontânea de pessoas que movidos pela alegria de andar de bicicleta se submetem ao teste de saber se conseguem atingir essa Sagres distante, e que não vão nem por prémios nem por festa, alinham neste anti-organizado evento para se vencerem a si próprios e o seu único prémio é a visão da placa de Sagres à beira da estrada e a sua festa é interior e espelha-se nas lágrimas de alegria que escorrem dos seus rostos à chegada.

E este ano de 2008, pela 1ª vez em 19 anos, o Homem que deu início, sozinho, a um "movimento" sem igual no panorama das bicicletas no nosso país, não cumpriu o seu objectivo.


Fica ainda a reportagem do Nuno Amaral da BTT-TV


João Almeida

Santarém, 14 de Dezembro de 2008


Como não tenho mais fotos, ficam aqui algumas ligações a outros blogs.

Vejam as fotos e as palavras elogiosas e de desepero que por lá estão... blogs


http://www.forumbtt.net/index.php?topic=48752.0

http://www.projectobtt.com/index.php?option=com_smf&Itemid=78&topic=10742.msg190206;boardseen#new

http://ac-trilhoseaventuras.blogspot.com/2008/12/xix-troia-sagres-loucura.html



segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

11 de Outubro 2008 - Maratona Póvoa do Varzim

Prefácio:

Em semana de crash nos mercados financeiros também eu tive um comportamento semelhante ao das bolsas de valores, com um valente crash de rendimento desportivo.

A participação nesta maratona estava agendada há muito tempo no nosso calendário, pois em Julho aquando da primeira incursão no norte, em Fafe, tinha ficado o desafio de participar na Maratona da Póvoa do Varzim.

Na sexta-feira, eu, o José Carlos e o José Pereira rumámos a norte, desta vez desfalcados do Sérgio, que não pôde estar presente.


Crónica propriamente dita:

Na manhã de sábado, após o pequeno-almoço e habituas preparativos para a prova metemo-nos a caminho da Póvoa, cuja maratona de btt tinha perto de 2.000 inscritos, entre distância longa e curta.

Na zona de partida encontrámos os amigos de Chaves do José Carlos, que são um grupo de bttistas de alto nível, quer pelo forte de andamento que têm (malta transmontana é malta rija), quer por serem porreiros.

A organização prometia um evento de qualidade, e não defraudou as expectativas. Para começar tivemos direito a massagem, sem encargos adicionais.
Diz quem sabe, que dá imenso jeito uma massagem antes das provas, para promover o aquecimento muscular. Eu, sinceramente não dei por nada.

Desta vez partimos mesmo junto aos primeiros, lado a lado com algumas das estrelas do btt nacional, como o Rui Lavarinhas.
A partida foi um pouco confusa, e dado que os primeiros km’s eram em alcatrão, para dispersar toda aquela gente, a velocidade foi logo elevadíssima.

Aspecto da partida, com os 2 mil participantes alinhados para o grande momento

A minha estratégia, dado que não queria repetir o erro da semana anterior na Moçarria, passava por procurar aquecer bem, evitando ao máximo um desgaste prematuro. Procurando encontrar o meu ritmo na fase inicial, para depois, na segunda metade da maratona andar mais rápido, até porque não conhecia o percurso.

Uma das subidas mais complicadas do percurso, percebe-se porquê

Na primeira parte o percurso tinha algumas subidas com inclinações significativas, não muito longas, mas que iam fazendo mossa.
Com o decorrer dos km’s fomos também apanhando alguns locais onde existia alguma lama e outros onde se verificaram engarrafamentos de bttistas, pois os grupos que se formavam eram numerosos e quando alguém desmontava, todos os outros que o seguiam eram obrigados a fazer o mesmo.


A segunda parte da maratona foi a que mais me agradou e onde me diverti mais, essencialmente por ser a mais técnica, com alguns singletracks espectaculares, em eucaliptais e outros com imensa pedra. Mas também pelas belas paisagens que pudemos desfrutar, junto a algumas ribeiras.
O Zé Carlos num dos singletracks mais técnicos

Eu na fase mais interessante do percurso, os singletracks

Nos singletracks verificaram-se também alguns engarrafamentos, pois no norte também há muita malta que quando vê alguma zona mais técnica desmonta primeiro e vêm se dá para passar montado na bike depois.


A terceira parte da maratona, após a separação dos 40 e 80 km’s foi a que me correu pior, pois foi aí que se deu o descalabro, dado que não conseguia aumentar o andamento de forma significativa, dado que me sentia fatigado.
A acrescer a isso, andei alguns km’s perdido, tendo de fazer parte do percurso em sentido inverso para passar num dos controlos. Este facto atesta de forma inequívoca que não era o meu dia. Foram cerca de 10 minutos de tempo perdido graças a uma distracção, que posso classificar de ridícula.
Não me esqueço da perplexidade do José Carlos quando me cruzei com ele.
O terreno era um pouco diferente, essencialmente em estradão, e com um sobe e desce constante, que não permitia grande recuperação dos momentos de esforço mais intenso, que para mim nesta altura eram praticamente todos.


Na última parte da maratona tentei seguir uns atletas da Casa do Povo da Retorta, o que só veio agravar o meu mau momento do ponto de vista físico, pois durante perto de 10 km’s andei a um ritmo superior ao que devia.
Definitivamente era um dia mau.
Nesta altura já nem as descidas que fizemos, algumas delas com forte componente técnica me davam prazer, pois já só pensava em chegar ao final.
Ainda assim há que fazer referência a uma subida super técnica, para a Cividade de Bagunte, pela quantidade de pedra solta que tinha, mas que ainda assim era ciclável.

A subida para a Cividade de Bagunte

No último abastecimento, estive parado alguns 10 minutos a comer e a beber calmamente (pois os abastecimentos eram 5 estrelas) e a tentar arranjar força para os últimos km’s, que felizmente não tinham grande dificuldade.
Nesta altura seguíamos no sentido do litoral, sendo a parte final novamente em alcatrão, mas que parecia nunca mais acabar.

Tal como referido acima, a organização procurou proporcionar um evento de qualidade aos participantes, pelo que após o banho, novamente massagem, para promover uma recuperação mais rápida.
A verdade é que após a massagem fiquei muito melhor, embora não completamente restabelecido.

O almoço decorreu na Praça de Touros da Póvoa do Varzim.
Estranha escolha, mas assim permitiu que um tão numeroso grupo de pessoas pudesse almoçar sem problemas de espaço.A comida consistia em porco no espeto, que estava bom, e foi na companhia do pessoal de Chaves, um grupo de pessoal que pela unidade de medida de Mação, poderia ser classificado como porreiro como o c######.

O famoso porco no espeto

Depois do almoço, houve quem fosse à praia dar um mergulho em pleno Outubro, ou simplesmente até ao areal.

A praia da Póvoa do Varzim

O balanço desta participação foi negativo, pois o andamento demonstrado foi muito fraco, fruto do cansaço acumulado de um ano bastante intenso.

No entanto gostei da maratona, que veio confirmar a minha teoria, de que as maratonas no norte do país são de inegável qualidade, bem organizadas, os percursos são de alto nível, com zonas variadas e capazes de agradar a todos, excepto para aqueles que apenas gostam de ciclismo de estradão.
O ritmo geral da malta do norte é forte, não é por acaso que os gajos dizem que no norte é que se trabalha. Também no btt eles parecem adoptar essa máxima.

Se tudo correr bem espero poder participar novamente para o ano.

Não faço referência à minha classificação e tempo dispendido, pois foram muito maus.
É preferível chamar a atenção para o 29º lugar do José Pereira, que está com um andamento de campeão, a cerca de 1h do Rui Lavarinhas (o vencedor) e para o 84º lugar do José Carlos, que como é normal, demonstra o porquê de ser um grande atleta.

Finalmente os agradecimentos, que já tinha saudades deles.
Para o Sr. António Machado, Miguel Machado e Joana Machado, pela cedência das instalações para a pernoita de sexta-feira.
Finalmente gostava de deixar uma palavra ao José Carlos por mais este desafio, e adicionalmente ao José Pereira pela companhia em mais uma jornada de luta.

Site da organização: http://www.school-eventos.com/maratona

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

5 de Outubro de 2008 - Maratona da Moçarria

Após ter faltado à 1ª Maratona da Moçarria, realizada em 2007, este ano não faltei à 2ª edição deste evento.

A organização prometia uma maratona com um percurso acessível em termos de altimetria, no entanto não estavam presentes muitos atletas. Era o primeiro sinal para o que aí viria.
Apesar disso, marcaram presença algumas das “estrelas” do maratonismo de btt da zona de Santarém e arredores.

Do grupo de pessoal de Santarém ninguém esteve presente, mas o José Carlos, veio de Samora Correia para medir forças com esta maratona.

O início, em zonas quase todas conhecidas, foi feito completamente á maluca, pois ia com a ideia de que o percurso seria “fácil”. Primeiro grande erro.
Da Moçarria descíamos para o Baixinho e entrávamos na zona que pode ser designada por Bairro. Passámos por Casais de São Brás, Paço e Azóia de Cima, onde se efectuava a separação dos 40 e 80 km’s.
Nesta fase tivemos algumas subidas com um grau de exigência física razoável, e uma descida, para a aldeia da Carvoeira, onde desmontei, pois metia algum respeito.
Para ajudar à festa começaram também aqui os enganos, dado que algumas das marcações eram por assim dizer, um pouco deficientes, principalmente para quem está habituado a eventos com um certo grau de qualidade.
Podem argumentar que é igual para todos, é verdade, mas o Ori-BTT é outra modalidade, que se eu quisesse praticar, inscrever-me-ia nas respectivas provas.

Depois da Carvoeira, o terreno mudou por completo, pois entrámos na zona de pinhal e eucaliptal, que vai até à zona da Aldeia da Ribeira.
O piso nalgumas zonas tinha bastante areia, para infelicidade do José Carlos, e era caracterizado por um sobe e desce constante, que desgastava bastante.
Nesta segunda parte, começaram a aparecer algumas zonas mais técnicas, como dois singletracks no meio de eucaliptos, onde por vezes fazíamos razias aos troncos das árvores, ou ao contrário.
Esta fase da maratona levar-nos-ia até Povoas, para lá de Fráguas, bem perto de Rio Maior e que marcava o início do regresso.

Esta parte da maratona foi bastante complicada para mim, pois resolvi tentar seguir um grupo de malta da “perna rapada” que entretanto tinha passado por mim, num ritmo fortíssimo. Segundo erro e mais tarde iria sofrer as consequências dessa loucura.

Esse grupo acabou por ser desmembrado pelo facto de um desses meninos ter tido um furo e parte do pessoal ter ficado para trás para o ajudar.
Eu segui com o que restava do grupo, que eram os mais calminhos, mas sempre a ritmo superior às minhas capacidades.
Perto do km 60, não muito longe da Sra. da Escusa, começou o calvário. Primeiro comecei a ficar de rastos e sem capacidade de seguir os outros elementos do grupo, apesar disso, segui teimosamente na roda deles.
Ainda por cima, já perto do Engarnal, novo engano, desta vez colectivo, causado por um rebanho de gado caprino, e que me obrigou a fazer mais 3 km’s e a ficar sem capacidade de reacção. Estava exausto e só me apetecia apertar o pescoço de alguém da organização, pois o percurso de fácil e acessível não tinha nada.

Apesar da falta de capacidade física, ainda deu para aproveitar um singletrack a meia encosta da A15, que é quase todo ciclável e não é mais espectacular apenas por isso.
Finalmente subíamos para a Moçarria, pela zona da Vila Nova da Babeca, naquilo que era o empeno final.
Nesta altura já só queria chegar ao final.
Para acrescentar mais surrealismo a esta subida, aparece-me um gajo a correr no sentido descendente a perguntar se tinha visto um atleta com o equipamento do Benfica (mais à frente veremos porquê).
Acho que nem tinha forças para responder ao indivíduo, pelo que continuei a pedalar.

No que diz respeito à classificação consegui um 18º lugar, no entanto a cerca de 1h12m do primeiro, ou seja, para lá da 1h que costumo definir como objectivo. O José Carlos acabou logo a seguir em 22º lugar, fruto de ainda não ter conseguido atinar com os percursos com areia. Está a fazer falta um estágio sobre areias em Santarém.
Já depois do final é que percebemos o problema do atleta do Benfica. Fruto dos enganos, que aparentemente afectaram muita gente, ele conseguiu transformar uma maratona de 80 km’s em 112 km’s.
Até no BTT os atletas de duas rodas do Benfica estão sempre a enganar-se. Só faltava dizer que não o tinham deixado ganhar e que estavam todos contra ele.

O balanço final desta maratona não foi o melhor, e para o ano duvido que volte a estar presente, pois a organização deixou bastante a desejar, principalmente em termos de marcações.
Para além disso, não houve qualquer indicação de como seria o percurso, sendo que os comentários de alguns membros da organização induziram em erro.
Hoje em dia, qualquer organização, mesmo aquelas que não dão prémios monetários aos primeiros classificados, disponibiliza os tracks de GPS e perfil de altimetria da maratona.
Talvez devessem primeiro cuidar dos aspectos básicos da organização destes eventos e depois tratarem de dar prémios aos vencedores.

domingo, 16 de novembro de 2008

Mação - 28 de Setembro de 2008

Uma semana depois, voltei a Mação, para mais uma volta com o BTZ Mação.
Isso deve ter sido estranhado pelo resto dos elementos do grupo, pois após uma ausência de quase um mês, fui a Mação 2 fins-de-semana consecutivos.
O plantel desta vez estava reforçadíssimo. Para além dos habituais Filipe, Agostinho e Orlando, estiveram presentes eu, o Nuno e o Patusco (que veremos a seguir quem é).

A volta começou em alcatrão até ao Alto do Pereiro, para efectuar o aquecimento.
Uma vez aí chegados, entrámos finalmente no trilho, direitos ao Bando de Codes. Para variar este foi efectuado ao longo da encosta, poupando assim as belas subidas do Presunto ou das Eólicas, mas já com uns topos, com muita pedra solta, que dão que fazer e permitem terminar o aquecimento.

Depois descemos para a zona da Aldeia d’ Eiras e seguimos por alcatrão até às imediações da Serra da Amêndoa, onde fizemos mais uma subida, de grau de dificuldade elevado. Mais uma para o nosso catálogo.
Seguidamente seguimos para a zona da Ribeira da Pracana, onde apanhámos novamente alcatrão até ao Freixoeiro.

No Freixoeiro parámos para reabastecimento, que incluíu um roubo de figos (que estavam mesmo junto à estrada), e para que alguns membros do BTZ pudessem experimentar bikes em condições.

O Nuno no reabastecimento do Freixoeiro e dos figos

O Agostinho e uma bike a sério.

Sem comentários. Ainda acabas por largar a Especialized.

Nessa paragem juntou-se a nós o Patusco, um cão abandonado que por ali andava.

Depois seguimos pelo Freixoeirinho, subindo a encosta da Serra de Santo António. Nesta subida o Patusco teve um desempenho de alto nível, pois conseguiu ser mais rápido que alguns dos membros do pelotão.
Chama-se a isso instinto de sobrevivência e é algo que não tem grande piada. É lamentável e condenável que haja pessoas que abandonem assim os animais.

Após fazermos parte da cumeada desta Serra, descemos para a Capela, sempre a alta velocidade, pois grande parte dos estradões sofreram intervenções da Câmara Municipal, tendo ficado autênticas auto-estradas.
Na Capela, rumámos para a Praia Fluvial do Carvoeiro, onde efectuámos nova paragem para abastecimento e conversa.

No regresso a Mação seguimos pelo Carvoeiro direitos ao Vale da Mua, tendo depois seguido para o Cabril e Fadagosa, com a bela paisagem da Ribeira do Aziral.
Esta fase final do percurso, da Fadagosa para a Caldeirinha, quer seja por trilho, quer por alcatrão, deixa sempre mossa, que o diga o Nuno, que teve de chamar a assistência em viagem.

Só mesmo a Marta do Ok Telesguro te valeu

Finalmente, 44 km’s depois chegámos a Mação, numa volta, porreira, com algumas subidas e descidas interessantes e o habitual convívio do BTZ.