segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

11 de Outubro 2008 - Maratona Póvoa do Varzim

Prefácio:

Em semana de crash nos mercados financeiros também eu tive um comportamento semelhante ao das bolsas de valores, com um valente crash de rendimento desportivo.

A participação nesta maratona estava agendada há muito tempo no nosso calendário, pois em Julho aquando da primeira incursão no norte, em Fafe, tinha ficado o desafio de participar na Maratona da Póvoa do Varzim.

Na sexta-feira, eu, o José Carlos e o José Pereira rumámos a norte, desta vez desfalcados do Sérgio, que não pôde estar presente.


Crónica propriamente dita:

Na manhã de sábado, após o pequeno-almoço e habituas preparativos para a prova metemo-nos a caminho da Póvoa, cuja maratona de btt tinha perto de 2.000 inscritos, entre distância longa e curta.

Na zona de partida encontrámos os amigos de Chaves do José Carlos, que são um grupo de bttistas de alto nível, quer pelo forte de andamento que têm (malta transmontana é malta rija), quer por serem porreiros.

A organização prometia um evento de qualidade, e não defraudou as expectativas. Para começar tivemos direito a massagem, sem encargos adicionais.
Diz quem sabe, que dá imenso jeito uma massagem antes das provas, para promover o aquecimento muscular. Eu, sinceramente não dei por nada.

Desta vez partimos mesmo junto aos primeiros, lado a lado com algumas das estrelas do btt nacional, como o Rui Lavarinhas.
A partida foi um pouco confusa, e dado que os primeiros km’s eram em alcatrão, para dispersar toda aquela gente, a velocidade foi logo elevadíssima.

Aspecto da partida, com os 2 mil participantes alinhados para o grande momento

A minha estratégia, dado que não queria repetir o erro da semana anterior na Moçarria, passava por procurar aquecer bem, evitando ao máximo um desgaste prematuro. Procurando encontrar o meu ritmo na fase inicial, para depois, na segunda metade da maratona andar mais rápido, até porque não conhecia o percurso.

Uma das subidas mais complicadas do percurso, percebe-se porquê

Na primeira parte o percurso tinha algumas subidas com inclinações significativas, não muito longas, mas que iam fazendo mossa.
Com o decorrer dos km’s fomos também apanhando alguns locais onde existia alguma lama e outros onde se verificaram engarrafamentos de bttistas, pois os grupos que se formavam eram numerosos e quando alguém desmontava, todos os outros que o seguiam eram obrigados a fazer o mesmo.


A segunda parte da maratona foi a que mais me agradou e onde me diverti mais, essencialmente por ser a mais técnica, com alguns singletracks espectaculares, em eucaliptais e outros com imensa pedra. Mas também pelas belas paisagens que pudemos desfrutar, junto a algumas ribeiras.
O Zé Carlos num dos singletracks mais técnicos

Eu na fase mais interessante do percurso, os singletracks

Nos singletracks verificaram-se também alguns engarrafamentos, pois no norte também há muita malta que quando vê alguma zona mais técnica desmonta primeiro e vêm se dá para passar montado na bike depois.


A terceira parte da maratona, após a separação dos 40 e 80 km’s foi a que me correu pior, pois foi aí que se deu o descalabro, dado que não conseguia aumentar o andamento de forma significativa, dado que me sentia fatigado.
A acrescer a isso, andei alguns km’s perdido, tendo de fazer parte do percurso em sentido inverso para passar num dos controlos. Este facto atesta de forma inequívoca que não era o meu dia. Foram cerca de 10 minutos de tempo perdido graças a uma distracção, que posso classificar de ridícula.
Não me esqueço da perplexidade do José Carlos quando me cruzei com ele.
O terreno era um pouco diferente, essencialmente em estradão, e com um sobe e desce constante, que não permitia grande recuperação dos momentos de esforço mais intenso, que para mim nesta altura eram praticamente todos.


Na última parte da maratona tentei seguir uns atletas da Casa do Povo da Retorta, o que só veio agravar o meu mau momento do ponto de vista físico, pois durante perto de 10 km’s andei a um ritmo superior ao que devia.
Definitivamente era um dia mau.
Nesta altura já nem as descidas que fizemos, algumas delas com forte componente técnica me davam prazer, pois já só pensava em chegar ao final.
Ainda assim há que fazer referência a uma subida super técnica, para a Cividade de Bagunte, pela quantidade de pedra solta que tinha, mas que ainda assim era ciclável.

A subida para a Cividade de Bagunte

No último abastecimento, estive parado alguns 10 minutos a comer e a beber calmamente (pois os abastecimentos eram 5 estrelas) e a tentar arranjar força para os últimos km’s, que felizmente não tinham grande dificuldade.
Nesta altura seguíamos no sentido do litoral, sendo a parte final novamente em alcatrão, mas que parecia nunca mais acabar.

Tal como referido acima, a organização procurou proporcionar um evento de qualidade aos participantes, pelo que após o banho, novamente massagem, para promover uma recuperação mais rápida.
A verdade é que após a massagem fiquei muito melhor, embora não completamente restabelecido.

O almoço decorreu na Praça de Touros da Póvoa do Varzim.
Estranha escolha, mas assim permitiu que um tão numeroso grupo de pessoas pudesse almoçar sem problemas de espaço.A comida consistia em porco no espeto, que estava bom, e foi na companhia do pessoal de Chaves, um grupo de pessoal que pela unidade de medida de Mação, poderia ser classificado como porreiro como o c######.

O famoso porco no espeto

Depois do almoço, houve quem fosse à praia dar um mergulho em pleno Outubro, ou simplesmente até ao areal.

A praia da Póvoa do Varzim

O balanço desta participação foi negativo, pois o andamento demonstrado foi muito fraco, fruto do cansaço acumulado de um ano bastante intenso.

No entanto gostei da maratona, que veio confirmar a minha teoria, de que as maratonas no norte do país são de inegável qualidade, bem organizadas, os percursos são de alto nível, com zonas variadas e capazes de agradar a todos, excepto para aqueles que apenas gostam de ciclismo de estradão.
O ritmo geral da malta do norte é forte, não é por acaso que os gajos dizem que no norte é que se trabalha. Também no btt eles parecem adoptar essa máxima.

Se tudo correr bem espero poder participar novamente para o ano.

Não faço referência à minha classificação e tempo dispendido, pois foram muito maus.
É preferível chamar a atenção para o 29º lugar do José Pereira, que está com um andamento de campeão, a cerca de 1h do Rui Lavarinhas (o vencedor) e para o 84º lugar do José Carlos, que como é normal, demonstra o porquê de ser um grande atleta.

Finalmente os agradecimentos, que já tinha saudades deles.
Para o Sr. António Machado, Miguel Machado e Joana Machado, pela cedência das instalações para a pernoita de sexta-feira.
Finalmente gostava de deixar uma palavra ao José Carlos por mais este desafio, e adicionalmente ao José Pereira pela companhia em mais uma jornada de luta.

Site da organização: http://www.school-eventos.com/maratona

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

5 de Outubro de 2008 - Maratona da Moçarria

Após ter faltado à 1ª Maratona da Moçarria, realizada em 2007, este ano não faltei à 2ª edição deste evento.

A organização prometia uma maratona com um percurso acessível em termos de altimetria, no entanto não estavam presentes muitos atletas. Era o primeiro sinal para o que aí viria.
Apesar disso, marcaram presença algumas das “estrelas” do maratonismo de btt da zona de Santarém e arredores.

Do grupo de pessoal de Santarém ninguém esteve presente, mas o José Carlos, veio de Samora Correia para medir forças com esta maratona.

O início, em zonas quase todas conhecidas, foi feito completamente á maluca, pois ia com a ideia de que o percurso seria “fácil”. Primeiro grande erro.
Da Moçarria descíamos para o Baixinho e entrávamos na zona que pode ser designada por Bairro. Passámos por Casais de São Brás, Paço e Azóia de Cima, onde se efectuava a separação dos 40 e 80 km’s.
Nesta fase tivemos algumas subidas com um grau de exigência física razoável, e uma descida, para a aldeia da Carvoeira, onde desmontei, pois metia algum respeito.
Para ajudar à festa começaram também aqui os enganos, dado que algumas das marcações eram por assim dizer, um pouco deficientes, principalmente para quem está habituado a eventos com um certo grau de qualidade.
Podem argumentar que é igual para todos, é verdade, mas o Ori-BTT é outra modalidade, que se eu quisesse praticar, inscrever-me-ia nas respectivas provas.

Depois da Carvoeira, o terreno mudou por completo, pois entrámos na zona de pinhal e eucaliptal, que vai até à zona da Aldeia da Ribeira.
O piso nalgumas zonas tinha bastante areia, para infelicidade do José Carlos, e era caracterizado por um sobe e desce constante, que desgastava bastante.
Nesta segunda parte, começaram a aparecer algumas zonas mais técnicas, como dois singletracks no meio de eucaliptos, onde por vezes fazíamos razias aos troncos das árvores, ou ao contrário.
Esta fase da maratona levar-nos-ia até Povoas, para lá de Fráguas, bem perto de Rio Maior e que marcava o início do regresso.

Esta parte da maratona foi bastante complicada para mim, pois resolvi tentar seguir um grupo de malta da “perna rapada” que entretanto tinha passado por mim, num ritmo fortíssimo. Segundo erro e mais tarde iria sofrer as consequências dessa loucura.

Esse grupo acabou por ser desmembrado pelo facto de um desses meninos ter tido um furo e parte do pessoal ter ficado para trás para o ajudar.
Eu segui com o que restava do grupo, que eram os mais calminhos, mas sempre a ritmo superior às minhas capacidades.
Perto do km 60, não muito longe da Sra. da Escusa, começou o calvário. Primeiro comecei a ficar de rastos e sem capacidade de seguir os outros elementos do grupo, apesar disso, segui teimosamente na roda deles.
Ainda por cima, já perto do Engarnal, novo engano, desta vez colectivo, causado por um rebanho de gado caprino, e que me obrigou a fazer mais 3 km’s e a ficar sem capacidade de reacção. Estava exausto e só me apetecia apertar o pescoço de alguém da organização, pois o percurso de fácil e acessível não tinha nada.

Apesar da falta de capacidade física, ainda deu para aproveitar um singletrack a meia encosta da A15, que é quase todo ciclável e não é mais espectacular apenas por isso.
Finalmente subíamos para a Moçarria, pela zona da Vila Nova da Babeca, naquilo que era o empeno final.
Nesta altura já só queria chegar ao final.
Para acrescentar mais surrealismo a esta subida, aparece-me um gajo a correr no sentido descendente a perguntar se tinha visto um atleta com o equipamento do Benfica (mais à frente veremos porquê).
Acho que nem tinha forças para responder ao indivíduo, pelo que continuei a pedalar.

No que diz respeito à classificação consegui um 18º lugar, no entanto a cerca de 1h12m do primeiro, ou seja, para lá da 1h que costumo definir como objectivo. O José Carlos acabou logo a seguir em 22º lugar, fruto de ainda não ter conseguido atinar com os percursos com areia. Está a fazer falta um estágio sobre areias em Santarém.
Já depois do final é que percebemos o problema do atleta do Benfica. Fruto dos enganos, que aparentemente afectaram muita gente, ele conseguiu transformar uma maratona de 80 km’s em 112 km’s.
Até no BTT os atletas de duas rodas do Benfica estão sempre a enganar-se. Só faltava dizer que não o tinham deixado ganhar e que estavam todos contra ele.

O balanço final desta maratona não foi o melhor, e para o ano duvido que volte a estar presente, pois a organização deixou bastante a desejar, principalmente em termos de marcações.
Para além disso, não houve qualquer indicação de como seria o percurso, sendo que os comentários de alguns membros da organização induziram em erro.
Hoje em dia, qualquer organização, mesmo aquelas que não dão prémios monetários aos primeiros classificados, disponibiliza os tracks de GPS e perfil de altimetria da maratona.
Talvez devessem primeiro cuidar dos aspectos básicos da organização destes eventos e depois tratarem de dar prémios aos vencedores.

domingo, 16 de novembro de 2008

Mação - 28 de Setembro de 2008

Uma semana depois, voltei a Mação, para mais uma volta com o BTZ Mação.
Isso deve ter sido estranhado pelo resto dos elementos do grupo, pois após uma ausência de quase um mês, fui a Mação 2 fins-de-semana consecutivos.
O plantel desta vez estava reforçadíssimo. Para além dos habituais Filipe, Agostinho e Orlando, estiveram presentes eu, o Nuno e o Patusco (que veremos a seguir quem é).

A volta começou em alcatrão até ao Alto do Pereiro, para efectuar o aquecimento.
Uma vez aí chegados, entrámos finalmente no trilho, direitos ao Bando de Codes. Para variar este foi efectuado ao longo da encosta, poupando assim as belas subidas do Presunto ou das Eólicas, mas já com uns topos, com muita pedra solta, que dão que fazer e permitem terminar o aquecimento.

Depois descemos para a zona da Aldeia d’ Eiras e seguimos por alcatrão até às imediações da Serra da Amêndoa, onde fizemos mais uma subida, de grau de dificuldade elevado. Mais uma para o nosso catálogo.
Seguidamente seguimos para a zona da Ribeira da Pracana, onde apanhámos novamente alcatrão até ao Freixoeiro.

No Freixoeiro parámos para reabastecimento, que incluíu um roubo de figos (que estavam mesmo junto à estrada), e para que alguns membros do BTZ pudessem experimentar bikes em condições.

O Nuno no reabastecimento do Freixoeiro e dos figos

O Agostinho e uma bike a sério.

Sem comentários. Ainda acabas por largar a Especialized.

Nessa paragem juntou-se a nós o Patusco, um cão abandonado que por ali andava.

Depois seguimos pelo Freixoeirinho, subindo a encosta da Serra de Santo António. Nesta subida o Patusco teve um desempenho de alto nível, pois conseguiu ser mais rápido que alguns dos membros do pelotão.
Chama-se a isso instinto de sobrevivência e é algo que não tem grande piada. É lamentável e condenável que haja pessoas que abandonem assim os animais.

Após fazermos parte da cumeada desta Serra, descemos para a Capela, sempre a alta velocidade, pois grande parte dos estradões sofreram intervenções da Câmara Municipal, tendo ficado autênticas auto-estradas.
Na Capela, rumámos para a Praia Fluvial do Carvoeiro, onde efectuámos nova paragem para abastecimento e conversa.

No regresso a Mação seguimos pelo Carvoeiro direitos ao Vale da Mua, tendo depois seguido para o Cabril e Fadagosa, com a bela paisagem da Ribeira do Aziral.
Esta fase final do percurso, da Fadagosa para a Caldeirinha, quer seja por trilho, quer por alcatrão, deixa sempre mossa, que o diga o Nuno, que teve de chamar a assistência em viagem.

Só mesmo a Marta do Ok Telesguro te valeu

Finalmente, 44 km’s depois chegámos a Mação, numa volta, porreira, com algumas subidas e descidas interessantes e o habitual convívio do BTZ.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Mação - 21 de Setembro de 2008

No dia seguinte à Maratona da Ponte de Sôr, andei em Mação, para fazer, aquilo a que os atletas chamam o repouso activo.
O programa de festas proposto pelo Filipe era o de fazer uma volta em ritmo tranquilo.

Desta vez o efectivo do BTZ Mação estava reduzido ao Filipe, eu e ao Alexandre, uma nova contratação, vindo de uma modalidade com bastante expressão em Mação, que é o Kartcross.

O início da volta foi calmo e sem grandes declives, passando pela Caldeirinha, Casas da Ribeira, Fadagosa, Cabril, e Vale da Mua.
Perto da Quebrada já tivemos duas subidas que deram algum trabalho, pois os restantes elementos estavam frescos e em boa forma.
Depois de termos andado um pouco perdidos, lá chegámos às Termas da Ladeira, onde efectuámos uma pequena paragem para reabastecimento.

Entre a Ladeira e o Pego da Rainha, tivemos uma parte bastante bonita da volta, com a vista para a Albufeira da Barragem da Pracana.

Depois de nova paragem no Pego da Rainha, começámos a subida para o Castelo Velho, que é para mim uma das mais difíceis do concelho. Para além dos 1,5 km’s, tem pedra solta que nunca mais acaba, o que dificulta em muito a nossa tarefa, pois temos de ter muito cuidado com o sítio onde colocamos a roda da frente.
Para compensar, no final somos presenteados com uma vista magnífica.

O regresso a Mação foi por alcatrão, passando pelos Envendos, Vale de Grou e com a difícil subida da Fadagosa para a Caldeirinha.

Em resumo, efectuámos cerca de 50 km’s, com um percurso agradável, e sem declives muito acentuados, com excepção da Quebrada, Castelo Velho e Fadagosa.

Quanto a Alexandre, que comece a aparecer mais vezes para andar com os elementos do BTZ, e que continue “sempre a dar no gasão”.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Ponte de Sôr - 20 de Setembro de 2008

Maratona da Ponte de Sôr

Pela 3ª vez consecutiva o BTZ Mação marcou presença na Maratona da Ponte de Sôr.
À semelhança do ano passado, apenas um atleta esteve presente, dado que os restantes ainda andam às voltas com a pré-época.

Nesta maratona voltaram a verificar-se alguns reencontros, desta vez com o Gonçalo, de Évora, que efectuou 2 etapas da GR22 comigo e com o Luís Campos, de Alter do Chão.

O início da maratona era praticamente igual ao do ano passado, com os primeiros 20 km’s a subir de forma muito suave, em estradões, na margem direita do Rio Sôr.
Esta fase inicial da Maratona foi passada a ultrapassar pessoal, pois parti muito atrás.

Na aproximação à 1ª zona de abastecimento e separação dos 60 km’s e 110 km’s, começámos a ter as primeiras aparições da areia e o percurso começou a tornar-se um pouco mais duro.
Isto porque à medida que nos aproximávamos de Montargil, efectuámos algumas subidas com maior grau de dificuldade, e uma ou outra descida mais técnica e inclinada.
Nesta zona tivemos direito a uma vista espectacular para a Albufeira da Barragem.

Com a chegada a Montargil comecei a apanhar a rapaziada da “perna rapada”, e a corrida começou a ficar mais táctica. Toda a gente parecia não se querer desgastar em demasia e apanhar uma roda para marcar o ritmo.
Na passagem por Montargil, a organização trocou-me as voltas. A forma como nos aproximaríamos da Barragem foi bastante alterada. Assim, a minha expectativa de fazer apenas uma pequena subida foi gorada, pois acabámos por fazer 2 subidas bastante complicadas, em que segui na roda de um atleta dos Ases do Pedal, deixando para trás um grupo numeroso de “pernas rapadas”.

A descida final para a Barragem foi a tradicional, com muita pedra solta e a uma velocidade alucinante, a tentar não perder o contacto com o “companheiro de fuga”.
A zona da Barragem este ano era diferente, pois tinha mais uns km’s e uma passagem do Rio que marcava o início do regresso a Ponte de Sôr.

A 2ª parte do percurso foi uma grande lição para mim.
Junto à Barragem arranjámos a companhia de mais atletas, pois alcançámos a Celina Carpinteiro (a 1ª classificada das mulheres) e um atleta do Quedas & Empenos de Portalegre.
O ritmo do grupo que entretanto foi ganhando mais alguns elementos, não era constante, pois aumentava sempre que eu ia para a frente puxar e baixava quando eu resolvia descansar um pouco e ir na roda dos outros.
Esta 2ª metade da maratona tinha bastante areia, à semelhança do ano passado, e contribuiu para aumentar ainda mais o desgaste, pois não tínhamos de enfrentar grandes subidas, com excepção da aproximação final a Galveias.

Perto dos 75 km’s, a cerca de 35 km’s do final resolvi aumentar ainda mais o ritmo, para tentar largar aquela rapaziada toda que ia na roda, pois assim não teria hipótese de alcançar o meu objectivo em termos de tempo, que era baixar das 5h 30m, dado que a colaboração era nula e por isso mais valia ir sozinho.
Durante cerca de 10 km’s, andei a um ritmo bastante forte, sem olhar para trás (basicamente inspirado nos ensinamentos do José Carlos).
Já perto de Galveias, do grupo inicial já só restava a Celina Carpinteiro e o atleta do Quedas & Empenos. No entanto ganhei a companhia das cãibras, que começaram a fazer as suas primeiras aparições.

No último abastecimento acabei por perder o contacto com eles, pois perdi algum tempo a colocar óleo na corrente.
Por isso a última parte do percurso foi feita a solo. Felizmente que este não apresentava grandes dificuldades, e até tendo algumas partes mais técnicas junto ao Rio Sôr, que foram muito porreiras.


O balanço final desta maratona pode ser considerado bastante positivo.
Em termos classificativos fiquei em 19º lugar, melhorando numa posição o desempenho do ano transacto. A concorrência que se prepare, pois daqui a 19 anos vou ganhar a maratona.
Apesar disso fiquei atrás da 1ª classificada feminina, algo que não tinha acontecido em 2007.
Relativamente ao tempo, cumpri com os 2 objectivos, baixar das 5h30m e ficar a menos de 1h do 1º classificado.

domingo, 19 de outubro de 2008

Raid do Oeste (Óbidos) - 14 de Setembro

Eu e o Nuno Lima, à partida para o Raid

O raid dos reencontros

Este ano, resolvi efectuar o Raid do Oeste como preparação para as maratonas de final de época.
Acabou por ser um momento histórico, pois foi a primeira presença do jersey do BTZ Mação no pelotão das maratonas e afins.

Antes do início do Raid, verificaram-se alguns reencontros.
O primeiro foi com o pessoal de Santarém, pois desde final de Agosto, pouco antes da Rota das Aldeias Histórias que não andava nos trilhos com eles. Estiveram presentes o João Almeida (também do BTZ mas que se esqueceu do jersey), o Nuno Lima, o Tiago Nunes e o João Nunes.
Depois voltei a encontrar o Carlos Vitorino da Bikemaganize, que ainda se lembrava de mim do Selinda XL da Sertã.
Finalmente voltei a falar com o José Pereira, elemento da equipa das 24H de Monsanto, e com quem já não falava há algum tempo.

A prova começou com uma passagem junto às muralhas de Óbidos, contornando-as, descendo depois em direcção à zona da Lagoa de Óbidos.
O início do percurso era praticamente plano, com uns topos pequenos, mas que devido ao ritmo alto que se trazia acabavam por dar algum trabalho.

Após termos entrado no estradão, resolvi aumentar o ritmo, para ver se ganhava alguns lugares, pois o acumulado do raid não era muito alto e tinha algum receio do rendimento que teria na fase mais acidentada do percurso.

Até perto dos 20 km’s o raid não teve grandes motivos de interesse, pois o percurso era um pouco monótono.
Após o primeiro abastecimento, entrávamos finalmente na zona mais porreira do Raid, quer pela paisagem, quer pelos trilhos.
A paisagem junto à Lagoa de Óbidos é brutal, pois andamos literalmente junto à lagoa, e muitas vezes em singletrack, que são tecnicamente exigentes, mas por isso mesmo espectaculares.

Panorâmica sobre a Lagoa de Óbidos

Nesta fase integrei-me num grupo de pessoal que ia num ritmo altíssimo, o que dificultava a minha tarefa, pois ainda tinha muitos quilómetros pela frente e não sabia muito bem como reagiria lá mais para a frente.

Na separação dos 40 e 80 km’s grande parte do grupo cortou para a versão mais curta do raid, o que me deixou esclarecido quanto ao ritmo imposto e sozinho.

Depois da separação, começámos a abandonar a zona da Lagoa de Óbidos e a entrar na parte mais acidentada do percurso.
Nas subidas nunca fui muito à vontade, pois penso que o cansaço acumulado da Rota das Aldeias Históricas ainda se fazia sentir.

Pouco depois dos 40 km’s encontrei o Zé Pereira, pois tinha passado por ele no 2º abastecimento e ele alcançou-me pouco tempo depois. Nessa zona fui quase sempre à frente, pois era uma zona que tinha algumas descidas porreiras, com alguma exigência técnica.

Por volta dos 50 km’s começou o sofrimento, pois o percurso tinha uma subida em falso plano, bastante longa e onde eu apenas conseguia seguir na roda do Zé Pereira e de outro gajo, pois o ritmo era fortíssimo. Nesta altura só pedia para que a subida acabasse depressa, o que não veio a acontecer.
Em consequência disso fiquei quase de rastos à chegada ao último abastecimento, por volta do km 65, onde parei para encher o Camelbak e comer qualquer coisa, pois as barras ingeridas já não eram suficientes.

Ao tentar retomar a marcha, verifiquei que a corrente tinha saltado, o que fez com que o Zé Pereira saísse a toda a velocidade e eu tenha perdido o contacto com ele.

Depois de uma descida e algum terreno plano, apanhámos uma subida com uma inclinação brutal, com pouco menos de 1 km, para uma aldeia que felizmente desconheço o nome, e onde ainda consegui ver o Zé Pereira pela última vez antes do final. Mas nessa altura percebi que ele ia num ritmo diabólico, enquanto que eu nas subidas estava fraquinho, ou seja, com falta de treino nos Bandos.

A parte final voltou a ser feita a um ritmo bastante forte, pois apanhei a roda de um grupo, em que o pessoal ia todo picado (parece ser costume a malta da perna rapada ter esse comportamento nas maratonas).

A chegada a Óbidos era feita em sentido inverso dos estradões percorridos no início, quase sempre em plano.
O final do Raid era porreiro, pois era mesmo na entrada das muralhas de Óbidos e com um grande aparato.

Mesmo junto à meta estavam o Nuno Esteves e o Polho, dado que a Bikezone das Caldas era um dos principais patrocinadores do Raid e recrutou mão de obra em Santarém, não sei muito bem para fazer o quê.

Depois da chegada, mais um reencontro. Desta vez com o Ricardo Figueiredo que ficou em 4º lugar no Raid. Estive com o Zé Pereira e ele a falar da Rota das Aldeias Históricas e da necessidade de dar algum repouso ao organismo depois de um esforço daqueles.

Quanto ao almoço, após tanto tempo ainda não me consegui decidir sobre a melhor forma de o definir:
- opção a: fraquinho;
- opção b: uma vergonha;
- opção c: um escândalo;

Nem vou elaborar mais sobre esse assunto, pois não merece que se dê muito destaque.
Apenas acrescentarei que há passeios em Mação, onde por muito menos se come mais e principalmente muito melhor.
Provavelmente para o ano prefiro andar de bike em Santarém e almoçar em casa (onde não há más supresas).

O balanço final do Raid foi positivo, pois cheguei ao fim inteiro e sem problemas físicos ou mecânicos.
A classificação foi porreira, um 46º lugar em 239 participantes a 34 minutos do 1º classificado.
O Zé Pereira esteve em grande, pois fez 37 º lugar a menos de 30 minutos do 1º, e em cerca de 15 km’s deu-me cerca de 6 minutos.
O pessoal de Santarém teve um comportamento diferenciado, pois o Tiago e o João fizeram os 40 km’s, em 38º e 59º respectivamente.

Nos 80 km’s o João Almeida não terminou, pois o afilhado dele caiu e ele ficou a dar-lhe assistência. O Nuno Lima esteve muitos furos abaixo do que é costume, pois ficou em 145º lugar, fruto de ter chegado de férias.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

A minha primeira Estrela na Estrela


Serra da Estrela, 6 de Setembro de 2008


Já desde 2001 que um dos "gurus" do BTT em Portugal, o António Malvar, faz uma proposta para um dia épico de pedaladas. Neste caso no primeiro sábado de Setembro pela Serra da Estrela, realizando as 3 mais importantes subidas ao seu topo pelo trilho negro, formando uma estrela de três pontas, e daí designação de Estrela na Estrela.

O percurso normal tem partida na Covilhã, subida até Piornos, descida para Manteigas, seguindo-se a subida até à torre (cruzamento), descida para Seia, subida até aos 1993 m na TORRE e retorno ao local de início.



O António Malvar descreveu da seguinte forma o percurso:

“Para o ano lá estaremos no 1º sábado de Setembro para subir à Torre partindo das Penhas da Saúde mas com 3 "ligeiros" enganos de navegação. Passo a explicar: Logo à saída do hotel Serra da Estrela viramos à direita e só damos pelo facto que deveríamos virar à esquerda quando chegamos à Praça da Câmara Municipal na Covilhã. Conclusão subimos tudo para trás. Passamos de novo pelas Penhas da Saúde e quando chegamos a Piornos enganamo-nos pela 2ª vez, ou seja viramos à direita e mais uma vez só detectamos que estamos errados quando entramos em Manteigas. Depois de alguma discussão sobre por onde seguir lá decidimos voltar tudo para trás até ao cruzamento onde nos tínhamos enganado e aí sim seguir na direcção da Torre. Estamos mesmo a chegar à Torre, já no alto da serra e eis que voltamo-nos a enganar e de novo virando à direita quando deveríamos virar à esquerda. Conclusão descemos tudo até Seia, pasme-se 30 Kms mais abaixo, e só aí decidimos parar por estarmos a sentir que estávamos enganados. Conformados com a nossa pouca sorte lá vamos tudo para trás a subir em direcção à Serra outra vez, passamos o Sabugueiro a Lagoa Comprida e finalmente quase 3 horas depois de sair de Seia lá estamos nós de novo no tal cruzamento que desta vez não falhamos e cheios de alegria e quase lágrimas nos olhos lá chegamos à Torre a 2000 metros de altitude, exaustos mas felizes por termos conseguido acertar finalmente.
Um grande abraço a todos
Antonio Malvar”

Esta fantástica descrição e a boa disposição que contem foi um sinal revelador do espírito que se pode e deve manter ao longo desta aventura, a qual é fundamental para terminar com um sorriso e talvez vontade de voltar noutro ano. O desafio propriamente dito é por um lado o desnível acumulado e distâncias crescentes a vencer em cada vertente, ao qual se junta o instável tempo na montanha. Neste ano de 2008, passei por parte do percurso na véspera da sua realização e estava impraticável, com chuva, vento e nevoeiro muito denso. Cheguei a convencer-me que os dois meses de sonho não passariam disso mesmo. Felizmente que o S. Pedro me presenteou com um dia bonito e condições quase perfeitas para a realização deste desafio. Sol, tempo limpo para se apreciar a grandeza desta serra, ausência de vento e temperaturas entre 14º na Covilhã, 20º em Seia e de 8°C à chegada final à Torre.


Bonito amanhecer.


Quando o despertador tocou às 7:30, vislumbrei uns raios de sol. Fui até à janela e o dia prometia um tempo agradável. Foi só nessa altura que dei por certa a companhia para este dia, após ver uma rodas no interior de uma carrinha monovolume. Uns minutos mais tarde e eis que aparecem dois ciclistas no parque de estacionamento a sentir o frio daquela hora e a contemplar a montanha.

Após montar a minha Bianchi 1885, fui ter com eles à sala de pequeno almoço, fiquei a saber que eram de Évora, que o percurso previsto seria um treino entre duas provas do campeonato nacional de maratonas em BTT no qual participam, que haveria mais ciclistas à hora da partida e reconheci o Filipe Salvado (3º no Serpa 160). Entretanto apareceram o Cláudio e outro companheiro.

Saímos os cinco do Hotel Serra da Estrela às 9:19 nas Penhas da Saúde em direcção à Covilhã. Tentar aquecer pelo caminho foi impossível devido ao marcado desnível e aos muitos ganchos desenhados pela estrada nesta acentuada vertente da Serra. Chegados ao centro da Covilhã, outros cinco nos esperavam, vários triatletas, e após breves minutos de cumprimentos, com a confirmada ausência do António Malvar, coube ao Fernando Carmo, o mais antigo nesta aventura, dar a voz de partida.

A saída da Praça do Município em direcção às Penhas da Saúde, ofereceu-nos uma sucessão de rampas com inclinações crescentes, 6%, 8%, com as pendentes mais acentuadas, na zona da Estalagem Varanda dos Carqueijais e do antigo sanatório, 10% e 12%. Por essa altura o reduzido grupo inicial, já se apresentava desfeito, com os de Évora em maior ritmo, o Fernando Carmo na linha deles, um grupo intermédio de 4, eu e outro (o qual apenas fez duas subidas, sem bluf !!) e por fim o cauteloso Rui Casaleiro com a Epic e pneus de todo o terreno. Eu já tinha lido e relido os escassos comentários que existem na net sobre a "Estrela na Estrela" e as descrições destes 600m de desnível iniciais. Desde que encarei este desafio nunca pensei em desistir, mas ao efectuar aqueles ganchos, com o coração teimosamente a 184 bpm, temi por um único e breve instante que não teria, ainda, capacidade física para vencer a montanha das montanhas de Portugal Continental. Numa dessas curvas, quando ainda acompanhava o grupo de 4, um colega mais experiente também se surpreendia com o facto de já ir a 180 bpm. Decidi abrandar dos vertiginosos 8 km/h para tentar fazer baixar o pulso porque só tínhamos partido à 6 km e ainda faltavam 3600m de desnível para vencer. Fui apanhado por outro que já tinha descolado, segui umas curvas na roda dele e quando se estava a revelar impossível baixar a pulsação, surgiu instantaneamente uma vontade daquelas à qual é melhor responder parado, à qual acedi prontamente, e pensei, 3 coelhos de uma cajadada: fico aliviado, perco a roda do da frente (decisão sempre muito difícil de tomar) e confirmo se o coração não ficou agarrado nas 180 bpm.

Sozinho e já com as Penhas da Saúde na mira, abrandam as grandes dificuldades, deu para ver o espaço criado até aos grupos da frente, nada por aí além, tendo em conta o seu ritmo e a minha determinada gestão de recursos. Ao passar pelo Hotel aproveito para deixar as luvas, recebo incentivos dos meus meninos e sigo para a roda do Rui Casaleiro que não tinha acompanhado o ritmo das asfálticas, mas entretanto tinha chegado. A partir daqui as inclinações reduzem-se, fiquei a saber que o Casaleiro já tinha efectuado esta estrela em 2007 e que estava determinado em repetir novamente as três subidas agora em 2008. Após o violento impacto inicial, tomei a sua disposição e confiança como um tónico de garantia, nesta fase senti verdadeiramente que iria conseguir realizar este desafio com sucesso. O que estava pela frente foi sempre feito na companhia deste BTTista de Leiria, mesmo tendo que esperar pela sandes e mini no Sabugueiro e pela reparação do furo antes de Seia. Era com a certeza e confiança que valia mais uma roda ligeiramente mais lenta (eram uns pneus 2.1 de btt ?!?!), mas com ritmo, assistência ao longo da estrada e determinada em acabar, que alguma tendência em acabar sozinho com uns magros minutos de vantagem. Este companheiro apresentou-se ao início com esta configuração porque está a cumprir um plano de treinos com vista ao Geo-Raid, onde vai ter dificuldades de desnível total na serra da Lousã em Btt, superiores aos aqui experimentados, razão apontada para a Tarmac ficar na garagem.

Com a troca de palavras chega-se com relativa facilidade a Piornos. Ficaram para trás 13,3 km e 923 m de desnível ao longo 1:10h. Voltámos de imediato à direita para embalar até Manteigas, com o sorriso da PRIMEIRA já estar feita e de quanto é bom descer, depois de subir, apesar do frio. A estrada tem um piso razoável e é agradável a entrada naquele vale glaciar, onde nasce o Zêzere, pela longa recta na qual os travões poucas vezes são chamados, até se chegar ao Viveiro das Trutas, após 17 minutos de descida. Entra-se em Manteigas e ao chegar ao ponto de retorno, estão os restantes 8 atletas a prepararem-se para recomeçar. Afinal não estávamos muito atrasados, até podíamos ter feito a subida com eles, mas um cafezinho era o que vinha a calhar.

Iniciou-se a segunda subida do dia e a segunda mais longa com umas rampas inicias de maior declive, para depois serem mantidos uns constantes e agradáveis 5% a 6% de inclinação até ao centro de limpeza de neves. Por diversos momentos reduzimos o ritmo já a pensar na última do dia e até deu para conversar com um grupo de ciclistas que tinham vindo da República Checa (de autocarro), estavam a ir para Bragança para depois descerem até Sagres. São os ecos do TransPortugal além fronteiras, da sua dificuldade física e facilidade de viajar deste modo neste país.

A segunda secção da segunda subida, Piornos-Torre, ofereceu paisagens deslumbrantes, como o contorno do planalto na Nave de Stº António e longas rectas com uma inclinação mais agressiva de 8% a 10% que se avistam com alguns km de distância. O Casaleiro segue na minha roda, passámos um colega que tinha ficado sem forças, e já quase no cruzamento para Seia, quando aproveitamos para encher os bidons na fonte em frente à Santa, chegam outros dois mas já a descer. Para estes triatletas o dia estava feito, eram apenas duas as subidas prometidas e já cumpridas, sem bluf, dizia um deles. Creio que esta era uma boca à sua anterior participação, marcada por constantes ataques, mas por quem não iria realizar a derradeira subida, Seia-Torre. Mais umas vez deu para ver que o atraso não era grande e que a lei era manter o ritmo e o pulso certo.

Na chegada à Rotunda da Torre não efectuámos o desvio até ao marco geodésica. Iniciámos a descida para Seia a grande velocidade. A descida até à Lagoa Comprida é simplesmente fantástica. Começa com longas rectas de declive não muito acentuado que terminam em pequenas subidas que se vencem facilmente com a velocidade entretanto atingida. O declive vai aumentando ao longo da descida até ao Sabugueiro, o que pronunciava muita dificuldade no retorno. Mas a satisfação de já ter vencido DUAS das TRÊS subidas do dia, e o gozo daquelas descidas eram um tónico e uma garantia de que as forças para regressar de Seia não iriam faltar.

No Sabugueiro houve uma longa paragem para almoço com as famílias, eu por mim seguia logo após um café, mas... Já com Seia à vista a Epic com pneu de BTT furou no alcatrão (???), líquido anti-furo seco (parecia um ninho de ratos quando se abriu o pneu), sacar roda, meter câmara de ar ...

Antes do furo, já na descida para Seia, passou por nós o primeiro atleta que já estava a iniciar a subida, ía sozinho. Quando estávamos parados passa o pessoal de Évora e depois o Cláudio e o Fernando. O ritmo deles também era descontraído, com respeito às dificuldades gerais do dia e à Última que tinha acabado de começar. Pelo que tinha lido e visto, esta terceira subida seria a mais difícil, por várias razões: era a 3ª do dia, a mais longa, a de maior desnível a vencer e a que apresentava a maior extensão de rampas com inclinações de 10% e superiores.

Chegados a Seia, meia volta e vamos embora que já tínhamos saudades (-:)) de subir, nem parámos. A saída de Seia é muito má, muito mesmo. 10% de inclinação, péssimo piso, curvas e ganchos. O Casaleiro ficou logo no elástico aí a uns trinta metros. Entre a saída de Seia e a da Covilhã, venha o diabo ou o homem da marreta, e escolha. Mas com a relação 39/29 lá se venceram mais 600m de desnível até às bombas de gasolina, sentadinho e com o coração nos 175 bpm. Esperei pelo Casaleiro e fomos com a descontracção possível até ao Sabugueiro.

Após a ponte no final da aldeia, segunda secção da terceira subida. Sinais de 10% de inclinação são muitos, nomes de ciclistas profissionais escritos no asfalto e nas pedras que ladeiam a estrada, porque será? A sensação geral de que este desafio seria vencido ia crescendo a cada pedalada. Lembro-me que a partir desta zona quando passava pela minha família, sorria e erguia TRÊS dedos da mão direita. A restante subida até às pistas de neve foi feita de forma tranquila, nos 165-175 bpm, sempre com força mas com respeito pelo coração e pela ciência (limiar anaeróbio, blá blá blá..). Aqui e ali esperei pelo Casaleiro que cada vez mais precisava de um elástico maior e que quando me apanhava não se cansava de dizer "Oh João, não te passa o esforço que é fazer isto com estes pneus, tu nas rectas vais embalado e eu tenho que pedalar".

Sigo sozinho pelas rectas finais, alcanço a estância de ski, viro à direita e desta vez, sem enganos, a Torre de pedra era o meu destino. A última recta, uma dificuldade superior à inclinação discernível visualmente, seria do ar rarefeito ou da emoção de concretizar este desafio. A força que nunca faltou ditou a sua lei !!


Quatro anos após comprar a minha BIANCHI, deixei a bomba da asma ficar no bolso e ganhei este desafio.

A emoção tinha a sua razão de ser.!!

Onde estão os flashs?


EU FIZ UMA ESTRELA NA ESTRELA.


A satisfação de chegar ao dito sítio...


Chegar ao topo de Portugal Continental, após vencer de forma consecutiva estas três vertentes da Serra da Estrela é provavelmente o maior desafio de cicloturismo que se realiza em Portugal. Lance Armstrong disse em determinada altura que: "...I did not do it for the pleasure, I did it for the pain...". Mas neste dia eu não subscrevi estas palavras. Não sofri nada de especial e a sensação de satisfação ia crescendo ao ritmo que as rampas iam ficando para trás. Foi um dia em cheio, acreditem !


Concluí o dia com o regresso de bicicleta até às Penhas da Saúde para desfrutar das descidas e das belas paisagens desta serra que eu fiquei a adorar. E esta parte do percurso também me surpreendeu, encontrei aqui a derradeira subida mas a mais fácil de fazer deste longo dia, depois da Nave de Stº António até ao centro de limpeza de neves, 18-20 km/h. Um dia de força a acabar em força!

Dos 10 atletas que partiram creio que 7 completaram o desafio das 3 subidas, mas dou os parabéns a todos os que por lá andaram. Tal como disse o Fernando Carmo, em termos de balanço final posso também dizer que foi cumprida com sucesso e alguma facilidade.



Alguns números:

Desnível acumulado 3970m

Distância total: 124,2 km

Tempo a pedalar: 6:56:19

Tempo total: 8:29:45

Velocidade média: 17,9 km/h

Calorias consumidas: 6399






1ª Descida Penhas da Saúde - Covilhã: 10,2 km; 39,6 km/h; 0:15 h; -800 m ; -7,8%; 105 bpm; 14ºC

1ª Subida Covilhã - Piornos: 13,3 km; 11,3 km/h; 1:10 h; +923 m ; +6,9%; 170 bpm; 12ºC

2ª Descida Piornos - Manteigas: 14,0 km; 36,2 km/h; 0:23 h; -825 m ; -5,8%; 119 bpm; 17ºC

2ª Subida Manteigas - Torre (cruzam.): 20,5 km; 12,4 km/h; 1:39 h; +1199 m , +5,6%; 158 bpm; 14ºC

3ª Descida Torre - Seia: 27,4 km; 35,2 km/h; 0:46 h; -1390 m , -5,1%; 115 bpm; 20ºC

3ª Subida Seia - Torre: 28,4 km; 12,0 km/h; 2:21 h; +1594 m , +5,1%; 161 bpm; 8ºC

4ª Descida Torre - Penhas da Saúde: 10,6 km; 39,6 km/h; 0:17 h; -503 m , -4,7%; 121 bpm; 12ºC









Perfis de altitude desta brincadeira. Reparem na extensão crescente das subidas. A mais longa no Fim.!


Gostaria de agradecer e dedicar o sucesso nesta aventura à minha Elsa e de uma forma particular aos meus filhos, João Tiago e Joaninha. Sem a vossa presença isto tinha sido muito menos divertido. Meninos, eu sei que não se vão esquecer deste dia! Gostaria que se lembrassem deste passeio que o pai fez como um exemplo de determinação, com respeito pelo desafio que se enfrenta mas com muita garra e convicção de vencer, para no final, se dizer a sorrir: eu consegui fazer uma Estrela na Estrela. (... o meu Joãozinho já vai dizendo que também vai conseguir, eu acredito e vou lá estar, garanto!).


Umas palavras também para os companheiros dos outros dias.

Ao Tiago Nunes e ao João Nunes que me acompanharam no sábado anterior na primeira das duas voltas de 100km planos da estrela “Santarém - Coruche - Salvaterra - Santarém", e que ficou para eles como recordes pessoais. Núcleo duro do Scalabis-Pro Team e as desencontradas férias e ciclos de treinos em época estival: Nuno Lima, Bri, Pedro Melo, Rui Gomes, havemos todos de fazer esta Estrela, um ano destes, por mim está feita a promessa. Por fim aquela palavra para o João Canas, que encarou fazer este desafio, disse: "sou homem para isso", com o qual treinei nos belos trilhos de Mação, e que só não compareceu porque estava a vencer outro enorme, a Grande Rota das Aldeias Históricas - GR22. Mas, após ambos acabarmos, ficou a promessa de se efectuar uma Estrela na Estrela, e talvez com QUATRO vértices, Covilhã, Manteigas, Seia e Vide. Para realizar esta última ponta, quando se vem do Sabugueiro, passa-se a Lagoa Comprida e já com 3500m de desnível vencidos, com as enormes bolas das torres como miragem, “enganamo-nos” e vira-se à direita por uma estrada nova que nos conduz vertiginosamente por uma vertente bonita e arborizada, com óptimo piso e enorme sinalização vertical a indicar 12%, 14%, 10% 14% de inclinação, até aos 700m de altitude, voltar para trás e subir de vez até à torre de pedra.


João.Almeida

Santarém, Setembro de 2008



Uma última palavra: Todo o ciclista, seja com BTT ou asfáltica, sentirá uma enorme sensação de conquista ao vencer este percurso. Não deixem de tentar !!


Fica a promessa de em breve aparecer por aqui o registo fotográfico efectuado.

Por agora podem espreitar no Google Maps por onde andei:



terça-feira, 23 de setembro de 2008

O Balanço Final da Grande Rota das Aldeias Históricas

Citando César Pavese: "We do not remember days, we remember moments"

Desta Grande Rota das Aldeias Históricas ficarão muitos momentos inesquecíveis.
Muitos deles foram revividos à medida que escrevi estas crónicas, que procuraram transmitir-vos os bons momentos pelos quais passámos ao longo dos 7 dias que durou esta grande aventura.
Também houve maus momentos, em que nos questionamos sobre o porquê de tentarmos testar os nossos limites, de nos colocarmos à prova. Talvez tenha sido essa a derradeira razão para ter participado na Grande Rota das Aldeias Históricas.
Mas esses momentos não são para partilhar, pelo menos com vocês.


Foi uma semana inesquecível, e se alguém tiver dúvidas sobre embarcar nesta aventura que a A2Z Adventures nos proporciona, apenas posso dizer que não se vão arrepender.
Para alem do que indiquei acima, terão a possibilidade de conhecer uma parte do nosso país, tanta vez esquecida, negligenciada e pouco conhecida.

Mas que tem locais magníficos, paisagens fabulosas, gentes hospitaleiras e trilhos inesquecíveis, que vos procurei dar a conhecer através das muitas fotos que ilustram as crónicas.

Como de costume, ficam os agradecimentos finais.
Para o pessoal da A2Z Adventures, que durante uma semana nos aturaram e trataram de nós.
Para o Pedro Carvalho, o Pedro Pedrosa, a Filipa, o Nuno e o Tiago o meu obrigado e foi um prazer ter-vos conhecido.

Espero no futuro poder participar em organizações vossas.

Para os participantes que comigo pedalaram nesta aventura fica também o meu agradecimento e reconhecimento, principalmente ao Sérgio, que aceitou mais um desafio e ao Ricardo.
Mas também ao Raphael, ao Miguel, ao Gonçalo (e o seu Biofreeze) e ao Nuno, que nos acompanharam durante alguns dias.

Uma palavra de agradecimento também para todos aqueles que contribuíram para a minha participação na Grande Rota das Aldeias Históricas, e para quem ao longo dos dias me incentivou através de telefonemas e mensagens.

Finalmente gostava de partilhar convosco, aquele que para mim é dos momentos mais marcantes daquela semana.
Na passagem pela aldeia de Castelo Mendo, o Pedro Carvalho começou a conversar com um velhote que, com a sua esposa, estavam a sentados junto às muralhas da aldeia, e lhes explicou o que andávamos a fazer.
O velhote ficou muito admirado e não entendia, a razão pela qual para além de não recebermos dinheiro, ainda pagávamos para andar a dar cabo das pernas...

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Dia 7 – 6 de Setembro de 2008 – Piódão – Castelo Novo

88 km’s com 2.800 metros de desnível acumulado

O electrocardiograma final

O título desta etapa deve-se essencialmente ao facto de o gráfico de altimetria se assemelhar a um electrocardiograma, pois era um sobe e desce constante.
O desnível acumulado voltava a ser grande, com uma distância também significativa.

Na véspera, as previsões meteorológicas indicavam que não choveria, e que o tempo apresentaria melhorias significativas ao longo do dia.
Esta foi uma boa notícia, pois fazer as duas etapas mais difíceis de toda a Grande Rota com mau tempo seria complicar ainda mais o que já era bastante difícil.
A saída de Piódão

Pela manhã, o sol começava finalmente a vencer as nuvens, no meio das quais ainda pedalámos durante algum tempo.
Os primeiros 5 km’s eram a subir, quase até ao topo da Serra do Açor, nos 1.150 metros de altitude.

Pedro Pedrosa, o nosso guia com a Serra da Estrela em fundo

Parte dessa subida foi efectuada em alcatrão, não sendo por isso mais fácil.
Antes de descermos em alcatrão para a aldeia da Fórnea, percorremos alguns estradões que fizeram parte das antigas classificativas de Arganil do Rallye de Portugal.


O Pedro Pedrosa e o Sérgio em plena subida

O Ricardo, numa das fases mais complicadas da subida inicial

Depois de passarmos pelo Rio Ceira, que nasce nesta zona, começámos a subir na aldeia da Covanca, em alcatrão até uma nova zona de eólicas, de onde descemos a grande velocidade para a aldeia de Meãs onde era o primeiro abastecimento.

O Ricardo, aqui com um semblante mais feliz. Mal ele sabia o que ainda faltava para o final
O início da descida para a aldeia de Meãs

Esta descida teve duas partes, uma em trilho que foi espectacular, e outra parte em alcatrão, onde apanhei um grande susto, pois alcançámos velocidades superiores a 60 km/h, e numa curva mais apertada ainda andei um bocado na berma.
Por pouco, com uma distracção não colocava em causa a GR22.


Em Meãs começava mais uma longa subida, de cerca de 8 km’s, sem grandes inclinações, parte efectuada em alcatrão e parte em trilho. Passámos junto a São Jorge da Beira e na zona das Minas da Panasqueira.

As minas da Panasqueira em fundo

A seguir a uma subida, vem sempre uma descida, sendo que esta também tinha cerca de 8 km’s, até Dornelas do Zêzere, sendo parte em alcatrão e parte em trilho. Simplesmente espectacular, em estradões que permitiam abusar à vontade e com curvas encadeadas.
No final da descida até me doíam as mãos de tanto travar.

O almoço decorreu no Café/Discoteca Pérola do Zêzere e foi cortesia da Junta de Freguesia desta aldeia.


A esposa do Presidente da Junta em conversa connosco perguntou para onde seguiríamos a partir dali, e ficou surpresa quando o Pedro Pedrosa lhe falou na zona das eólicas. Ainda mais quando ele lhe disse que não era por alcatrão, mas sim por trilho, ao que ela classificou essa subida de velhaca.
Deu para nos rirmos um bocado.
Mal sabíamos nós o que nos esperava.

A passagem do Zêzere foi bastante porreira, mas logo a seguir começava a subida “velhaca”.

A passagem do Rio Zêzere

O Rio Zêzere

O início da subida "velhaca"

O início da subida era bastante suave, sem grandes dificuldades, mas após um pequeno troço em alcatrão, tínhamos um estradão, quase sempre a direito, ladeado por pinheiros, e com uma inclinação significativa, onde não se via o final.

O Rio Zêzere em fundo, na subida "velhaca"

Finalmente tínhamos percebido o conceito de velhaca, e já não nos rimos nada.

A minha parte preferida da subida "velhaca", um autêntico empeno

Depois de cruzarmos a estrada de alcatrão, entrávamos numa zona de eólicas numa cumeada, sempre a subir.

No final, foram cerca de 8 km’s a subir.

No alto do monte, com a Serra da Estrela envolta em núvens

Depois de uma descida vertiginosa, num eucaliptal, voltámos ao alcatrão e a subir, com a Serra da Estrela como pano de fundo, até entrarmos em nova cumeada, já em estradão.

Essa cumeada, com cerca de 10 km’s, que começava a subir para novo parque eólico, foi memorável, pois a partir daí, já com a Cova da Beira e Serra da Gardunha à vista, tivemos descidas rápidas e algumas subidas íngremes, sempre em bom piso.

Aspecto da cumeada que teríamos de efectuar

Vista sobre a Cova da Beira

A parte final da última cumeada

Eu, no início da descida para Partida

O Pedro Pedrosa e a Serra da Estrela, no início da descida para Partida

No final da cumeada, nova descida, com quase 6 km’s para a aldeia de Partida.
Foi mais uma descida espectacular, muito rápida, com algumas curvas complicadas.
Ao chegarmos à aldeia tivemos o último abastecimento e seguimos para aquilo que seria um final de etapa bem mais calmo, mas ainda faltavam um pouco mais de 20 km’s.

É de meter as mãos à cabeça. Ainda bem que faltava pouco.

Até o Sérgio, depois de evidenciar um andamento fortíssimo, já não sabia como estar


Até ao final, ainda tivemos uma subida muito curta, mas muito inclinada, antes de chegar a São Vicente da Beira.

O último empeno antes do final

Depois desta aldeia, foi apenas rolar até ao final, com passagem pelo Louriçal do Campo.
Finalmente estávamos em Castelo Novo, completando assim a Grande Rota das Aldeias Históricas.

Momento do dia:

A foto final do grupo, da esquerda para a direita: Filipa, Nuno, Ricardo, João, Sérgio, Pedro Pedrosa e Tiago.

Com esta última crónica dou por encerrado o relato da Grande Rota das Aldeias Históricas, ficando apenas a faltar um pequeno balanço da participação nesta aventura.

Nesse mesmo dia, o João Almeida completou com sucesso uma grande aventura, que é efectuar a Estrela na Estrela, que corresponde a efectuar as três principais subidas da Serra da Estrela de forma consecutiva.
Um grande feito, que será também ele relatado no blog.
Gostava aqui de deixar os parabéns ao João.