sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Dia 4 – 3 de Setembro de 2008 – Almeida – Castelo Rodrigo - Marialva


72 km’s com 1.320 metros de desnível acumulado

A etapa mais divertida

Nesta etapa decidi dar descanso à Spark, e experimentar a Gary Fisher Hi-Fi Deluxe que se encontrava disponível para os participantes da GR22, e que o ano passado tinha sido conduzida pelo Gary Fisher durante algumas etapas, enquanto a bike dele, com rodas 29 não chegava.
Assim na crónica deste dia está incluído um mini teste a esta bike, mas sem grandes pretensões jornalísticas.

O dia começou com um pequeno passeio por Almeida, dado que no dia anterior o pessoal optou por seguir directamente para a zona de assistência e à noite apenas nos deslocámos ao centro da vila para provar a famosa Ginjinha de Almeida.
Tivemos assim a oportunidade de pedalar no interior e nas muralhas desta vila e visitar o picadeiro municipal.

Aspecto das muralhas de Almeida
Um burro perdido nas muralhas de Almeida

A partir desta etapa o pelotão passou a estar reduzido a 6 elementos, com 2 guias (Pedro Pedrosa e o Nuno ou o Tiago) e os participantes Sérgio, Ricardo, Raphael e eu.

O início da etapa decorreu em trilho negro, até à aldeia de Vale de Coelha (curioso nome), em terreno plano, o que permitiu fazer um bom aquecimento.

Os km’s que se seguiram até Castelo Rodrigo, cerca de 30, foram um prenúncio do dia mais divertido de toda a Rota das Aldeias Históricas.

Para começar desta vez o granito, uma constante ao longo das etapas, não se limitou a fazer parte da decoração, mas fez também parte do trilho.


O terreno essencialmente plano ou com declives suaves, incluiu uma ou duas descidas mais técnicas, com curvas encadeadas, onde também deu para curtir a bike e tirar partido das suas potencialidades.

Pedalando em direcção a Castelo Rodrigo

Até à proximidade de Castelo Rodrigo passámos por algumas manadas de vacas, portões e silvas, que contribuíram para que o Ricardo tivesse dois furos (já que o Miguel não estava).

Castelo Rodrigo

A subida para Castelo Rodrigo, teve um grau de dificuldade elevado, até porque a Gary Fisher estranhou o utilizador e não está propriamente adaptada para subidas com algum grau de inclinação.

O Ricardo e o Sérgio à entrada de Castelo Rodrigo

Efectuámos uma pequena visita ao centro da aldeia, que me pareceu ser das mais bem preservadas, à excepção do Castelo, dado que foi destruído pela população, pois senhor local era apoiante dos Castelhanos.


Castelo Rodrigo

Castelo Rodrigo

De Castelo Rodrigo já se vislumbra a zona do Rio Douro, e é uma região onde se encontra muita vinha, pois encontra-se integrada na região demarcada do Douro.


Vista de Castelo Rodrigo para a zona do Douro e Figueira de Castelo Rodrigo

Ainda visitámos a Casa da Cisterna, que é um turismo rural em plena aldeia, propriedade de uma amiga do Pedro Pedrosa, e que tem condições espectaculares de alojamento.

Descemos por alcatrão para o parque de lazer de Castelo Rodrigo, onde almoçámos e aproveitámos para descansar um pouco.

Recordar é viver!

A seguir ao almoço passámos nas imediações da Serra da Marofa, onde efectuámos uma subida com bastante pedra solta para atrapalhar.
Depois dessa subida, iniciámos a parte mais interessante da etapa, pois os 12 km’s seguintes seriam quase sempre a descer até ao Rio Côa.

Raphael no início da longa descida para o Côa

De destacar duas descidas espectaculares, que nos encheram as medidas, uma com imensa pedra solta, muito técnica e algo perigosa, e outra muito pequena, mas com o piso em calçada.

Ricardo numa das melhores descidas de toda a GR22

Com esta bike até eu pareço que desço bem

O Ricardo na descida em calçada

Infelizmente a descida final para o Côa foi em alcatrão, mas a paisagem mais do que compensou esse facto.
O vale do Côa foi das partes mais impressionantes em termos paisagísticos de toda a GR22.

A descida final, em alcatrão, para o Côa

Aspecto do Vale do Côa

Aspecto do Vale do Côa

E não só, pois a seguir foram quase 4 km’s a subir, inicialmente em alcatrão (nem por isso mais fácil) e depois em estradão, tendo como envolvente os habituais blocos de granito.

O Sérgio, na longa subida após o Côa, com um andamento fortíssimo!

Reparem no detalhe do autógrafo do Gary Fisher na bike

Mais um bloco de granito, típico desta região

Após mais uns km’s de terreno plano, começámos lentamente a descer em estradão e depois terminámos num singletrack novamente com muita pedra solta e técnico.


A seguir a uma descida, vem sempre uma subida, e esta era também muito técnica, com pedra solta e sobre lajes de granito.
Simplesmente fabuloso!

O Ricardo e o Sérgio no final da descida e da subida

O Pedro Pedrosa, no final da mesma subida

À entrada da aldeia de Juízo, o Sérgio teve um furo, e após a sua reparação rumámos a Marialva, onde terminava a etapa.
No entanto ainda tivemos tempo para um encontro quase imediato com uma carroça, na aldeia de Gateira, pois o burro assustou-se com a nossa passagem.

Cá está ele, o burro e o seu feliz proprietário

Os km’s finais foram sempre a rolar, com excepção da subida final para a zona do Castelo de Marialva, que custou um bocado, dado o cansaço acumulado.

Infelizmente o Castelo estava fechado, pelo que não foi possível visitá-lo.

Aspecto da zona histórica de Marialva

Nesta etapa efectuámos horas extraordinárias, pois o alojamento era uns km’s fora da aldeia, e acabámos por ir de bike até lá.
Mas valeu a pena, dado que o jantar compensou, pois a proprietária do Turismo Rural, uma sra. alemã radicada em Portugal há 35 anos, preparou-nos uma refeição memorável em forno de lenha e regada com um bom tinto (anti-oxidante) da região.

Agora sim, o mini-teste à Gary Fisher Hi-Fi Deluxe.

O primeiro aspecto a destacar é o facto de o quadro ser XL, mas ainda assim a bike acaba por não ser demasiado grande para mim, que sou um utilizador de quadros de tamanho M.
O quadro é em alumínio, não demasiado pesado, equilibrado qb e transmite segurança e conforto.
A frente da bike é muito alta para aquilo a que estou habituado com a Spark, mas é muito estável e precisa a descer, sendo que a suspensão Manitou Minute é menos suave e progressiva que a Fox, mas ainda assim boa na absorção de impactos e a transmitir segurança e confiança.
O amortecedor é um Fox RP2, que tem três posições, bloqueado, aberto e o Pró-pedal (intermédio).
A posição bloqueado serve essencialmente para subidas e em alcatrão, sendo que mesmo assim bombeia um pouco, dado que não estava adaptado para o meu peso. O comportamento nesta posição não é de um quadro rígido, mas anda lá perto.
A posição aberto é essencialmente para descer, pois permite utilizar todo curso do amortecedor.
A posição de Pró-pedal é a intermédia, em que a reacção ocorre essencialmente com impactos de baixo para cima, sendo esta posição essencialmente para rolar, e descidas e subidas menos acentuadas.
O comportamento geral do amortecedor é boa, sendo que, como estou habituado ao da Spark, não estranho um ligeiro bombear na posição de fechado ou do Pró-pedal.

Em termos de desviadores, o LX à frente e o XTR atrás têm o comportamento de acordo com as expectativas.
Os travões, Avid Juicy 5, chegam perfeitamente para as encomendas, dão plena confiança em termos de travagem e não ficam a dever muito aos XT da Shimano, ou versões superiores da Avid.

Penso que a bike está essencialmente pensada para duas coisas, ser confortável e descer bem.
Com algumas alterações, principalmente ao nível da frente, seria uma óptima bike para maratonas.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Dia 3 – 2 de Setembro de 2008 – Sortelha – Castelo Mendo - Almeida


90 km’s com 1.615 metros de desnível acumulado

A Etapa mais longa…

O início desta etapa percorria em sentido inverso os últimos quilómetros da etapa do dia anterior até à aldeia de Urgueira.
Nesta última aldeia seguimos em direcção à vila de Sabugal, sempre em terreno acidentado (pequenas subidas e descidas) e em zonas rodeadas de árvores (principalmente carvalhos).

Um encontro com um rebanho de ovelhas entre Sortelha e Sabugal

No Sabugal efectuámos uma pequena paragem para visitar o Castelo e tirar algumas fotos.

Castelo de Sabugal

Making of de mais uma foto do Gonçalo com as suas fãs

Cuidado que as aparências iludem

Depois do Sabugal continuámos num terreno acidentado, com algumas subidas mais exigentes, mas curtas, e com as consequentes descidas.
Tal como no início da etapa, os trilhos continuavam sempre a ser ladeados de vegetação, seja de carvalho, giesta ou mesmo pinheiro.

Percurso a seguir ao Sabugal, no meio de carvalhos

Percurso a seguir ao Sabugal, no meio de giestas

Percurso a seguir ao Sabugal, no meio de carvalhos

Depois de passarmos pela aldeia do Souto começámos uma descida relativamente longa em estradão que deu para abrir o apetite para o almoço, que foi na aldeia de Alfaiates.

Descida para Alfaiates

Descida para Alfaiates

Depois do almoço o tipo de terreno manteve-se por mais uns km’s, no entanto a envolvente alterou-se com o percurso a passar por zonas delimitadas por muros de pedra na zona das de Rebelosa e Aldeia da Ribeira (muito à semelhança do que acontece na zona de Minde e Serra de Santo António).

A seguir ao almoço, após Rebelosa

A seguir ao almoço, após Rebelosa

Após esta última aldeia entrámos numa zona de planalto, em que durante cerca de 15 km’s pedalámos rodeados de carvalhos, que ainda estão relativamente pequenos e por isso mesmo não proporcionavam grande sombra.
Daqui a alguns anos será uma zona espectacular para fazer btt.
Nesta fase o vento que se fazia sentir de sul ajudou-nos a rolar bastante rápido, numa rota que era utilizada pelos antigos contrabandistas.

Rolando na zona de carvalhal

Subitamente a vegetação de carvalhos desapareceu e deu lugar a uma zona de meio inóspita, de terrenos agrícolas e com vegetação rasteira, até termos passado a aldeia de Freinada e iniciado a descida para o Rio Côa.


Junto ao Rio Côa, aproveitámos para tirar mais uma fotos, dado que era um cenário espectacular, e preparar psicologicamente para a subida que se seguia para Castelo Mendo, mais uma das Aldeias Históricas a visitar.
A passagem do Rio foi feita através um pontão, em que o Gonçalo aproveitou para sacar uns cavalos.


A subida para Castelo Mendo era complicada, principalmente porque alguns troços tinham o terreno muito solto, e com pouca aderência.


No final da subida, mais um abastecimento, algum descanso e mais algumas fotos para mais tarde recordar.

À porta de Castelo Mendo.

Da esquerda para a direita: Pedro Pedrosa, João, Nuno, Sérgio, Raphael e Gonçalo.


A saída de Castelo Mendo tinha uma pequena subida, em que circulávamos no meio de blocos enormes de granito, e depois voltávamos a entrar numa fase de estradão rodeado de terrenos agrícolas, em terreno plano, ou com declives pouco acentuados.

Sérgio à saída de Castelo Mendo

Sérgio e Nuno à saída de Castelo Mendo

O final da etapa aproximava-se e depois de passarmos por mais 3 aldeias (Mido, Leomil e Aldeia Nova), voltámos a descer para o Rio Côa.


A última subida, que começava numa ponte bastante antiga sobre o rio Côa, era longa e com cerca de 3 km’s de calçada, mas mais acessível que a Monsanto.
Ainda assim não foi fácil vencê-la.

Ponte sobre o Côa, mesmo antes de começar a subida para Almeida

No final da etapa tivemos uma vez mais apoio técnico, desta vez a cargo da Garbike.
Deu muito jeito, dado que o Sérgio tinha partido um raio da roda de trás.

A Specialized do Sérgio à espera da reparação do roda de trás, que foi até à Guarda


Frase do dia:
Algures entre Alfaiates e Castelo Mendo, por Pedro Pedrosa: “Treina que isso passa…”


Momento do dia:


Junto a Castelo Mendo